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Across The Universe

10 março, 2008

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Por Claudio Prandoni

Confesso que filmes com premissas musicais me atiçam a curiosidade. Foi assim com Não Estou Lá e aconteceu o mesmo com Across The Universe. Apesar de o filme ter estreado no final do ano passado em alguns cinemas do circuito nacional, ele passou totalmente batido por mim. Só fui saber da existência dele por ocasião de um amigo que citou que gostaria muito de ver o filme “todo baseado em músicas do Beatles”.

Ele estava em exibição no CinePosto 4, em Santos, e praticamente no mesmo dia fomos assistir. Não li críticas ou conferi trailers antes de ir – apenas vi o pôster, bem bacana por sinal, e uma breve sinopse que fala de um casal apaixonado, anos 60 e músicas dos Beatles. Ou algo assim.

De fato, o roteiro vai bem por aí: somos apresentados a Jude, um rapaz britânico que não se importa muito com o futuro. Tem uma namorada a qual cativa com canções melosas dos garotos de Liverpool – aliás, cidade natal dele – e a vontade de conhecer o pai, um norte-americano que engravidou a mãe dele durante a II Guerra e os abandonou quando o rapaz ainda era “um pãozinho no forno”, segundo palavras do próprio guri.

Do outro lado do ringue está Lucy, uma bela americana loirinha de olhinhos azuis e apaixonadinha por um recruta do Exército. Uma graça. A perfeita representação do sonho americano. Ela passa os dias andando de bicicleta, estudando equações de segundo grau, escrevendo cartinhas açucaradas e contemplando a foto do futuro marido/pai de família o qual ela desposará.

Enfim. Eventualmente, tudo vira de ponta cabeça – habilidade marcante da década de 60 – e os dois acabam se trombando em Nova Iorque, se apaixonam e vivem uma tórrida e cativante relação amorosa.

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Não Estou Lá

4 março, 2008

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Por Claudio Prandoni

“Homem casado, poeta, cantor, compositor, guardião, porteiro…”

Bob Dylan é de tudo um pouco, ou ao menos é o que ele clama – essa frase aí em cima é dele numa entrevista pra revista Rolling Stone em 1969. Essa é também a presunção e êxito de Não Estou Lá, obra do diretor Todd Haynes fermentada por ele durante quase dez anos.

Com a mesma ingenuidade e magnificência da personalidade de Dylan, o longa-metragem é denso, psicodélico, apaixonante e desconfortável. E mais um pouco. Faltam adjetivos para traduzir com precisão (se é que isso é possível) a atmosfera um tanto quanto inebriante de Não Estou Lá.

A premissa é inteligente: uma reimaginação fragmentada da vida do músico, mostrando seus diversos momentos na carreira por meio de seis personagens distintos. A execução suplanta qualquer expectativa e previsibilidade.

Dylan diz que aceita o caos, mas não tem lá muita certeza se a recíproca é verdadeira. Para Todd Haynes ela é de uma forma desconcertante e magistral. O sexteto de figuras protagoniza sete histórias distintas, todas entrelaçadas. Porém, não de maneira lógica e cronológica – ao menos na maioria do tempo.

O entrecho faz flashbacks em flashbacks, salta à frente no tempo, pausa, retrocede, avança em câmera lenta, dá piruetas e saltos no ar sem a menor cerimônia. O conceito de “é um passeio numa montanha-russa” é batido, mas pode se aplicar aqui.

Não, não. Alto lá.

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10.000 A.C.

29 fevereiro, 2008

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Por Claudio Prandoni

Confesso que não tinha ouvido muito sobre este filme. Havia ouvido um zumzumzum sobre uma nova produção épica de Rolland Emmerich, com dinossauros coisa e tal. Dinossauros. Não tinha como dar errado.

Porém, como os estudantes de História e aficionados pelos lagartões devem ter sacado pelo título, não há dinossauros na película. Afinal, eles sumiram há mais ou menos 65 milhões de anos. Quase nada (tripa seca?)…

Ok. Decepção 1.

Vamos lá, não tem dinossauros, mas não é o fim do mundo. Na verdade é. Ao menos para a tal tribo dos Yagahl (a qual não consegui identificar de onde são). Toda temporada eles caçam mamutes. A economia destes homens primatas, capitalistas selvagens, gira em torno dos benditos mamutes. Você os mata, você é legal. Você não os mata, você é bobo. Você nem pode tentar matá-los é porque você é mulher ou criança. Simples assim.

A coisa fica feia quando os ventos anunciam a chegada de tempos tenebrosos por meio de uma linda garotinha de olhos azuis. Tem início aí uma lenda. Vulgo, primeiro clichê de uma série monstruosa.

Como faz em Independence Day, Rolland Emmerich desfila aqui uma miríade de idéias batidas. Porém, sem explosões. Ou aliens. Ou Will Smith. Ou dinossauros.

Para piorar, o período de tempo abordado é totalmente inapropriado para os clichês exibidos. Como assim amor platônico e fiel numa época em que homens conquistavam mulheres abatendo feras (e mamutes, nada de dinossauros) e eram adeptos da poligamia? Você quer que eu acredite nisso? Desculpe…

Isso. Decepção 2.

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Rambo IV

28 fevereiro, 2008

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Por Claudio Prandoni

Não me canso de falar como a onda retrô permeia a sociedade contemporânea – hoje não será diferente. Após dar um belíssimo e digno final a Rocky Balboa no filme de mesmo nome, Sylvester Stallone parte para fazer o mesmo com seu outro personagem mais famoso: o über-soldado Rambo.

Vinte anos separam a nova incursão do terceiro episódio, mas a essência permanece. Durante sua pouco mais de uma hora e meia, o longa-metragem oferece ação furiosa, visceral, violenta e explosiva. Tudo em doses cavalares e desconcertantes. O trailer já era chocante; o filme é ainda mais.

Contudo, não espere por um thriller frenético que lhe deixa ofegante do início ao fim. Rambo IV flerta de maneira sutil com a introspecção existencial tão patente em Rocky Balboa. Não ficou tão bom ou interessante, mas vamos combinar: o lado emocional de Rambo é raso como um pires e atraente como folha de papel sulfilte branca. A tentativa é marcante, mas não convence nem um pouquinho.

No mais, o filme investe boa parte da duração – de fato, cerca de metade – em criar um ambiente crível para que Rambo retorne à ação mais uma vez. Por incrível que pareça, daí vem a mensagem solidária e humanitária do filme. O cenário é o conflito civil que impera na Birmânia, um país da Ásia, há mais de 60 anos. Milhares morrem e são torturados cruelmente por ano numa guerra calada, silenciosa e pouco noticiada que com os holofotes de Stallone pode receber algum tipo de atenção.

Curioso: o exército de um homem só que Rambo é pode parecer uma idéia bélica utópica, mas quem sabe não acabe fazendo diferença na guerra do mundo real. Fim do devaneio.

Apesar de soar meio fútil, a missão de resgate na qual Rambo se embrenha, na companhia de alguns mercenários, soa crível. Ao menos, um ensejo convincente para o banho de sangue que se segue. A produção não economizou. Vai parecer clichê, mas o longa-metragem definitivamente não é recomendado para estômagos fracos. A quantidade de sangue compete com Sweeney Todd, sendo que Rambo ainda tem o backup de explosões e ossos quebrados – sem contar algumas artimanhas à la McGyver.

Rambo IV é como um soco bem dado no nariz: passa rápido, mas dá um belo baque. Pode não ser uma lição de moral e exemplo de perseverança como Rocky Balboa tão bem é, mas figura como um filme de ação completo, com tudo o que manda a cartilha – e não muito mais.

(Rambo, Ação, EUA, 2008)

Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Sylvester Stallone, Art Monterastelli
Produção: Avi Lerner, Kevin King Templeton, John Thompson, Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Julie Benz, Matthew Marsden
Música: Brian Tyler

1408

2 novembro, 2007

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Por Claudio Prandoni

O novo longa-metragem estrelado por John Cusack é baseado num conto de Stephen King, o que pode já rotulá-lo como sendo de terror. Porém, apesar de ser bem objetivo, o filme consegue ir além disso.

O protagonista é Michael Enslin, um amargurado escritor que ganha a vida escrevendo sobre supostas experiências que teve com assombrações, poltergeists e coisas do tipo. Eventualmente, a atenção dele acaba sendo chamada para o Hotel Dolphin, em Nova Iorque, mais especificamente para o quarto 1408.

Após insistir muito com o gerente do hotel, Gerald Olin (que aqui no caso estaria sendo vivido por Samuel L. Jackson), que tenta dissuadir o repórter expondo um minucioso relatório das estranhas e inexplicáveis mortes ocorridas no dormitório, Enslin parte nesta jornada (apenas de ida?).

A estadia do rapaz no quarto é, numa analogia mais ou menos próxima, como o passeio de Alice no País das Maravilhas. Coisas estranhas e inexplicáveis acontecem o tempo todo sem que Enslin, ou o público, entenda bem o que se passa. Boa parte da diversão vem dessa imprevisibilidade do filme. Difícil conter a ansiedade e imaginação enquanto se espera pela próxima investida do 1408.

O outro pedaço da brincadeira vem do próprio protagonista. A maneira como ele encara as maluquices que se apresentam é divertida por conta da excessiva ironia de Enslin. Eventualmente, as situações acabam utilizando os sentimentos, medos e desejos mais íntimos do escritor para aterrorizá-lo e tentar seduzi-lo ao suicídio.

Ainda que munido de certos clichês e poucas reviravoltas realmente imprevisíveis, 1408 prende até o final por conta das peripécias que o quarto apronta. Não assusta nem marca o cinema de terror com uma marca indelével, mas vale uma ida ao cinema. Com pipoca.

(1408, Terror, EUA, 2007)

Direção: Mikael Håfström
Roteiro: Scott Alexander, Matt Greenberg, Larry Karaszewski, Stephen King (conto original)
Produção: Lorenzo di Bonaventura
Elenco: Samuel L. Jackson, John Cusack, Mary McCormack, Jasmine Jessica, Anthony, Tony Shalhoub
Música: Gabriel Yared
Fotografia: Benoît Delhomme

Resident Evil 3: A Extinção

29 outubro, 2007

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Por Claudio Prandoni

Como já era de se esperar, o filme não segue em praticamente nada a mitologia oficial da série e chega a ser engraçado de tão tosco e fantasioso. O que não quer dizer que seja um filme ruim. Eu acho…

A trama continua quase exatamente do ponto em que Resident Evil: Apocalypse. Ou seja, após a aniquilação total de Raccoon City e a nova fuga de Alice (novamente a angelical mocinha Milla Jovovich) da famigerada Umbrella Corporation.

Diferindo totalmente do jogo, aqui o T-Virus não foi contido e o mundo inteiro foi infectado. Sem muita explicação lógica, isso levou também os rios a secarem e, conseqüentemente, um aceleramento no processo de erosão natural do planeta, transformando-o num grande deserto. Assim, cria-se um cenário desolado que propicia uma dinâmica a um só tempo diferente e parecida com aquela vista nos jogos.

Por certo prisma, temos um ambiente enorme a ser explorado. Não mais uma mansão ou uma cidade, mas sim um país (no caso, os EUA). Encarando de outra maneira, o palco da ação é dominado também pela incerteza e tensão em relação aos perigos que vem pela frente – aspecto que permeia os games.

Spoilers à parte, o enredo segue um caminho bem previsível com uma ou outra leve surpresa algumas seqüências de ação bem sacadas e empolgantes – outras nem tanto…
Alice dispõe de uma série de artimanhas pouco exploradas até então que adquirem cores mais vivas e o relacionamento tão próximo dela com a Umbrella é explorado de maneira mais inteligente também.

Um ponto que acabará decepcionando – novamente – os fãs da série é a descaracterização de figuras conhecidas. Claire Redfield deixou de ser uma mocinha policial quase indefesa para virar uma frentista durona, com direito a boné e caminhão. Carlos Olivera é um pouco melhor e, tal qual em Apocalypse, é uma figura muito mais importante do que efetivamente é nos games.
Uma outra surpresa desempenha papel crucial na aventura também, tanto quanto nos jogos, mas prefiro não revelá-la – apesar de que muitos já devem saber de quem se trata.

No mais, referências muito, muito sutis pipocam vez ou outra, mas nada tão contundente como em Apocalypse, disparado o filme da trilogia que mais se aproxima dos jogos (principalmente por conta da aparição de Jill Valentine no modelito RE3: Nemesis). Os mais atentos perceberão principalmente a recriação de situações vistas em praticamente todos os capítulos de RE, até os mais obscuros. Os montros são todos conhecidas, mas eu pessoalmente senti falta dos malditos Hunters. Nada é mais amedrontador do que aquilo – a medalha de prata por muita pouca diferença vai pros Regenerators do RE4.

Os efeitos especiais estão bem melhores desta vez, principalmente no departamento de maquiagem. Fiquei particularmente impressionante com acabamento feito nos cachorros-zumbis. Contudo, é possível distinguir alguns truques de tela verde e computação gráfica que não encaixaram muito bem.

As cenas de ação alternam muito entre super legais e toscas e previsíveis. Como comentei, o diretor Russel Mulcahy até tira alguns truques da manga, mas de maneira geral há situações muito babóides.

Por que toda vez que alguém mata um zumbi tem que fechar os olhos e respirar aliviado? Vejamos, estamos num mundo dominado por essas criaturas nojentas, claro que eliminando apenas uma delas as outras vão ficar com medo e fugir, certo? Errado! Óbvio que outro estará fungando no seu pescoço doidinho para mordê-lo. Mas nenhum dos personagens do filme pensa nisso. Sério, conte quantas vezes este tipo de situação ocorre e fique indignado como eu.

Antes que eu me esqueça, a trilha sonora mantém o ritmo barra pesada das outras incursões cinematográficas. Porém, desta vez não conta com nomes famosos a exemplo de Slipknot, Rammstein e Marylin Manson, como rolou nas outras películas. Ponto positivo pra trilha remixada das salinhas de save do jogo, que serve de trilha para vários momentos de Extinction.

A despeito das críticas duríssima feitas aos outros filmes, o longa-metragem deixa uma ponta gigantescamente absurda no final, praticamente garantido uma quarta aventura. Confesso que não espero muitas melhorias no quesito “fidelidade à obra original”, mas o universo alternativo criado nas telonas é interessante e vale umas boas duas horas de porrada, explosões e monstros nojentos.

Resident Evil: Extinction é o típico filme-pipoca: muitas armas, efeitos especiais, ação, porrada, bichões feios e mocinhas bonitas sob o pretexto de fingir ser um filme de jogo.

(Resident Evil: Extinction, Ação, EUA, 2007)

Direção: Russell Mulcahy
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Oded Fehr, Milla Jovovich, Mike Epps, Iain Glen, Ashanti (II), Ali Larter, Spencer Locke, Gary Hudson.

* Texto já publicado pelo próprio autor em outro blog. Para ser mais exato, aqui.

Ação!

15 outubro, 2007

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Por Claudio Prandoni

Desculpem o título clichê (só faltou Luz! Câmera!), mas creio que ele sintetiza bem a proposta deste blog: simplesmente falar sobre cinema.

Na verdade, especialmente mas não apenas sobre cinema, já que volta e meia você pode acabar encontrando aqui análises de livros, musicais ou seja lá que outro produto cultural as mentes aqui do CineReview decidirem destrinchar.

Assim sendo, separe a pipoca, aproveite a leitura e boa diversão!

CineReview em cartaz!

PS: A imagem que ilustra este post foi um teste para o cabeçalho deste blog. Uma espécie de versão zero do CineReview. Na foto está Scarlett Johansson no do pôster de Encontros e Desencontros, vulgo um dos filmes preferidos do autor deste post.