Archive for the ‘Cinema’ Category

Iron Maiden: Voo 666

16 junho, 2009

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(Iron Maiden: Flight 666, 2009, EUA, 112 min.)

Por Gustavo Lucas

Em janeiro de 2008, os ingleses do Iron Maiden, uma das bandas de heavy metal mais famosas do mundo, deram início à turnê “Somewhere Back In Time”, a maior realizada por eles até hoje.

Nesta viagem, que é apenas a primeira parte desta turnê, foram 23 apresentações em 19 cidades ao redor do mundo durante 45 dias.

Os cineastas e fãs de carteirinha, Scott Macfayden e Sam Dunn acompanharam a banda e toda sua equipe a bordo de um personalizado Boeing 757, chamado “Air Force Eddie”, pilotado pelo próprio vocalista da banda, Bruce Dickinson.

Conhecidos por Documentários como “Heavy Metal: A Headbanger’s Journey” e “Global Metal”, os diretores tentam aproximar os fãs da banda, que apesar de ser uma das mais importantes do heavy metal, nunca ocupou um grande espaço nas rádios. 

Por meio de depoimentos dos membros da banda, produtores e alguns fãs, o espectador presencia todo o impacto que estes shows causam, independente do lugar onde estão, e também da raça e cor de seus seguidores.

Feito de fã para fã, passageiros de primeira viagem vão ter dificuldade de se situar devido a falta de legendas identificando as músicas e alguns entrevistados.

Já os metaleiros de plantão irão curtit cada minuto do filme que além das apresentações ao vivo, conta também com a participação de nomes famosos do gênero, como Lars Ulrich (baterista do Metallica), Kerry King (guitarrista do Slayer), Tom Morello (guitarrista do Rage Against The Machine e ex-Audioslave), e os integrantes do Sepultura em uma disputada partida de futebol em São Paulo.

Voltando para Casa

26 fevereiro, 2009

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(Julie Walking Home, 2002, Alemanha/Canadá/Polônia, 118 min.)

Por Gustavo Lucas

O filme “Voltando para Casa” (Julie Walking Home, 2002) é uma história sobre relacionamento e intolerância.

Carregado fortemente de apelos emocionais, principalmente nos momentos dramáticos da doença de Nick (Ryan Smith), filho da protagonista Julie (Miranda Otto), o filme é centrado nesta família e no trajeto que ela percorre até o reencontro da harmonia do lar.

Ao voltar de uma viagem com os filhos, Julie surpreende seu marido Henry (William Fichtner) tendo um caso. Na mesma hora, ela pega os filhos e se muda para a casa de seu pai, Mieczyslaw (Jerzy Nowak). Durante as discussões de separação entre Julie e Henry, seu filho Nick é diagnosticado com câncer, o que reaproxima o casal (mas não como era antes). Com a notícia de que o tratamento de Nick falha, Julie o leva para a Polônia a fim de ver um famoso curandeiro russo chamado Alexy (Lothaire Bluteau).

Neste momento, surge um conflito entre as famílias. Enquanto Henry é de família judaica e de formação cientifica (seu pai é médico e ele é biólogo), o pai de Julie é católico.

A diretora e roteirista polonesa Agnieszka Holland, de filmes como “O Jardim Secreto” (The Secret Garden, 1993) e, mais recentemente, “O Segredo de Beethoven” (Copying Beethoven, 2006), conduz a história com grande dramaticidade, desde o título: em inglês, Julie Walking Home tem o sentido de caminhar de volta para o lar, que sintetiza a sua jornada de retorno, desde o afastamento até a reaproximação, embora ela mal tenha saído fisicamente do mesmo. Ela assina o roteiro junto com os desconhecidos Roman Gren e Arlene Sarner.

O diretor de fotografia, Jacek Petrycki, que já havia trabalhado anteriormente com a diretora em “Filhos da Guerra” (Europa Europa, 1990), pega o clima nublado e frio do Canadá e, através de cores frias e tons azulados, cria um clima triste e amargurado onde o único refúgio é o próprio lar dos personagens, que possuem tons de cores quentes. Esta ultima característica também se deve à direção de arte de Ewa Skoczkowska e Marian Wihak, muito atuantes em produções para a televisão.

Os acontecimentos que marcam o filme acabam sendo catalisados pela interpretação dos atores, destacando a protagonista Miranda Otto, de “O Senhor dos Anéis: As Duas Torres” (The Lord of the Rings: The Two Towers, 2002) e “Guerra dos Mundos” (War of the Worlds, 2005), que nos apresenta uma Julie irriquieta por não se encaixar no ambiente em que está e pelos eventos ocorrentes que parecem fugir totalmente de seu controle; e Lothaire Bluteau (de séries de televisão como “24 Horas” e “Lei e Ordem”) no papel do curandeiro Alexy, que só pelos olhares já mostra ao espectador a pessoa ingênua e frágil que é. E com a montagem, de Christian Lonk, que soube aproveitar bem o uso de closes dos atores para realçar ainda mais as cargas emocionais de algumas cenas.

A música de Anton Gross (ou Antoni Lazarkiewicz) é elemento integrante da trama, tanto nas canções cantadas por Julie, como nas músicas instrumentais de fundo, ora intensificando o momento de uma cena, ora criando um distanciamento em outra. O uso da música durante a relação sexual de Julie e Alexy funde muito bem essas duas funções.

Ao tratar de temas polêmicos, como adultério, câncer e o próprio curandeirismo o filme fala, basicamente, da vida conjugal. Os altos e baixos enfrentados por Julie nesta jornada são verossímeis, talvez não tudo ao mesmo tempo, como no filme, mas não deixam de ser reais, o que pode agradar muitos espectadores, que irão se identificar com os acontecimentos pelos quais a protagonista passa e suas decisões.

Glória Feita de Sangue

26 fevereiro, 2009

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(Paths of Glory; Guerra, 87 min; 1957; EUA; Direção: Stanley Kubrick; Produção: James B. Harris; Roteiro: Stanley Kubrick, Jim Thompson e Calder Willingham, baseado em livro de Humphrey Cobb; Música: Gerald Fried; Fotografia: Georg Krause; Direção de Arte: Ludwig Reiber; Edição: Tom Finan; Elenco: Kirk Douglas, Ralph Meeker, Adolphe Menjou, George Macready, Wayne Morris, Richard Anderson, Joe Turkel, Peter Capell, Kem Dibbs, Timothy Carey, Susanne Christian)

Por Gustavo Lucas

Glória Feita de Sangue é uma adaptação do livro homônimo de Humphrey Cobb, escrito em 1935, e um dos primeiros filmes do diretor norte-americano Stanley Kubrick, que já demonstra suas habilidades técnicas e originalidade em conduzir a narrativa.

O filme conta a história de um general que, durante a Primeira Guerra Mundial, em busca de uma condecoração, ordena que seja realizado um ataque às frentes inimigas, condenado a falhar. Durante a batalha, o general ordena que atirem nos soldados que estiverem recuando, obrigando-os a continuar. Com o fracasso da operação, o alto comando acusa três soldados por covardia e os leva à corte marcial pedindo a execução dos mesmos.

A maneira pela qual Kubrick retrata a visão dos generais em relação aos seus subordinados mostra claramente uma postura anti-bélica do diretor. Vale destacar duas cenas em que este aspecto fica claro: a primeira, o general Mirneau, interpretado pelo ator George Macready, para justificar seu pedido de execução, diz que a única prova de que não houve covardia dos soldados seriam seus corpos mortos nas trincheiras; e na outra, na qual o general Broulard, vivido pelo veterano ator Adolphe Menjou, diz que soldados são como crianças e precisam de disciplina e o jeito é fuzilar alguém para atingir tal objetivo.

O ator Kirk Douglas (que assina a produção do filme através de sua produtora Bryna Productions) faz o coronel Dax que se contrapõe à decisão do general Mirneau, mas é incapaz de evitar a execução dos soldados.

O filme privilegia o enfoque realista do sistema bélico e evidencia decisões que revelam a crueza e a insensatez da guerra.

Com grande conhecimento em fotografia e iluminação, Kubrick faz o contraponto entre os oficiais do alto escalão e os soldados, presente no roteiro, visível já na composição dos quadros e os movimentos de câmera.

A composição dos quadros é simples e eficiente. Os generais circulam por ambientes amplos e bem iluminados, em que eles aparecem espalhados pelo cenário e não possuem uma sombra muito marcante. Os soldados nas trincheiras, por sua vez, vivem em lugares pequenos e escuros, como os tetos são baixos a luz geralmente corta o personagem deixando parte de seu corpo no escuro. Provavelmente foram filmados com lentes de 25mm que dão uma impressão bem mais grandiosa a lugares abertos, no caso dos pequenos parecem extremamente apertados.

Já os movimentos de câmera, dentro desta relação generais x soldados, são similares, porém diferem justamente pela composição da cena. Enquanto em ambientes abertos à panorâmica junto de um plano aberto mostram a imensidão destes lugares, nos fechados, em plano médio, aumenta ainda mais a sensação claustrofóbica, com os personagens sobrepondo-se uns aos outros. A cena que, sutilmente, mais separa os generais dos soldados está na visita do general Mireau às trincheiras. Este travelling (característica presente em todas as obras do diretor) acompanha Mireau interagindo com as suas tropas, e durante o trajeto ocorrem algumas explosões ao lado no campo de batalha, e a única pessoa presente que se abaixa para se proteger é o general.

Diferente de praticamente todos os filmes americanos desta época, “Glória Feita de Sangue” não apresenta final feliz. Ele se preocupa em mostrar como uma guerra pode criar rapidamente monstros e vítimas, que vão ficando pelo caminho. No final, quando uma jovem alemã (interpretada por Susanne Christian) é forçada a cantar para os soldados em um bar, é bem representada a fragilidade emocional que a guerra causa, quando todos param de caçoar da moça e começam a acompanhar a canção murmurando e com lágrimas nos olhos. E, do lado de fora, o coronel Dax é avisado de que seus homens foram novamente chamados para o fronte. A canção transforma-se em marcha militar. A guerra não acabara. Isto é algo que enriquece ainda mais a postura política da história.

Apesar de possuir uma filmografia relativamente pequena, Stanley Kubrick se destaca em cada um de seus projetos por buscar novas formas de se contar uma história, e é neste filme que suas marcantes características começam a ser claramente vistas.

Saawariya – Apaixonados

26 fevereiro, 2009

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(Saawariya; 2007; Índia; Musical; 137 min. Direção: Sanjay Leela Bhansali; Produção: Sanjay Leela Bhansali & SPE Films Índia Pvt. Ltd; Roteiro: Prakash Kapadia e Sanjay Leela Bhansali, baseado em Noites Brancas de Fiodor Dostoievsky; Fotografia: Ravi K. Chandran; Direção de Arte: Omung Kumar Bhandula, Vanita Omung Kumar; Edição: Sanjay Leela Bhansali; Elenco: Ranbir Kapoor, Sonam Kapoor, Salman Khan, Rani Mukherjee; Zohra Sehgal)

Por Gustavo Lucas

Bollywood cada vez mais perto do ocidente

Bollywood é o nome dado à indústria cinematográfica de Mumbai na Índia, que realiza produções faladas em hindi. Longas durações (os filmes contam até com intervalos), músicas cativantes, cenários grandiosos, coreografias que remetem a vários estilos, roteiros melodramáticos que misturam idiomas nos diálogos como inglês, urdu e alguns dialetos regionais (uma forma de atingir um público cada vez maior) são as principais características dos seus filmes.

O diretor e roteirista Sanjay Leela Bhansali, conhecido por filmes como Black (2005) e Devdas (2002), não fugiu de nenhuma destas características ao escrever Saawariya – Apaixonados. Baseado no conto Noites Brancas de Dostoiévsky, somos apresentados a Ranbir Raj (Ranbir Kapoor), um jovem sonhador e ingênuo músico recém-chegado na cidade que acaba por se apaixonar por uma misteriosa moça chamada Sakina (Sonam Kapoor), que espera o retorno de seu amado. Raj conta com o apoio da prostituta Gulabji (Rani Mukherjee) e de Lillian (Zohra Sehgal), a velha senhora que aluga o quarto onde vive.

Os grandes destaques da produção são: a fotografia e iluminação, que fazem um belo contraste de claro e escuro, assim como o uso das cores; a direção de arte e cenografia, toda realizada em estúdio. A qualidade e o detalhe dos cenários são surpreendentes.

Os principais problemas da produção, para quem está tendo um primeiro contato com os filmes desta indústria, são a duração e o grande número de apresentações musicais, pois a história pode ser facilmente contada nos habituais 90 minutos do cinema ocidental, sem ser interrompida de 10 em 10 minutos para um número musical.

Mesmo com algumas características que diferem do cinema ocidental, os filmes de Bollywood estão sendo cada vez mais aceitos no ocidente, o que acaba atraindo cada vez mais capital, inclusive estrangeiro. Saawariya, por exemplo, é o primeiro filme co-produzido por um grande estúdio de Hollywood, a Columbia Pictures. Já existem produções que contam com parte de sua filmagem realizada em outros países como Estados Unidos, Canadá e, até mesmo, o Brasil.

Inimigo Público

26 fevereiro, 2009

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(The Public Enemy; 1931; EUA; Policial; 84 min; Direção: William A. Wellman; Produção: Darryl F. Zanuck; Roteiro: Harvey F. Thew, baseado em estória de Kubec Glasmon e John Bright; Edição: Edward M. McDermott; Estúdio e distribuição: Warner Bros; Elenco: James Cagney, Jean Harlow, Edward Woods, Donald Cook, Beryl Mercer, Murray Kinnel) 

Por Gustavo Lucas

Junto com “Alma no Lodo” (outra produção da Warner Bros, lançada poucos meses antes), “Inimigo Público” foi pioneiro de um gênero que veio a obter muito sucesso durante a Depressão americana (anos 30), o dos filmes de gângster.

Dirigido por William A. Wellman (de “Wings”, Oscar de melhor filme em 1928), “Inimigo Público” mostra a vida do criminoso Tom Powers (James Cagney), desde seus primeiros delitos ainda na infância, o relacionamento com a família, até sua morte prematura. O título do filme não remete diretamente ao protagonista, mas sim ao que ele representa para a sociedade, ou seja, uma ameaça.

A história começa em 1909, com Tom e seu amigo Matt Doyle praticando seus primeiros furtos para um homem conhecido como Putty Nose (Murray Kinnel) e seu relacionamento distante com o pai, um policial. Depois em 1915, eles são abandonados por Putty em meio a um assalto mal sucedido, o que os leva a saírem da vida de crimes por uns tempos. Mas quando a Lei Seca entra em vigor em 1920 – proibição da venda de bebidas alcoólicas que se estenderia até 1933 – Tom e Matt (Edward Woods) começam a contrabandear cerveja e, a partir de então, vão ficando cada vez mais ricos e influentes. 

O filme retrata bem a figura do criminoso inescrupuloso que viu na Lei Seca uma oportunidade de fazer dinheiro através de atividades legais, tornando-se assim uma grande ameaça para as autoridades.

E James Cagney foi uma excelente escolha para viver Tom Powers, fazendo do personagem uma pessoa totalmente impulsiva e imprevisível, como na cena do café da manhã, na qual ele “espreme” uma laranja na cara de sua namorada. O físico do ator também proporciona uma certa dinamicidade devido à sua estatura baixa, compondo o tipo baixinho nervoso.

Apesar de pioneiros, estes filmes não trazem nada de inovador em relação à técnica ou à narrativa do cinema da época, ainda mais nesse período de crise econômica, já que experimentações custam dinheiro e não garantem retorno financeiro. O crédito fica mesmo pelo assunto abordado e a centralização da história na figura de um criminoso.

O gênero gângster veio como uma alternativa do chefe de produção da Warner Bros, Darryl F. Zanuck, para contornar os problemas da Depressão. Eram produções baratas (filmadas em estúdio, sem muitos movimentos de câmera, contando com apenas um ator de destaque, entre outras coisas) que mantinham o estúdio longe da falência e obtendo lucro. O mais interessante é ver como o roteiro respeita o Código Hays, que consta de uma lista de coisas que não deviam aparecer em um filme (como, por exemplo, mostrar cenas de crimes) para que grupos conservadores e religiosos não organizassem boicotes às produções.

O Orfanato

13 março, 2008

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(El Orfanato, Suspense, México/Espanha, 2007)

Direção: Juan Antonio Bayona; Roteiro: Sergio G. Sánchez; Produção: Álvaro Augustin, Joaquín Padro, Mar Targarona e Guillermo del Toro; Música: Fernando Velázquez; Fotografia: Óscar Faura; Direção de Arte: Iñigo Navarro; Edição: Elena Ruiz; Elenco: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep, Mabel Rivera, Montserrat Carulla, Andrés Gertrúdix, Edgar Vivar. 

Por Gustavo Lucas

O que me levou a assistir “O Orfanato” foi o nome do diretor mexicano Guillermo Del Toro nos créditos da produção. Pensei que seu envolvimento traria ao filme elementos que me agradaram muito em seu último trabalho, “O Labirinto do Fauno” (2006), tais como roteiro, direção de arte e fotografia. Infelizmente, isso não aconteceu. Porém, tive uma curiosa surpresa ao longo do filme, que valeu o ingresso.

“O Orfanato” conta a história de Laura, uma mulher que decide comprar um casarão que funcionava como orfanato, o mesmo em que ela viveu quando criança, e lá fundar uma espécie de orfanato-escola para crianças com algum tipo de deficiência. Junto dela, estão seu marido Carlos e o filho Simón. Nos primeiros dias da mudança, Simón começa a falar muito sobre seus novos “amigos imaginários”, nada que preocupe muito seus pais até a hora em que ele simplesmente desaparece sem deixar vestígios. A partir daí, Laura começa a acreditar que ele foi levado pelos mesmos “amigos imaginários” dos quais ele tanto falava, que agora acredita serem fantasmas.

Esta pode parecer uma história familiar para o espectador, talvez porque lembre filmes como “O Sexto Sentido” (1999) e “Os Outros” (2001), principalmente o último, pois possuem vários fatores em comum, como um casarão mal-assombrado, “crianças-fantasmas” e uma mãe como protagonista. Essas semelhanças com outras produções não podem ser consideradas como pontos fracos se o objetivo é  mostrar uma nova visão sobre o tema. Aqui, o diretor Juan Antonio Bayona não nos traz nada de diferente de outras produções, nada que destaque o filme no meio de tantos.

O único aspecto técnico que merece mais destaque é a trilha sonora composta por Fernando Velázquez, que usa de melodias que remetem a músicas infantis mas tocadas de forma lenta e em registro mais grave.

No elenco, vale destacar a ponta realizada por Geraldine Chaplin (filha de Charles Chaplin), como uma médium que faz uma espécie de reconhecimento no casarão, uma das melhores seqüências do filme. E não posso deixar de lado Edgar Vivar, a minha maior surpresa no filme. Para quem não sabe, Edgar é muito famoso aqui no Brasil devido a um outro personagem que fez na televisão. Ele é o Sr. Barriga da série de televisão Chaves, que está no ar há mais de 20 anos no SBT. Seu papel, no filme, não é de destaque mas me agradou muito ver o ator atualmente, em um papel sério, bem diferente da série.

No fim, “O Orfanato” é apenas um filme de suspense sobrenatural sem nenhuma novidade. Para fãs do estilo, deve agradar. Ou, pelo menos, você pode ver um trabalho recente do Sr. Barriga.

Rambo IV

28 fevereiro, 2008

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Por Claudio Prandoni

Não me canso de falar como a onda retrô permeia a sociedade contemporânea – hoje não será diferente. Após dar um belíssimo e digno final a Rocky Balboa no filme de mesmo nome, Sylvester Stallone parte para fazer o mesmo com seu outro personagem mais famoso: o über-soldado Rambo.

Vinte anos separam a nova incursão do terceiro episódio, mas a essência permanece. Durante sua pouco mais de uma hora e meia, o longa-metragem oferece ação furiosa, visceral, violenta e explosiva. Tudo em doses cavalares e desconcertantes. O trailer já era chocante; o filme é ainda mais.

Contudo, não espere por um thriller frenético que lhe deixa ofegante do início ao fim. Rambo IV flerta de maneira sutil com a introspecção existencial tão patente em Rocky Balboa. Não ficou tão bom ou interessante, mas vamos combinar: o lado emocional de Rambo é raso como um pires e atraente como folha de papel sulfilte branca. A tentativa é marcante, mas não convence nem um pouquinho.

No mais, o filme investe boa parte da duração – de fato, cerca de metade – em criar um ambiente crível para que Rambo retorne à ação mais uma vez. Por incrível que pareça, daí vem a mensagem solidária e humanitária do filme. O cenário é o conflito civil que impera na Birmânia, um país da Ásia, há mais de 60 anos. Milhares morrem e são torturados cruelmente por ano numa guerra calada, silenciosa e pouco noticiada que com os holofotes de Stallone pode receber algum tipo de atenção.

Curioso: o exército de um homem só que Rambo é pode parecer uma idéia bélica utópica, mas quem sabe não acabe fazendo diferença na guerra do mundo real. Fim do devaneio.

Apesar de soar meio fútil, a missão de resgate na qual Rambo se embrenha, na companhia de alguns mercenários, soa crível. Ao menos, um ensejo convincente para o banho de sangue que se segue. A produção não economizou. Vai parecer clichê, mas o longa-metragem definitivamente não é recomendado para estômagos fracos. A quantidade de sangue compete com Sweeney Todd, sendo que Rambo ainda tem o backup de explosões e ossos quebrados – sem contar algumas artimanhas à la McGyver.

Rambo IV é como um soco bem dado no nariz: passa rápido, mas dá um belo baque. Pode não ser uma lição de moral e exemplo de perseverança como Rocky Balboa tão bem é, mas figura como um filme de ação completo, com tudo o que manda a cartilha – e não muito mais.

(Rambo, Ação, EUA, 2008)

Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Sylvester Stallone, Art Monterastelli
Produção: Avi Lerner, Kevin King Templeton, John Thompson, Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Julie Benz, Matthew Marsden
Música: Brian Tyler

Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street

11 janeiro, 2008

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Por Cristiane Fernandes

Acho que ninguém gosta de se decepcionar, não é verdade? Pois é, eu também não!

Ontem me decepcionei com o meu filme mais esperado dos últimos tempos (tudo bem que quanto maior a expectativa, maior é a chance de você se decepcionar), mas vou me esforçar para ser imparcial nessa resenha…

Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, musical ‘tragicomedy’ de Stephen Sondheim e recentemente adaptado para as telonas por Tim Burton (A Noiva Cadáver, Peixe Grande), conta a história de Benjamin Barker, um barbeiro londrino que foi preso injustamente por um juiz que queria roubar sua esposa. Após 15 anos na prisão, ele volta como Sweeney Todd e ávido por vingança, decidido a matar seus clientes com sua afiada navalha até ter em sua cadeira seu cliente mais esperado: o juiz que destruiu sua vida. Em parceria com Mrs. Lovett, a dona da loja de tortas de carne que fica embaixo de sua barbearia, suas vítimas são encaminhadas para um destino um tanto peculiar e, aparentemente, ‘apetitoso’.

Com um final surpreendente e inesperado, o filme consegue prender a atenção (e deixar alguns seriamente nauseados) do começo ao fim. Porém, nem tudo é perfeito e foi possível encontrar algumas falhas que me incomodaram bastante na adaptação de Burton.

Primeiro, a seleção. Acho que não é segredo pra ninguém que a nossa querida Helena Bonham Carter (Harry Potter e a Ordem da Fênix) só foi escalada por ser esposa do diretor. Afinal, algumas feras como Meryl Streep (O Diabo Veste Prada), Emma Thompson (Simplesmente Amor) e Toni Collette (Pequena Miss Sunshine) também fizeram teste para o papel e, sem dúvida alguma, teriam feito uma Mrs. Lovett melhor. Nada pessoal contra Helena, tenho até que parabenisá-la, pois fazer um filme nojento como esse estando nos primeiros meses de gravidez não é pra qualquer uma, mas infelizmente ela deixou bastante a desejar. Quando ouvi a trilha sonora, fiquei impressionada. Apesar de deslizes, como em God, That’s Good!, ela cantou muito bem The Worst Pies in London, Poor Thing e, em especial, By the Sea. Mas seus esforços vocais não foram suficientes para salvar sua péssima atuação. Sem expressão alguma e sem saber interpretar as canções, Helena tira bastante o brilho do filme, principalmente para os que já viram o revival do musical que ficou em cartaz na Broadway em 2005 e esperavam uma Mrs. Lovett tão boa quanto a interpretada pela maravilhosa Patti LuPone.

Segundo, o próprio Tim Burton, por sua falta de criatividade (o início do filme foi reaproveitado d’A Fantástica Fábrica de Chocolates, só adicionaram sangue) e por suas decisões mal tomadas, como ignorar a história de Johanna (filha de Sweeney, agora com 16 anos, que está sob custódia do juiz que prendeu seu pai) e Anthony (jovem marinheiro que ajudou Sweeney a voltar para Londres após ser libertado da prisão na Austrália e que se apaixona por Johanna), tornando-os meros coadjuvantes que não acrescentam nada ao filme, e escalar uma criança para interpretar Toby (ajudante de Adolfo Pirelli que é ‘adotado’ por Mrs. Lovett e que, no musical, não é uma criança e sim um adulto com leve retardo mental). Pode parecer um detalhe bobo, mas no final do filme faz MUITA diferença.

Também não gostei da maneira como o final foi apresentado. Aliás, creio que foi isso que mais estragou o filme. Não há desfecho e, antes que você consiga assimilar todos os acontecimentos inesperados, a tela fica preta e os créditos começam a passar.

Onde o filme acertou? Sem dúvida alguma na escalação do protagonista, que não foi surpresa já que a parceria Burton – Depp é antiga, e essa foi a sorte do diretor, pois Johnny (Edward Mãos de Tesoura) é quem salva o filme, superando expectativas tanto na trilha sonora quanto em sua atuação. Comparado com Michael Cerveris, que interpretou Sweeney no revival em 2005, Johnny não é tão assustador, mas ele consegue convencer e é com certeza a atração principal do filme.

Para não falarem que estou sendo boazinha com o Johnny só porque ele é lindo, vou fazer meus elogios ao resto do elenco também. Devo começar por Alan Rickman (Judge Turpin) que está, como sempre, excelente. Não tanto como cantor, pois a voz dele é boa para fazer vilões e não para cantar, mas sua atuação é sempre impecável e convincente. Assim como a de Sacha Baron Cohen (Signor Adolfo Pirelli), que, com seu falso sotaque italiano, é o único do filme que consegue arrancar risadas do público (no musical, é possível dar boas risadas, principalmente com a Mrs. Lovett, afinal, é uma tragiCOMEDY). Timothy Spall (Beadle Bamford) se sai tão bem quanto em todos os seus outros papéis, já que ele sempre interpreta o mesmo tipo de pessoa: capacho do vilão principal.

Destaque também para os novos talentos apresentados: Jayne Wisener (Johanna) e Jamie Campbell Bower (Anthony) que cantam e atuam muito bem. Laura Michelle Kelly (Lucy), apesar de não aparecer tanto e não ter feito seu melhor trabalho musical, é uma ótima artista, já tendo participado de diversos musicais como A Bela e a Fera, Les Miserables e Mamma Mia.

Mesmo com todos os contras que citei, sendo imparcial, Sweeney Todd é um ótimo filme que vale a pena ser visto pelo menos uma vez para que as pessoas se familiarizem com este musical maravilhoso.

Para os adoradores de sangue, assistir a esse filme será uma experiência incrível, pois sangue é o que não falta. Para os que têm estômago fraco, levem uma sacolinha e se preparem para não comer carne por um bom tempo!

(Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, Musical, EUA, 2007)

Direção: Tim Burton

Música e letras: Stephen Sondheim

Roteiro: John Logan

Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Sacha Baron Cohen, Timothy Spall, Jamie Campbell Bower, Jayne Wisener, Laura Michelle Kelly.

Site oficial: http://www.sweeneytoddmovie.com/

O Ultimato Bourne

9 dezembro, 2007

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(The Bourne Ultimatum, Ação, EUA, 2007)

Direção: Paul Greengrass; Roteiro: Tony Gilroy, Scott Z. Burns e George Nolfi, baseado em estória de Tony Gilroy e em livro de Robert Ludlum; Produção: Patrick Crowley, Frank Marshall e Paul Sandberg; Música: John Powell; Fotografia: Oliver Wood; Edição: Christopher Rouse; Elenco: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Scott Glenn, Paddy Considine, Edgar Ramirez, Joan Allen, Daniel Brühl, Albert Finney.

Por Gustavo Lucas

Chega neste mês às locadoras “O Ultimato Bourne”, o filme é a parte final da trilogia baseada nos livros de Robert Ludlum, sobre o agente Jason Bourne e sua busca pelo passado. Dessa vez, a história começa antes do final do segundo filme “A Supremacia Bourne” (2004), mostrando assim os motivos que levaram Bourne a voltar para os Estados Unidos, e a partir daí descobrir a origem de seu envolvimento como assassino do governo.

A direção, assim como no antecessor, é de Paul Greengrass, que leva o filme em um ritmo de conclusão, sabendo selecionar bem os pontos da trama para revelar os acontecimentos importantes. As seqüências de ação estão muito bem realizadas e deixam o espectador realmente empolgado. Vale destacar a seqüência da estação de trem Waterloo, e a luta de Bourne com um assassino que recebeu o mesmo treinamento que ele (trecho em que não há trilha musical, apenas efeitos sonoros, deixando a cena muito mais tensa e pesada).

A escolha de Matt Damon como Jason Bourne foi fundamental desde o começo da trilogia, pois ele consegue cativar o público com seu lado desmemoriado e inocente, e de repente, se mostrar frio, calculista e agressivo sem que o espectador condene o personagem por isso. Como vilão deste filme, temos David Strathairn, como um dos cabeças por trás do treinamento de Bourne, que apesar de ser um ator de destaque, não convence tanto como Brian Cox ou Chris Cooper nos anteriores.

A trilha musical de John Powell marca bem os acontecimentos do filme, elevando a eficácia dela sobre o espectador.

Para fãs de filmes de ação e espionagem, “O Ultimato Bourne” é uma excelente opção, então corra na locadora mais próxima e garanta o seu!

Jesus Cristo Superstar

25 novembro, 2007

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Por Cristiane Fernandes 

Decidi quebrar esta seqüência de filmes recentes apresentados neste blog falando sobre um clássico: o musical Jesus Cristo Superstar.

Como uma boa amante de musicais, sinto-me no direito de dizer que este é sem dúvidas um dos melhores que existem e, talvez, o melhor trabalho da dupla Andrew Lloyd Webber e Tim Rice.

Com melodias marcantes, letras inteligentes e uma abordagem inédita e única de uma famosa história, essa ópera rock mostra os três últimos dias de vida de Jesus Cristo pelo ponto de vista de Judas Iscariotes, o apóstolo que o traiu.

Devo ressaltar que transformar um musical em filme é algo delicado. Apesar de muitos sucessos, nem sempre dá certo. Ou, mesmo que dê certo, pode não ser a mesma coisa, já que um musical é montado para ser apresentado em um palco, com muito menos recursos e possibilidades do que um filme, mas a adaptação para a telona pode acabar descaracterizando a história.

Por exemplo, o maravilhoso Fantasma da Ópera. Sou fã do filme, adorei o que foi acrescentado ao final, mas não há comparação entre esta versão e o musical visto ao vivo (em inglês, é claro, porque “o fantaaaaasma da ópera estáááá…” é muito ruim!).

Já o também maravilhoso Chicago ficou, na minha humilde opinião, muito melhor em filme do que o musical que é extremamente lento. Os intérpretes não aproveitam o palco, os figurinos não têm cores fortes, por exemplo. Não vou tirar todo o crédito deles, porque ver algumas de suas músicas favoritas serem interpretadas ao vivo é impagável (chorei tanto durante Mister Cellophane que a senhora sentada ao meu lado me perguntou se eu estava bem). Porém, quem assistiu ao filme primeiro e vai ao teatro esperando ver toda aquela energia, cores e danças vai se decepcionar.

Jesus Cristo Superstar é tão perfeito que ficou ótimo em todas as versões possíveis e imagináveis. O musical, o filme, a versão em português, os revivals… Todos perfeitos!

Se todos são tão perfeitos, você deve estar se perguntando o que o filme tem de tão especial. Além de alguns detalhes que o enriquecem, como ter sido gravado em Israel, é, sem dúvida, o elenco que torna essa versão tão diferente das outras.

Começando pelo protagonista, o imbatível Ted Neeley. Considerado o melhor intérprete de todos os tempos (e com razão), é ele que garante o sucesso do filme. Hoje, com 64 anos, ele está novamente interpretando Jesus na sua turnê de despedida pelos EUA e Canadá. Nitidamente mais velho, mas com a mesma voz de mais de 30 anos atrás, Ted Neeley tem emocionado muitos fãs que sonhavam em vê-lo ao vivo.

Com exceção da Maria Madalena (Yvonne Elliman) que será minha eterna decepção, todo o elenco impressiona e dá um verdadeiro show com suas vozes fortes e suas atuações convincentes. Judas Iscariotes (Carl Anderson), Pilatos (Barry Dennen) e Herodes (Josh Mostel) merecem destaque.

Para os fãs de filmes mais recentes e adoradores de efeitos especiais, mantenham em mente que este filme conta uma história que aconteceu há 2000 anos e foi feito em 1973, o que, aliás, também serve de justificativa para os figurinos hippies, acessórios e cortes de cabelo.

Enfim, Jesus Cristo Superstar não deve agradar a todos, mas é sem dúvida um filme que deve ser acrescentado à lista de clássicos que devem ser vistos pelo menos uma vez antes de morrer.

(Jesus Christ Superstar, Musical, EUA, 1973)

Diretor: Norman Jewison

Roteiro: Tim Rice e Norman Jewison

Música: Andrew Lloyd Webber

Letras: Tim Rice

Elenco: Ted Neeley, Carl Anderson, Yvonne Elliman, Barry Dennen, Bob Bingham, Josh Mostel.