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Iron Maiden: Voo 666

16 junho, 2009

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(Iron Maiden: Flight 666, 2009, EUA, 112 min.)

Por Gustavo Lucas

Em janeiro de 2008, os ingleses do Iron Maiden, uma das bandas de heavy metal mais famosas do mundo, deram início à turnê “Somewhere Back In Time”, a maior realizada por eles até hoje.

Nesta viagem, que é apenas a primeira parte desta turnê, foram 23 apresentações em 19 cidades ao redor do mundo durante 45 dias.

Os cineastas e fãs de carteirinha, Scott Macfayden e Sam Dunn acompanharam a banda e toda sua equipe a bordo de um personalizado Boeing 757, chamado “Air Force Eddie”, pilotado pelo próprio vocalista da banda, Bruce Dickinson.

Conhecidos por Documentários como “Heavy Metal: A Headbanger’s Journey” e “Global Metal”, os diretores tentam aproximar os fãs da banda, que apesar de ser uma das mais importantes do heavy metal, nunca ocupou um grande espaço nas rádios. 

Por meio de depoimentos dos membros da banda, produtores e alguns fãs, o espectador presencia todo o impacto que estes shows causam, independente do lugar onde estão, e também da raça e cor de seus seguidores.

Feito de fã para fã, passageiros de primeira viagem vão ter dificuldade de se situar devido a falta de legendas identificando as músicas e alguns entrevistados.

Já os metaleiros de plantão irão curtit cada minuto do filme que além das apresentações ao vivo, conta também com a participação de nomes famosos do gênero, como Lars Ulrich (baterista do Metallica), Kerry King (guitarrista do Slayer), Tom Morello (guitarrista do Rage Against The Machine e ex-Audioslave), e os integrantes do Sepultura em uma disputada partida de futebol em São Paulo.

Voltando para Casa

26 fevereiro, 2009

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(Julie Walking Home, 2002, Alemanha/Canadá/Polônia, 118 min.)

Por Gustavo Lucas

O filme “Voltando para Casa” (Julie Walking Home, 2002) é uma história sobre relacionamento e intolerância.

Carregado fortemente de apelos emocionais, principalmente nos momentos dramáticos da doença de Nick (Ryan Smith), filho da protagonista Julie (Miranda Otto), o filme é centrado nesta família e no trajeto que ela percorre até o reencontro da harmonia do lar.

Ao voltar de uma viagem com os filhos, Julie surpreende seu marido Henry (William Fichtner) tendo um caso. Na mesma hora, ela pega os filhos e se muda para a casa de seu pai, Mieczyslaw (Jerzy Nowak). Durante as discussões de separação entre Julie e Henry, seu filho Nick é diagnosticado com câncer, o que reaproxima o casal (mas não como era antes). Com a notícia de que o tratamento de Nick falha, Julie o leva para a Polônia a fim de ver um famoso curandeiro russo chamado Alexy (Lothaire Bluteau).

Neste momento, surge um conflito entre as famílias. Enquanto Henry é de família judaica e de formação cientifica (seu pai é médico e ele é biólogo), o pai de Julie é católico.

A diretora e roteirista polonesa Agnieszka Holland, de filmes como “O Jardim Secreto” (The Secret Garden, 1993) e, mais recentemente, “O Segredo de Beethoven” (Copying Beethoven, 2006), conduz a história com grande dramaticidade, desde o título: em inglês, Julie Walking Home tem o sentido de caminhar de volta para o lar, que sintetiza a sua jornada de retorno, desde o afastamento até a reaproximação, embora ela mal tenha saído fisicamente do mesmo. Ela assina o roteiro junto com os desconhecidos Roman Gren e Arlene Sarner.

O diretor de fotografia, Jacek Petrycki, que já havia trabalhado anteriormente com a diretora em “Filhos da Guerra” (Europa Europa, 1990), pega o clima nublado e frio do Canadá e, através de cores frias e tons azulados, cria um clima triste e amargurado onde o único refúgio é o próprio lar dos personagens, que possuem tons de cores quentes. Esta ultima característica também se deve à direção de arte de Ewa Skoczkowska e Marian Wihak, muito atuantes em produções para a televisão.

Os acontecimentos que marcam o filme acabam sendo catalisados pela interpretação dos atores, destacando a protagonista Miranda Otto, de “O Senhor dos Anéis: As Duas Torres” (The Lord of the Rings: The Two Towers, 2002) e “Guerra dos Mundos” (War of the Worlds, 2005), que nos apresenta uma Julie irriquieta por não se encaixar no ambiente em que está e pelos eventos ocorrentes que parecem fugir totalmente de seu controle; e Lothaire Bluteau (de séries de televisão como “24 Horas” e “Lei e Ordem”) no papel do curandeiro Alexy, que só pelos olhares já mostra ao espectador a pessoa ingênua e frágil que é. E com a montagem, de Christian Lonk, que soube aproveitar bem o uso de closes dos atores para realçar ainda mais as cargas emocionais de algumas cenas.

A música de Anton Gross (ou Antoni Lazarkiewicz) é elemento integrante da trama, tanto nas canções cantadas por Julie, como nas músicas instrumentais de fundo, ora intensificando o momento de uma cena, ora criando um distanciamento em outra. O uso da música durante a relação sexual de Julie e Alexy funde muito bem essas duas funções.

Ao tratar de temas polêmicos, como adultério, câncer e o próprio curandeirismo o filme fala, basicamente, da vida conjugal. Os altos e baixos enfrentados por Julie nesta jornada são verossímeis, talvez não tudo ao mesmo tempo, como no filme, mas não deixam de ser reais, o que pode agradar muitos espectadores, que irão se identificar com os acontecimentos pelos quais a protagonista passa e suas decisões.

Glória Feita de Sangue

26 fevereiro, 2009

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(Paths of Glory; Guerra, 87 min; 1957; EUA; Direção: Stanley Kubrick; Produção: James B. Harris; Roteiro: Stanley Kubrick, Jim Thompson e Calder Willingham, baseado em livro de Humphrey Cobb; Música: Gerald Fried; Fotografia: Georg Krause; Direção de Arte: Ludwig Reiber; Edição: Tom Finan; Elenco: Kirk Douglas, Ralph Meeker, Adolphe Menjou, George Macready, Wayne Morris, Richard Anderson, Joe Turkel, Peter Capell, Kem Dibbs, Timothy Carey, Susanne Christian)

Por Gustavo Lucas

Glória Feita de Sangue é uma adaptação do livro homônimo de Humphrey Cobb, escrito em 1935, e um dos primeiros filmes do diretor norte-americano Stanley Kubrick, que já demonstra suas habilidades técnicas e originalidade em conduzir a narrativa.

O filme conta a história de um general que, durante a Primeira Guerra Mundial, em busca de uma condecoração, ordena que seja realizado um ataque às frentes inimigas, condenado a falhar. Durante a batalha, o general ordena que atirem nos soldados que estiverem recuando, obrigando-os a continuar. Com o fracasso da operação, o alto comando acusa três soldados por covardia e os leva à corte marcial pedindo a execução dos mesmos.

A maneira pela qual Kubrick retrata a visão dos generais em relação aos seus subordinados mostra claramente uma postura anti-bélica do diretor. Vale destacar duas cenas em que este aspecto fica claro: a primeira, o general Mirneau, interpretado pelo ator George Macready, para justificar seu pedido de execução, diz que a única prova de que não houve covardia dos soldados seriam seus corpos mortos nas trincheiras; e na outra, na qual o general Broulard, vivido pelo veterano ator Adolphe Menjou, diz que soldados são como crianças e precisam de disciplina e o jeito é fuzilar alguém para atingir tal objetivo.

O ator Kirk Douglas (que assina a produção do filme através de sua produtora Bryna Productions) faz o coronel Dax que se contrapõe à decisão do general Mirneau, mas é incapaz de evitar a execução dos soldados.

O filme privilegia o enfoque realista do sistema bélico e evidencia decisões que revelam a crueza e a insensatez da guerra.

Com grande conhecimento em fotografia e iluminação, Kubrick faz o contraponto entre os oficiais do alto escalão e os soldados, presente no roteiro, visível já na composição dos quadros e os movimentos de câmera.

A composição dos quadros é simples e eficiente. Os generais circulam por ambientes amplos e bem iluminados, em que eles aparecem espalhados pelo cenário e não possuem uma sombra muito marcante. Os soldados nas trincheiras, por sua vez, vivem em lugares pequenos e escuros, como os tetos são baixos a luz geralmente corta o personagem deixando parte de seu corpo no escuro. Provavelmente foram filmados com lentes de 25mm que dão uma impressão bem mais grandiosa a lugares abertos, no caso dos pequenos parecem extremamente apertados.

Já os movimentos de câmera, dentro desta relação generais x soldados, são similares, porém diferem justamente pela composição da cena. Enquanto em ambientes abertos à panorâmica junto de um plano aberto mostram a imensidão destes lugares, nos fechados, em plano médio, aumenta ainda mais a sensação claustrofóbica, com os personagens sobrepondo-se uns aos outros. A cena que, sutilmente, mais separa os generais dos soldados está na visita do general Mireau às trincheiras. Este travelling (característica presente em todas as obras do diretor) acompanha Mireau interagindo com as suas tropas, e durante o trajeto ocorrem algumas explosões ao lado no campo de batalha, e a única pessoa presente que se abaixa para se proteger é o general.

Diferente de praticamente todos os filmes americanos desta época, “Glória Feita de Sangue” não apresenta final feliz. Ele se preocupa em mostrar como uma guerra pode criar rapidamente monstros e vítimas, que vão ficando pelo caminho. No final, quando uma jovem alemã (interpretada por Susanne Christian) é forçada a cantar para os soldados em um bar, é bem representada a fragilidade emocional que a guerra causa, quando todos param de caçoar da moça e começam a acompanhar a canção murmurando e com lágrimas nos olhos. E, do lado de fora, o coronel Dax é avisado de que seus homens foram novamente chamados para o fronte. A canção transforma-se em marcha militar. A guerra não acabara. Isto é algo que enriquece ainda mais a postura política da história.

Apesar de possuir uma filmografia relativamente pequena, Stanley Kubrick se destaca em cada um de seus projetos por buscar novas formas de se contar uma história, e é neste filme que suas marcantes características começam a ser claramente vistas.

Saawariya – Apaixonados

26 fevereiro, 2009

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(Saawariya; 2007; Índia; Musical; 137 min. Direção: Sanjay Leela Bhansali; Produção: Sanjay Leela Bhansali & SPE Films Índia Pvt. Ltd; Roteiro: Prakash Kapadia e Sanjay Leela Bhansali, baseado em Noites Brancas de Fiodor Dostoievsky; Fotografia: Ravi K. Chandran; Direção de Arte: Omung Kumar Bhandula, Vanita Omung Kumar; Edição: Sanjay Leela Bhansali; Elenco: Ranbir Kapoor, Sonam Kapoor, Salman Khan, Rani Mukherjee; Zohra Sehgal)

Por Gustavo Lucas

Bollywood cada vez mais perto do ocidente

Bollywood é o nome dado à indústria cinematográfica de Mumbai na Índia, que realiza produções faladas em hindi. Longas durações (os filmes contam até com intervalos), músicas cativantes, cenários grandiosos, coreografias que remetem a vários estilos, roteiros melodramáticos que misturam idiomas nos diálogos como inglês, urdu e alguns dialetos regionais (uma forma de atingir um público cada vez maior) são as principais características dos seus filmes.

O diretor e roteirista Sanjay Leela Bhansali, conhecido por filmes como Black (2005) e Devdas (2002), não fugiu de nenhuma destas características ao escrever Saawariya – Apaixonados. Baseado no conto Noites Brancas de Dostoiévsky, somos apresentados a Ranbir Raj (Ranbir Kapoor), um jovem sonhador e ingênuo músico recém-chegado na cidade que acaba por se apaixonar por uma misteriosa moça chamada Sakina (Sonam Kapoor), que espera o retorno de seu amado. Raj conta com o apoio da prostituta Gulabji (Rani Mukherjee) e de Lillian (Zohra Sehgal), a velha senhora que aluga o quarto onde vive.

Os grandes destaques da produção são: a fotografia e iluminação, que fazem um belo contraste de claro e escuro, assim como o uso das cores; a direção de arte e cenografia, toda realizada em estúdio. A qualidade e o detalhe dos cenários são surpreendentes.

Os principais problemas da produção, para quem está tendo um primeiro contato com os filmes desta indústria, são a duração e o grande número de apresentações musicais, pois a história pode ser facilmente contada nos habituais 90 minutos do cinema ocidental, sem ser interrompida de 10 em 10 minutos para um número musical.

Mesmo com algumas características que diferem do cinema ocidental, os filmes de Bollywood estão sendo cada vez mais aceitos no ocidente, o que acaba atraindo cada vez mais capital, inclusive estrangeiro. Saawariya, por exemplo, é o primeiro filme co-produzido por um grande estúdio de Hollywood, a Columbia Pictures. Já existem produções que contam com parte de sua filmagem realizada em outros países como Estados Unidos, Canadá e, até mesmo, o Brasil.

Inimigo Público

26 fevereiro, 2009

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(The Public Enemy; 1931; EUA; Policial; 84 min; Direção: William A. Wellman; Produção: Darryl F. Zanuck; Roteiro: Harvey F. Thew, baseado em estória de Kubec Glasmon e John Bright; Edição: Edward M. McDermott; Estúdio e distribuição: Warner Bros; Elenco: James Cagney, Jean Harlow, Edward Woods, Donald Cook, Beryl Mercer, Murray Kinnel) 

Por Gustavo Lucas

Junto com “Alma no Lodo” (outra produção da Warner Bros, lançada poucos meses antes), “Inimigo Público” foi pioneiro de um gênero que veio a obter muito sucesso durante a Depressão americana (anos 30), o dos filmes de gângster.

Dirigido por William A. Wellman (de “Wings”, Oscar de melhor filme em 1928), “Inimigo Público” mostra a vida do criminoso Tom Powers (James Cagney), desde seus primeiros delitos ainda na infância, o relacionamento com a família, até sua morte prematura. O título do filme não remete diretamente ao protagonista, mas sim ao que ele representa para a sociedade, ou seja, uma ameaça.

A história começa em 1909, com Tom e seu amigo Matt Doyle praticando seus primeiros furtos para um homem conhecido como Putty Nose (Murray Kinnel) e seu relacionamento distante com o pai, um policial. Depois em 1915, eles são abandonados por Putty em meio a um assalto mal sucedido, o que os leva a saírem da vida de crimes por uns tempos. Mas quando a Lei Seca entra em vigor em 1920 – proibição da venda de bebidas alcoólicas que se estenderia até 1933 – Tom e Matt (Edward Woods) começam a contrabandear cerveja e, a partir de então, vão ficando cada vez mais ricos e influentes. 

O filme retrata bem a figura do criminoso inescrupuloso que viu na Lei Seca uma oportunidade de fazer dinheiro através de atividades legais, tornando-se assim uma grande ameaça para as autoridades.

E James Cagney foi uma excelente escolha para viver Tom Powers, fazendo do personagem uma pessoa totalmente impulsiva e imprevisível, como na cena do café da manhã, na qual ele “espreme” uma laranja na cara de sua namorada. O físico do ator também proporciona uma certa dinamicidade devido à sua estatura baixa, compondo o tipo baixinho nervoso.

Apesar de pioneiros, estes filmes não trazem nada de inovador em relação à técnica ou à narrativa do cinema da época, ainda mais nesse período de crise econômica, já que experimentações custam dinheiro e não garantem retorno financeiro. O crédito fica mesmo pelo assunto abordado e a centralização da história na figura de um criminoso.

O gênero gângster veio como uma alternativa do chefe de produção da Warner Bros, Darryl F. Zanuck, para contornar os problemas da Depressão. Eram produções baratas (filmadas em estúdio, sem muitos movimentos de câmera, contando com apenas um ator de destaque, entre outras coisas) que mantinham o estúdio longe da falência e obtendo lucro. O mais interessante é ver como o roteiro respeita o Código Hays, que consta de uma lista de coisas que não deviam aparecer em um filme (como, por exemplo, mostrar cenas de crimes) para que grupos conservadores e religiosos não organizassem boicotes às produções.

O Orfanato

13 março, 2008

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(El Orfanato, Suspense, México/Espanha, 2007)

Direção: Juan Antonio Bayona; Roteiro: Sergio G. Sánchez; Produção: Álvaro Augustin, Joaquín Padro, Mar Targarona e Guillermo del Toro; Música: Fernando Velázquez; Fotografia: Óscar Faura; Direção de Arte: Iñigo Navarro; Edição: Elena Ruiz; Elenco: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep, Mabel Rivera, Montserrat Carulla, Andrés Gertrúdix, Edgar Vivar. 

Por Gustavo Lucas

O que me levou a assistir “O Orfanato” foi o nome do diretor mexicano Guillermo Del Toro nos créditos da produção. Pensei que seu envolvimento traria ao filme elementos que me agradaram muito em seu último trabalho, “O Labirinto do Fauno” (2006), tais como roteiro, direção de arte e fotografia. Infelizmente, isso não aconteceu. Porém, tive uma curiosa surpresa ao longo do filme, que valeu o ingresso.

“O Orfanato” conta a história de Laura, uma mulher que decide comprar um casarão que funcionava como orfanato, o mesmo em que ela viveu quando criança, e lá fundar uma espécie de orfanato-escola para crianças com algum tipo de deficiência. Junto dela, estão seu marido Carlos e o filho Simón. Nos primeiros dias da mudança, Simón começa a falar muito sobre seus novos “amigos imaginários”, nada que preocupe muito seus pais até a hora em que ele simplesmente desaparece sem deixar vestígios. A partir daí, Laura começa a acreditar que ele foi levado pelos mesmos “amigos imaginários” dos quais ele tanto falava, que agora acredita serem fantasmas.

Esta pode parecer uma história familiar para o espectador, talvez porque lembre filmes como “O Sexto Sentido” (1999) e “Os Outros” (2001), principalmente o último, pois possuem vários fatores em comum, como um casarão mal-assombrado, “crianças-fantasmas” e uma mãe como protagonista. Essas semelhanças com outras produções não podem ser consideradas como pontos fracos se o objetivo é  mostrar uma nova visão sobre o tema. Aqui, o diretor Juan Antonio Bayona não nos traz nada de diferente de outras produções, nada que destaque o filme no meio de tantos.

O único aspecto técnico que merece mais destaque é a trilha sonora composta por Fernando Velázquez, que usa de melodias que remetem a músicas infantis mas tocadas de forma lenta e em registro mais grave.

No elenco, vale destacar a ponta realizada por Geraldine Chaplin (filha de Charles Chaplin), como uma médium que faz uma espécie de reconhecimento no casarão, uma das melhores seqüências do filme. E não posso deixar de lado Edgar Vivar, a minha maior surpresa no filme. Para quem não sabe, Edgar é muito famoso aqui no Brasil devido a um outro personagem que fez na televisão. Ele é o Sr. Barriga da série de televisão Chaves, que está no ar há mais de 20 anos no SBT. Seu papel, no filme, não é de destaque mas me agradou muito ver o ator atualmente, em um papel sério, bem diferente da série.

No fim, “O Orfanato” é apenas um filme de suspense sobrenatural sem nenhuma novidade. Para fãs do estilo, deve agradar. Ou, pelo menos, você pode ver um trabalho recente do Sr. Barriga.

O Ultimato Bourne

9 dezembro, 2007

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(The Bourne Ultimatum, Ação, EUA, 2007)

Direção: Paul Greengrass; Roteiro: Tony Gilroy, Scott Z. Burns e George Nolfi, baseado em estória de Tony Gilroy e em livro de Robert Ludlum; Produção: Patrick Crowley, Frank Marshall e Paul Sandberg; Música: John Powell; Fotografia: Oliver Wood; Edição: Christopher Rouse; Elenco: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Scott Glenn, Paddy Considine, Edgar Ramirez, Joan Allen, Daniel Brühl, Albert Finney.

Por Gustavo Lucas

Chega neste mês às locadoras “O Ultimato Bourne”, o filme é a parte final da trilogia baseada nos livros de Robert Ludlum, sobre o agente Jason Bourne e sua busca pelo passado. Dessa vez, a história começa antes do final do segundo filme “A Supremacia Bourne” (2004), mostrando assim os motivos que levaram Bourne a voltar para os Estados Unidos, e a partir daí descobrir a origem de seu envolvimento como assassino do governo.

A direção, assim como no antecessor, é de Paul Greengrass, que leva o filme em um ritmo de conclusão, sabendo selecionar bem os pontos da trama para revelar os acontecimentos importantes. As seqüências de ação estão muito bem realizadas e deixam o espectador realmente empolgado. Vale destacar a seqüência da estação de trem Waterloo, e a luta de Bourne com um assassino que recebeu o mesmo treinamento que ele (trecho em que não há trilha musical, apenas efeitos sonoros, deixando a cena muito mais tensa e pesada).

A escolha de Matt Damon como Jason Bourne foi fundamental desde o começo da trilogia, pois ele consegue cativar o público com seu lado desmemoriado e inocente, e de repente, se mostrar frio, calculista e agressivo sem que o espectador condene o personagem por isso. Como vilão deste filme, temos David Strathairn, como um dos cabeças por trás do treinamento de Bourne, que apesar de ser um ator de destaque, não convence tanto como Brian Cox ou Chris Cooper nos anteriores.

A trilha musical de John Powell marca bem os acontecimentos do filme, elevando a eficácia dela sobre o espectador.

Para fãs de filmes de ação e espionagem, “O Ultimato Bourne” é uma excelente opção, então corra na locadora mais próxima e garanta o seu!

Quebra de Confiança

30 outubro, 2007

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(Breach, Suspense, EUA, 2007) 

Direção: Billy Ray; Roteiro: William Rotko, Billy Ray e Adam Mazer; Produção: Scott Kroopf, Robert F. Newmyer e Scott Strauss; Música: Mychael Danna; Fotografia: Tak Fujimoto; Elenco: Chris Cooper , Ryan Phillippe, Laura Linney, Caroline Dhavernas, Gary Cole, Dennis Haysbert, Kathleen Quinlan, Bruce Davison.

Por Gustavo Lucas 

Depois de uma estadia curta nos cinemas nacionais, “Quebra de Confiança“ chegou recentemente às locadoras e chama atenção pela sua história. 

A trama gira em torno de um aspirante a agente do FBI, Eric O’Neil (Phillippe), que recebe a função de vigiar o rígido agente Robert Hanssen (Cooper) atuando como seu novo secretário. De início, inconformado com a relevância dessa missão, Eric vai aos poucos conhecendo e convivendo com seu chefe, a ponto de admirá-lo, até descobrir que o verdadeiro objetivo de sua missão é prendê-lo por espionagem. 

O que chama a atenção é que o roteiro é baseado em uma história real e muito recente (Robert Hanssen foi preso em 2001), mostrando que espionagem não é coisa do passado. Apesar de uma história bem interessante, o filme não consegue desenvoler essa história de forma empolgante. O filme se resume a retratar exatamente o que ocorreu naquele período, e como o espectador já conhece o desfecho, o resultado final é lento e sem emoção. 

O ator Ryan Phillipe não consegue convencer no papel e, como desempenha o personagem-chave da trama, não ajuda muito a segurar a atenção do espectador. O contrário acontece com Chris Cooper, que está no seu melhor tipo de papel, personagens extremamente fechados e imprevisíveis.

Parando para pensar, talvez se o filme abordasse o ponto de vista do espião em relação ao seu secretário, o resultado fosse bem mais empolgante.  

Enfim, “Quebra de Confiança” merece no máximo uma alugada, mais para conferir o trabalho de Chris Cooper.

Batman Begins

23 outubro, 2007

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(Batman Begins, Aventura, EUA, 2005)

Direção: Christopher Nolan; Roteiro: Christopher Nolan e David S. Goyer; Produção: Larry J. Franco, Charles Roven e Emma Thomas; Música: James Newton Howard e Hans Zimmer; Fotografia: Wally Pfister; Elenco: Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Morgan Freeman, Gary Oldman, Ken Watanabe, Katie Holmes, Cillian Murphy, Tom Wilkinson, Rutger Hauer, Linus Roache, Mark Boone Junior.

Por Gustavo Lucas

Depois do fracasso do filme “Batman & Robin” (1997), sentiu-se a necessidade de resgatar o personagem que estava se afogando em um mundo alegórico de roupas apertadas, acessórios cretinos e cidades abstratas, que agradava a apenas um número muito reduzido de espectadores. 

A solução veio nesta produção de 2005, que traz uma abordagem mais realista do universo do homem-morcego. De forma a não fazer referências a nenhum dos filmes anteriores, optou-se por mostrar a origem do herói, focar na jornada inicial de Bruce Wayne para se tornar o Cavaleiro das Trevas e mostrar seus primeiros momentos como tal, ou seja, sua primeira grande aventura. 

O roteiro é baseado na HQ de 1987 “Batman: Ano Um”, que relata exatamente o primeiro ano de atividade do herói. Só que o filme supera a HQ, na medida em que algumas questões são trabalhadas com um embasamento mais interessante, como, por exemplo, o uso de símbolos, e as origens das habilidades de luta de Bruce Wayne (que são fruto da sua jornada pelo mundo a fim de entender a mente criminosa).   

Contando com um competente elenco de atores de primeira linha, vale destacar: Christian Bale, que consegue facilmente convencer o espectador como um jovem Bruce Wayne convicto de suas ações, e também na pele de Batman, que se diferencia bastante dos anteriores devido, principalmente, ao tom de voz aterrorizante emitido pelo próprio ator; Michael Caine, como um Alfred mais vivo e participativo nas ações do herói, sendo responsável por cuidar para que este nunca se desvie de suas metas; Gary Oldman, fazendo do sargento James Gordon não um super-policial, mas apenas uma pessoa íntegra e honesta que age da forma mais correta possível, tendo em vista as circunstâncias em que se encontra; e, fechando, Liam Neeson como o grande mentor do herói. 

A fotografia é muito bem composta, trabalhando o claro e o escuro de forma que Gotham City não fique imersa em uma noite sem fim, como ocorre em alguns dos anteriores. E não posso deixar de mencionar a competente parceria entre James Newton Howard e Hans Zimmer na trilha sonora, que proporciona uma ambientação sonora muito eficaz em todos os momentos da trama. 

Enfim, Batman Begins é diversão garantida. Eu recomendo!