Archive for the ‘Bizarro’ Category

Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street

11 janeiro, 2008

sweeney_small.jpg

Por Cristiane Fernandes

Acho que ninguém gosta de se decepcionar, não é verdade? Pois é, eu também não!

Ontem me decepcionei com o meu filme mais esperado dos últimos tempos (tudo bem que quanto maior a expectativa, maior é a chance de você se decepcionar), mas vou me esforçar para ser imparcial nessa resenha…

Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, musical ‘tragicomedy’ de Stephen Sondheim e recentemente adaptado para as telonas por Tim Burton (A Noiva Cadáver, Peixe Grande), conta a história de Benjamin Barker, um barbeiro londrino que foi preso injustamente por um juiz que queria roubar sua esposa. Após 15 anos na prisão, ele volta como Sweeney Todd e ávido por vingança, decidido a matar seus clientes com sua afiada navalha até ter em sua cadeira seu cliente mais esperado: o juiz que destruiu sua vida. Em parceria com Mrs. Lovett, a dona da loja de tortas de carne que fica embaixo de sua barbearia, suas vítimas são encaminhadas para um destino um tanto peculiar e, aparentemente, ‘apetitoso’.

Com um final surpreendente e inesperado, o filme consegue prender a atenção (e deixar alguns seriamente nauseados) do começo ao fim. Porém, nem tudo é perfeito e foi possível encontrar algumas falhas que me incomodaram bastante na adaptação de Burton.

Primeiro, a seleção. Acho que não é segredo pra ninguém que a nossa querida Helena Bonham Carter (Harry Potter e a Ordem da Fênix) só foi escalada por ser esposa do diretor. Afinal, algumas feras como Meryl Streep (O Diabo Veste Prada), Emma Thompson (Simplesmente Amor) e Toni Collette (Pequena Miss Sunshine) também fizeram teste para o papel e, sem dúvida alguma, teriam feito uma Mrs. Lovett melhor. Nada pessoal contra Helena, tenho até que parabenisá-la, pois fazer um filme nojento como esse estando nos primeiros meses de gravidez não é pra qualquer uma, mas infelizmente ela deixou bastante a desejar. Quando ouvi a trilha sonora, fiquei impressionada. Apesar de deslizes, como em God, That’s Good!, ela cantou muito bem The Worst Pies in London, Poor Thing e, em especial, By the Sea. Mas seus esforços vocais não foram suficientes para salvar sua péssima atuação. Sem expressão alguma e sem saber interpretar as canções, Helena tira bastante o brilho do filme, principalmente para os que já viram o revival do musical que ficou em cartaz na Broadway em 2005 e esperavam uma Mrs. Lovett tão boa quanto a interpretada pela maravilhosa Patti LuPone.

Segundo, o próprio Tim Burton, por sua falta de criatividade (o início do filme foi reaproveitado d’A Fantástica Fábrica de Chocolates, só adicionaram sangue) e por suas decisões mal tomadas, como ignorar a história de Johanna (filha de Sweeney, agora com 16 anos, que está sob custódia do juiz que prendeu seu pai) e Anthony (jovem marinheiro que ajudou Sweeney a voltar para Londres após ser libertado da prisão na Austrália e que se apaixona por Johanna), tornando-os meros coadjuvantes que não acrescentam nada ao filme, e escalar uma criança para interpretar Toby (ajudante de Adolfo Pirelli que é ‘adotado’ por Mrs. Lovett e que, no musical, não é uma criança e sim um adulto com leve retardo mental). Pode parecer um detalhe bobo, mas no final do filme faz MUITA diferença.

Também não gostei da maneira como o final foi apresentado. Aliás, creio que foi isso que mais estragou o filme. Não há desfecho e, antes que você consiga assimilar todos os acontecimentos inesperados, a tela fica preta e os créditos começam a passar.

Onde o filme acertou? Sem dúvida alguma na escalação do protagonista, que não foi surpresa já que a parceria Burton – Depp é antiga, e essa foi a sorte do diretor, pois Johnny (Edward Mãos de Tesoura) é quem salva o filme, superando expectativas tanto na trilha sonora quanto em sua atuação. Comparado com Michael Cerveris, que interpretou Sweeney no revival em 2005, Johnny não é tão assustador, mas ele consegue convencer e é com certeza a atração principal do filme.

Para não falarem que estou sendo boazinha com o Johnny só porque ele é lindo, vou fazer meus elogios ao resto do elenco também. Devo começar por Alan Rickman (Judge Turpin) que está, como sempre, excelente. Não tanto como cantor, pois a voz dele é boa para fazer vilões e não para cantar, mas sua atuação é sempre impecável e convincente. Assim como a de Sacha Baron Cohen (Signor Adolfo Pirelli), que, com seu falso sotaque italiano, é o único do filme que consegue arrancar risadas do público (no musical, é possível dar boas risadas, principalmente com a Mrs. Lovett, afinal, é uma tragiCOMEDY). Timothy Spall (Beadle Bamford) se sai tão bem quanto em todos os seus outros papéis, já que ele sempre interpreta o mesmo tipo de pessoa: capacho do vilão principal.

Destaque também para os novos talentos apresentados: Jayne Wisener (Johanna) e Jamie Campbell Bower (Anthony) que cantam e atuam muito bem. Laura Michelle Kelly (Lucy), apesar de não aparecer tanto e não ter feito seu melhor trabalho musical, é uma ótima artista, já tendo participado de diversos musicais como A Bela e a Fera, Les Miserables e Mamma Mia.

Mesmo com todos os contras que citei, sendo imparcial, Sweeney Todd é um ótimo filme que vale a pena ser visto pelo menos uma vez para que as pessoas se familiarizem com este musical maravilhoso.

Para os adoradores de sangue, assistir a esse filme será uma experiência incrível, pois sangue é o que não falta. Para os que têm estômago fraco, levem uma sacolinha e se preparem para não comer carne por um bom tempo!

(Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, Musical, EUA, 2007)

Direção: Tim Burton

Música e letras: Stephen Sondheim

Roteiro: John Logan

Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Sacha Baron Cohen, Timothy Spall, Jamie Campbell Bower, Jayne Wisener, Laura Michelle Kelly.

Site oficial: http://www.sweeneytoddmovie.com/

Anúncios

1408

2 novembro, 2007

14081.jpg

Por Claudio Prandoni

O novo longa-metragem estrelado por John Cusack é baseado num conto de Stephen King, o que pode já rotulá-lo como sendo de terror. Porém, apesar de ser bem objetivo, o filme consegue ir além disso.

O protagonista é Michael Enslin, um amargurado escritor que ganha a vida escrevendo sobre supostas experiências que teve com assombrações, poltergeists e coisas do tipo. Eventualmente, a atenção dele acaba sendo chamada para o Hotel Dolphin, em Nova Iorque, mais especificamente para o quarto 1408.

Após insistir muito com o gerente do hotel, Gerald Olin (que aqui no caso estaria sendo vivido por Samuel L. Jackson), que tenta dissuadir o repórter expondo um minucioso relatório das estranhas e inexplicáveis mortes ocorridas no dormitório, Enslin parte nesta jornada (apenas de ida?).

A estadia do rapaz no quarto é, numa analogia mais ou menos próxima, como o passeio de Alice no País das Maravilhas. Coisas estranhas e inexplicáveis acontecem o tempo todo sem que Enslin, ou o público, entenda bem o que se passa. Boa parte da diversão vem dessa imprevisibilidade do filme. Difícil conter a ansiedade e imaginação enquanto se espera pela próxima investida do 1408.

O outro pedaço da brincadeira vem do próprio protagonista. A maneira como ele encara as maluquices que se apresentam é divertida por conta da excessiva ironia de Enslin. Eventualmente, as situações acabam utilizando os sentimentos, medos e desejos mais íntimos do escritor para aterrorizá-lo e tentar seduzi-lo ao suicídio.

Ainda que munido de certos clichês e poucas reviravoltas realmente imprevisíveis, 1408 prende até o final por conta das peripécias que o quarto apronta. Não assusta nem marca o cinema de terror com uma marca indelével, mas vale uma ida ao cinema. Com pipoca.

(1408, Terror, EUA, 2007)

Direção: Mikael Håfström
Roteiro: Scott Alexander, Matt Greenberg, Larry Karaszewski, Stephen King (conto original)
Produção: Lorenzo di Bonaventura
Elenco: Samuel L. Jackson, John Cusack, Mary McCormack, Jasmine Jessica, Anthony, Tony Shalhoub
Música: Gabriel Yared
Fotografia: Benoît Delhomme

Resident Evil 3: A Extinção

29 outubro, 2007

re3_cinereview.jpg

Por Claudio Prandoni

Como já era de se esperar, o filme não segue em praticamente nada a mitologia oficial da série e chega a ser engraçado de tão tosco e fantasioso. O que não quer dizer que seja um filme ruim. Eu acho…

A trama continua quase exatamente do ponto em que Resident Evil: Apocalypse. Ou seja, após a aniquilação total de Raccoon City e a nova fuga de Alice (novamente a angelical mocinha Milla Jovovich) da famigerada Umbrella Corporation.

Diferindo totalmente do jogo, aqui o T-Virus não foi contido e o mundo inteiro foi infectado. Sem muita explicação lógica, isso levou também os rios a secarem e, conseqüentemente, um aceleramento no processo de erosão natural do planeta, transformando-o num grande deserto. Assim, cria-se um cenário desolado que propicia uma dinâmica a um só tempo diferente e parecida com aquela vista nos jogos.

Por certo prisma, temos um ambiente enorme a ser explorado. Não mais uma mansão ou uma cidade, mas sim um país (no caso, os EUA). Encarando de outra maneira, o palco da ação é dominado também pela incerteza e tensão em relação aos perigos que vem pela frente – aspecto que permeia os games.

Spoilers à parte, o enredo segue um caminho bem previsível com uma ou outra leve surpresa algumas seqüências de ação bem sacadas e empolgantes – outras nem tanto…
Alice dispõe de uma série de artimanhas pouco exploradas até então que adquirem cores mais vivas e o relacionamento tão próximo dela com a Umbrella é explorado de maneira mais inteligente também.

Um ponto que acabará decepcionando – novamente – os fãs da série é a descaracterização de figuras conhecidas. Claire Redfield deixou de ser uma mocinha policial quase indefesa para virar uma frentista durona, com direito a boné e caminhão. Carlos Olivera é um pouco melhor e, tal qual em Apocalypse, é uma figura muito mais importante do que efetivamente é nos games.
Uma outra surpresa desempenha papel crucial na aventura também, tanto quanto nos jogos, mas prefiro não revelá-la – apesar de que muitos já devem saber de quem se trata.

No mais, referências muito, muito sutis pipocam vez ou outra, mas nada tão contundente como em Apocalypse, disparado o filme da trilogia que mais se aproxima dos jogos (principalmente por conta da aparição de Jill Valentine no modelito RE3: Nemesis). Os mais atentos perceberão principalmente a recriação de situações vistas em praticamente todos os capítulos de RE, até os mais obscuros. Os montros são todos conhecidas, mas eu pessoalmente senti falta dos malditos Hunters. Nada é mais amedrontador do que aquilo – a medalha de prata por muita pouca diferença vai pros Regenerators do RE4.

Os efeitos especiais estão bem melhores desta vez, principalmente no departamento de maquiagem. Fiquei particularmente impressionante com acabamento feito nos cachorros-zumbis. Contudo, é possível distinguir alguns truques de tela verde e computação gráfica que não encaixaram muito bem.

As cenas de ação alternam muito entre super legais e toscas e previsíveis. Como comentei, o diretor Russel Mulcahy até tira alguns truques da manga, mas de maneira geral há situações muito babóides.

Por que toda vez que alguém mata um zumbi tem que fechar os olhos e respirar aliviado? Vejamos, estamos num mundo dominado por essas criaturas nojentas, claro que eliminando apenas uma delas as outras vão ficar com medo e fugir, certo? Errado! Óbvio que outro estará fungando no seu pescoço doidinho para mordê-lo. Mas nenhum dos personagens do filme pensa nisso. Sério, conte quantas vezes este tipo de situação ocorre e fique indignado como eu.

Antes que eu me esqueça, a trilha sonora mantém o ritmo barra pesada das outras incursões cinematográficas. Porém, desta vez não conta com nomes famosos a exemplo de Slipknot, Rammstein e Marylin Manson, como rolou nas outras películas. Ponto positivo pra trilha remixada das salinhas de save do jogo, que serve de trilha para vários momentos de Extinction.

A despeito das críticas duríssima feitas aos outros filmes, o longa-metragem deixa uma ponta gigantescamente absurda no final, praticamente garantido uma quarta aventura. Confesso que não espero muitas melhorias no quesito “fidelidade à obra original”, mas o universo alternativo criado nas telonas é interessante e vale umas boas duas horas de porrada, explosões e monstros nojentos.

Resident Evil: Extinction é o típico filme-pipoca: muitas armas, efeitos especiais, ação, porrada, bichões feios e mocinhas bonitas sob o pretexto de fingir ser um filme de jogo.

(Resident Evil: Extinction, Ação, EUA, 2007)

Direção: Russell Mulcahy
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Oded Fehr, Milla Jovovich, Mike Epps, Iain Glen, Ashanti (II), Ali Larter, Spencer Locke, Gary Hudson.

* Texto já publicado pelo próprio autor em outro blog. Para ser mais exato, aqui.