Por Claudio Prandoni
Não me canso de falar como a onda retrô permeia a sociedade contemporânea – hoje não será diferente. Após dar um belíssimo e digno final a Rocky Balboa no filme de mesmo nome, Sylvester Stallone parte para fazer o mesmo com seu outro personagem mais famoso: o über-soldado Rambo.
Vinte anos separam a nova incursão do terceiro episódio, mas a essência permanece. Durante sua pouco mais de uma hora e meia, o longa-metragem oferece ação furiosa, visceral, violenta e explosiva. Tudo em doses cavalares e desconcertantes. O trailer já era chocante; o filme é ainda mais.
Contudo, não espere por um thriller frenético que lhe deixa ofegante do início ao fim. Rambo IV flerta de maneira sutil com a introspecção existencial tão patente em Rocky Balboa. Não ficou tão bom ou interessante, mas vamos combinar: o lado emocional de Rambo é raso como um pires e atraente como folha de papel sulfilte branca. A tentativa é marcante, mas não convence nem um pouquinho.
No mais, o filme investe boa parte da duração – de fato, cerca de metade – em criar um ambiente crível para que Rambo retorne à ação mais uma vez. Por incrível que pareça, daí vem a mensagem solidária e humanitária do filme. O cenário é o conflito civil que impera na Birmânia, um país da Ásia, há mais de 60 anos. Milhares morrem e são torturados cruelmente por ano numa guerra calada, silenciosa e pouco noticiada que com os holofotes de Stallone pode receber algum tipo de atenção.
Curioso: o exército de um homem só que Rambo é pode parecer uma idéia bélica utópica, mas quem sabe não acabe fazendo diferença na guerra do mundo real. Fim do devaneio.
Apesar de soar meio fútil, a missão de resgate na qual Rambo se embrenha, na companhia de alguns mercenários, soa crível. Ao menos, um ensejo convincente para o banho de sangue que se segue. A produção não economizou. Vai parecer clichê, mas o longa-metragem definitivamente não é recomendado para estômagos fracos. A quantidade de sangue compete com Sweeney Todd, sendo que Rambo ainda tem o backup de explosões e ossos quebrados – sem contar algumas artimanhas à la McGyver.
Rambo IV é como um soco bem dado no nariz: passa rápido, mas dá um belo baque. Pode não ser uma lição de moral e exemplo de perseverança como Rocky Balboa tão bem é, mas figura como um filme de ação completo, com tudo o que manda a cartilha – e não muito mais.
(Rambo, Ação, EUA, 2008)
Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Sylvester Stallone, Art Monterastelli
Produção: Avi Lerner, Kevin King Templeton, John Thompson, Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Julie Benz, Matthew Marsden
Música: Brian Tyler

29 Fevereiro, 2008 às 9:47 am |
Só tenho algo a acrescentar Celton “Quem nasceu para ser majestade jamais perde o trono”. Stallone está sim barrigudinho, com um pouco mais de 60 anos, mas o ar de “bad boy” esse mantém-se igual! Mas claro que nenhum ator chegará a ter brilhantes atuações como o celebre Al Pacino! Espero que Gugu Lucas retorne as resenhas como uma fênix. Falowzz!!
29 Fevereiro, 2008 às 11:55 am |
Filme de macho é filme de macho!!
Em breve Balboa… em breve…