Archive for the ‘DVD’ Category

Voltando para Casa

26 fevereiro, 2009

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(Julie Walking Home, 2002, Alemanha/Canadá/Polônia, 118 min.)

Por Gustavo Lucas

O filme “Voltando para Casa” (Julie Walking Home, 2002) é uma história sobre relacionamento e intolerância.

Carregado fortemente de apelos emocionais, principalmente nos momentos dramáticos da doença de Nick (Ryan Smith), filho da protagonista Julie (Miranda Otto), o filme é centrado nesta família e no trajeto que ela percorre até o reencontro da harmonia do lar.

Ao voltar de uma viagem com os filhos, Julie surpreende seu marido Henry (William Fichtner) tendo um caso. Na mesma hora, ela pega os filhos e se muda para a casa de seu pai, Mieczyslaw (Jerzy Nowak). Durante as discussões de separação entre Julie e Henry, seu filho Nick é diagnosticado com câncer, o que reaproxima o casal (mas não como era antes). Com a notícia de que o tratamento de Nick falha, Julie o leva para a Polônia a fim de ver um famoso curandeiro russo chamado Alexy (Lothaire Bluteau).

Neste momento, surge um conflito entre as famílias. Enquanto Henry é de família judaica e de formação cientifica (seu pai é médico e ele é biólogo), o pai de Julie é católico.

A diretora e roteirista polonesa Agnieszka Holland, de filmes como “O Jardim Secreto” (The Secret Garden, 1993) e, mais recentemente, “O Segredo de Beethoven” (Copying Beethoven, 2006), conduz a história com grande dramaticidade, desde o título: em inglês, Julie Walking Home tem o sentido de caminhar de volta para o lar, que sintetiza a sua jornada de retorno, desde o afastamento até a reaproximação, embora ela mal tenha saído fisicamente do mesmo. Ela assina o roteiro junto com os desconhecidos Roman Gren e Arlene Sarner.

O diretor de fotografia, Jacek Petrycki, que já havia trabalhado anteriormente com a diretora em “Filhos da Guerra” (Europa Europa, 1990), pega o clima nublado e frio do Canadá e, através de cores frias e tons azulados, cria um clima triste e amargurado onde o único refúgio é o próprio lar dos personagens, que possuem tons de cores quentes. Esta ultima característica também se deve à direção de arte de Ewa Skoczkowska e Marian Wihak, muito atuantes em produções para a televisão.

Os acontecimentos que marcam o filme acabam sendo catalisados pela interpretação dos atores, destacando a protagonista Miranda Otto, de “O Senhor dos Anéis: As Duas Torres” (The Lord of the Rings: The Two Towers, 2002) e “Guerra dos Mundos” (War of the Worlds, 2005), que nos apresenta uma Julie irriquieta por não se encaixar no ambiente em que está e pelos eventos ocorrentes que parecem fugir totalmente de seu controle; e Lothaire Bluteau (de séries de televisão como “24 Horas” e “Lei e Ordem”) no papel do curandeiro Alexy, que só pelos olhares já mostra ao espectador a pessoa ingênua e frágil que é. E com a montagem, de Christian Lonk, que soube aproveitar bem o uso de closes dos atores para realçar ainda mais as cargas emocionais de algumas cenas.

A música de Anton Gross (ou Antoni Lazarkiewicz) é elemento integrante da trama, tanto nas canções cantadas por Julie, como nas músicas instrumentais de fundo, ora intensificando o momento de uma cena, ora criando um distanciamento em outra. O uso da música durante a relação sexual de Julie e Alexy funde muito bem essas duas funções.

Ao tratar de temas polêmicos, como adultério, câncer e o próprio curandeirismo o filme fala, basicamente, da vida conjugal. Os altos e baixos enfrentados por Julie nesta jornada são verossímeis, talvez não tudo ao mesmo tempo, como no filme, mas não deixam de ser reais, o que pode agradar muitos espectadores, que irão se identificar com os acontecimentos pelos quais a protagonista passa e suas decisões.

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Glória Feita de Sangue

26 fevereiro, 2009

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(Paths of Glory; Guerra, 87 min; 1957; EUA; Direção: Stanley Kubrick; Produção: James B. Harris; Roteiro: Stanley Kubrick, Jim Thompson e Calder Willingham, baseado em livro de Humphrey Cobb; Música: Gerald Fried; Fotografia: Georg Krause; Direção de Arte: Ludwig Reiber; Edição: Tom Finan; Elenco: Kirk Douglas, Ralph Meeker, Adolphe Menjou, George Macready, Wayne Morris, Richard Anderson, Joe Turkel, Peter Capell, Kem Dibbs, Timothy Carey, Susanne Christian)

Por Gustavo Lucas

Glória Feita de Sangue é uma adaptação do livro homônimo de Humphrey Cobb, escrito em 1935, e um dos primeiros filmes do diretor norte-americano Stanley Kubrick, que já demonstra suas habilidades técnicas e originalidade em conduzir a narrativa.

O filme conta a história de um general que, durante a Primeira Guerra Mundial, em busca de uma condecoração, ordena que seja realizado um ataque às frentes inimigas, condenado a falhar. Durante a batalha, o general ordena que atirem nos soldados que estiverem recuando, obrigando-os a continuar. Com o fracasso da operação, o alto comando acusa três soldados por covardia e os leva à corte marcial pedindo a execução dos mesmos.

A maneira pela qual Kubrick retrata a visão dos generais em relação aos seus subordinados mostra claramente uma postura anti-bélica do diretor. Vale destacar duas cenas em que este aspecto fica claro: a primeira, o general Mirneau, interpretado pelo ator George Macready, para justificar seu pedido de execução, diz que a única prova de que não houve covardia dos soldados seriam seus corpos mortos nas trincheiras; e na outra, na qual o general Broulard, vivido pelo veterano ator Adolphe Menjou, diz que soldados são como crianças e precisam de disciplina e o jeito é fuzilar alguém para atingir tal objetivo.

O ator Kirk Douglas (que assina a produção do filme através de sua produtora Bryna Productions) faz o coronel Dax que se contrapõe à decisão do general Mirneau, mas é incapaz de evitar a execução dos soldados.

O filme privilegia o enfoque realista do sistema bélico e evidencia decisões que revelam a crueza e a insensatez da guerra.

Com grande conhecimento em fotografia e iluminação, Kubrick faz o contraponto entre os oficiais do alto escalão e os soldados, presente no roteiro, visível já na composição dos quadros e os movimentos de câmera.

A composição dos quadros é simples e eficiente. Os generais circulam por ambientes amplos e bem iluminados, em que eles aparecem espalhados pelo cenário e não possuem uma sombra muito marcante. Os soldados nas trincheiras, por sua vez, vivem em lugares pequenos e escuros, como os tetos são baixos a luz geralmente corta o personagem deixando parte de seu corpo no escuro. Provavelmente foram filmados com lentes de 25mm que dão uma impressão bem mais grandiosa a lugares abertos, no caso dos pequenos parecem extremamente apertados.

Já os movimentos de câmera, dentro desta relação generais x soldados, são similares, porém diferem justamente pela composição da cena. Enquanto em ambientes abertos à panorâmica junto de um plano aberto mostram a imensidão destes lugares, nos fechados, em plano médio, aumenta ainda mais a sensação claustrofóbica, com os personagens sobrepondo-se uns aos outros. A cena que, sutilmente, mais separa os generais dos soldados está na visita do general Mireau às trincheiras. Este travelling (característica presente em todas as obras do diretor) acompanha Mireau interagindo com as suas tropas, e durante o trajeto ocorrem algumas explosões ao lado no campo de batalha, e a única pessoa presente que se abaixa para se proteger é o general.

Diferente de praticamente todos os filmes americanos desta época, “Glória Feita de Sangue” não apresenta final feliz. Ele se preocupa em mostrar como uma guerra pode criar rapidamente monstros e vítimas, que vão ficando pelo caminho. No final, quando uma jovem alemã (interpretada por Susanne Christian) é forçada a cantar para os soldados em um bar, é bem representada a fragilidade emocional que a guerra causa, quando todos param de caçoar da moça e começam a acompanhar a canção murmurando e com lágrimas nos olhos. E, do lado de fora, o coronel Dax é avisado de que seus homens foram novamente chamados para o fronte. A canção transforma-se em marcha militar. A guerra não acabara. Isto é algo que enriquece ainda mais a postura política da história.

Apesar de possuir uma filmografia relativamente pequena, Stanley Kubrick se destaca em cada um de seus projetos por buscar novas formas de se contar uma história, e é neste filme que suas marcantes características começam a ser claramente vistas.

Saawariya – Apaixonados

26 fevereiro, 2009

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(Saawariya; 2007; Índia; Musical; 137 min. Direção: Sanjay Leela Bhansali; Produção: Sanjay Leela Bhansali & SPE Films Índia Pvt. Ltd; Roteiro: Prakash Kapadia e Sanjay Leela Bhansali, baseado em Noites Brancas de Fiodor Dostoievsky; Fotografia: Ravi K. Chandran; Direção de Arte: Omung Kumar Bhandula, Vanita Omung Kumar; Edição: Sanjay Leela Bhansali; Elenco: Ranbir Kapoor, Sonam Kapoor, Salman Khan, Rani Mukherjee; Zohra Sehgal)

Por Gustavo Lucas

Bollywood cada vez mais perto do ocidente

Bollywood é o nome dado à indústria cinematográfica de Mumbai na Índia, que realiza produções faladas em hindi. Longas durações (os filmes contam até com intervalos), músicas cativantes, cenários grandiosos, coreografias que remetem a vários estilos, roteiros melodramáticos que misturam idiomas nos diálogos como inglês, urdu e alguns dialetos regionais (uma forma de atingir um público cada vez maior) são as principais características dos seus filmes.

O diretor e roteirista Sanjay Leela Bhansali, conhecido por filmes como Black (2005) e Devdas (2002), não fugiu de nenhuma destas características ao escrever Saawariya – Apaixonados. Baseado no conto Noites Brancas de Dostoiévsky, somos apresentados a Ranbir Raj (Ranbir Kapoor), um jovem sonhador e ingênuo músico recém-chegado na cidade que acaba por se apaixonar por uma misteriosa moça chamada Sakina (Sonam Kapoor), que espera o retorno de seu amado. Raj conta com o apoio da prostituta Gulabji (Rani Mukherjee) e de Lillian (Zohra Sehgal), a velha senhora que aluga o quarto onde vive.

Os grandes destaques da produção são: a fotografia e iluminação, que fazem um belo contraste de claro e escuro, assim como o uso das cores; a direção de arte e cenografia, toda realizada em estúdio. A qualidade e o detalhe dos cenários são surpreendentes.

Os principais problemas da produção, para quem está tendo um primeiro contato com os filmes desta indústria, são a duração e o grande número de apresentações musicais, pois a história pode ser facilmente contada nos habituais 90 minutos do cinema ocidental, sem ser interrompida de 10 em 10 minutos para um número musical.

Mesmo com algumas características que diferem do cinema ocidental, os filmes de Bollywood estão sendo cada vez mais aceitos no ocidente, o que acaba atraindo cada vez mais capital, inclusive estrangeiro. Saawariya, por exemplo, é o primeiro filme co-produzido por um grande estúdio de Hollywood, a Columbia Pictures. Já existem produções que contam com parte de sua filmagem realizada em outros países como Estados Unidos, Canadá e, até mesmo, o Brasil.

Inimigo Público

26 fevereiro, 2009

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(The Public Enemy; 1931; EUA; Policial; 84 min; Direção: William A. Wellman; Produção: Darryl F. Zanuck; Roteiro: Harvey F. Thew, baseado em estória de Kubec Glasmon e John Bright; Edição: Edward M. McDermott; Estúdio e distribuição: Warner Bros; Elenco: James Cagney, Jean Harlow, Edward Woods, Donald Cook, Beryl Mercer, Murray Kinnel) 

Por Gustavo Lucas

Junto com “Alma no Lodo” (outra produção da Warner Bros, lançada poucos meses antes), “Inimigo Público” foi pioneiro de um gênero que veio a obter muito sucesso durante a Depressão americana (anos 30), o dos filmes de gângster.

Dirigido por William A. Wellman (de “Wings”, Oscar de melhor filme em 1928), “Inimigo Público” mostra a vida do criminoso Tom Powers (James Cagney), desde seus primeiros delitos ainda na infância, o relacionamento com a família, até sua morte prematura. O título do filme não remete diretamente ao protagonista, mas sim ao que ele representa para a sociedade, ou seja, uma ameaça.

A história começa em 1909, com Tom e seu amigo Matt Doyle praticando seus primeiros furtos para um homem conhecido como Putty Nose (Murray Kinnel) e seu relacionamento distante com o pai, um policial. Depois em 1915, eles são abandonados por Putty em meio a um assalto mal sucedido, o que os leva a saírem da vida de crimes por uns tempos. Mas quando a Lei Seca entra em vigor em 1920 – proibição da venda de bebidas alcoólicas que se estenderia até 1933 – Tom e Matt (Edward Woods) começam a contrabandear cerveja e, a partir de então, vão ficando cada vez mais ricos e influentes. 

O filme retrata bem a figura do criminoso inescrupuloso que viu na Lei Seca uma oportunidade de fazer dinheiro através de atividades legais, tornando-se assim uma grande ameaça para as autoridades.

E James Cagney foi uma excelente escolha para viver Tom Powers, fazendo do personagem uma pessoa totalmente impulsiva e imprevisível, como na cena do café da manhã, na qual ele “espreme” uma laranja na cara de sua namorada. O físico do ator também proporciona uma certa dinamicidade devido à sua estatura baixa, compondo o tipo baixinho nervoso.

Apesar de pioneiros, estes filmes não trazem nada de inovador em relação à técnica ou à narrativa do cinema da época, ainda mais nesse período de crise econômica, já que experimentações custam dinheiro e não garantem retorno financeiro. O crédito fica mesmo pelo assunto abordado e a centralização da história na figura de um criminoso.

O gênero gângster veio como uma alternativa do chefe de produção da Warner Bros, Darryl F. Zanuck, para contornar os problemas da Depressão. Eram produções baratas (filmadas em estúdio, sem muitos movimentos de câmera, contando com apenas um ator de destaque, entre outras coisas) que mantinham o estúdio longe da falência e obtendo lucro. O mais interessante é ver como o roteiro respeita o Código Hays, que consta de uma lista de coisas que não deviam aparecer em um filme (como, por exemplo, mostrar cenas de crimes) para que grupos conservadores e religiosos não organizassem boicotes às produções.

O Ultimato Bourne

9 dezembro, 2007

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(The Bourne Ultimatum, Ação, EUA, 2007)

Direção: Paul Greengrass; Roteiro: Tony Gilroy, Scott Z. Burns e George Nolfi, baseado em estória de Tony Gilroy e em livro de Robert Ludlum; Produção: Patrick Crowley, Frank Marshall e Paul Sandberg; Música: John Powell; Fotografia: Oliver Wood; Edição: Christopher Rouse; Elenco: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Scott Glenn, Paddy Considine, Edgar Ramirez, Joan Allen, Daniel Brühl, Albert Finney.

Por Gustavo Lucas

Chega neste mês às locadoras “O Ultimato Bourne”, o filme é a parte final da trilogia baseada nos livros de Robert Ludlum, sobre o agente Jason Bourne e sua busca pelo passado. Dessa vez, a história começa antes do final do segundo filme “A Supremacia Bourne” (2004), mostrando assim os motivos que levaram Bourne a voltar para os Estados Unidos, e a partir daí descobrir a origem de seu envolvimento como assassino do governo.

A direção, assim como no antecessor, é de Paul Greengrass, que leva o filme em um ritmo de conclusão, sabendo selecionar bem os pontos da trama para revelar os acontecimentos importantes. As seqüências de ação estão muito bem realizadas e deixam o espectador realmente empolgado. Vale destacar a seqüência da estação de trem Waterloo, e a luta de Bourne com um assassino que recebeu o mesmo treinamento que ele (trecho em que não há trilha musical, apenas efeitos sonoros, deixando a cena muito mais tensa e pesada).

A escolha de Matt Damon como Jason Bourne foi fundamental desde o começo da trilogia, pois ele consegue cativar o público com seu lado desmemoriado e inocente, e de repente, se mostrar frio, calculista e agressivo sem que o espectador condene o personagem por isso. Como vilão deste filme, temos David Strathairn, como um dos cabeças por trás do treinamento de Bourne, que apesar de ser um ator de destaque, não convence tanto como Brian Cox ou Chris Cooper nos anteriores.

A trilha musical de John Powell marca bem os acontecimentos do filme, elevando a eficácia dela sobre o espectador.

Para fãs de filmes de ação e espionagem, “O Ultimato Bourne” é uma excelente opção, então corra na locadora mais próxima e garanta o seu!

Jesus Cristo Superstar

25 novembro, 2007

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Por Cristiane Fernandes 

Decidi quebrar esta seqüência de filmes recentes apresentados neste blog falando sobre um clássico: o musical Jesus Cristo Superstar.

Como uma boa amante de musicais, sinto-me no direito de dizer que este é sem dúvidas um dos melhores que existem e, talvez, o melhor trabalho da dupla Andrew Lloyd Webber e Tim Rice.

Com melodias marcantes, letras inteligentes e uma abordagem inédita e única de uma famosa história, essa ópera rock mostra os três últimos dias de vida de Jesus Cristo pelo ponto de vista de Judas Iscariotes, o apóstolo que o traiu.

Devo ressaltar que transformar um musical em filme é algo delicado. Apesar de muitos sucessos, nem sempre dá certo. Ou, mesmo que dê certo, pode não ser a mesma coisa, já que um musical é montado para ser apresentado em um palco, com muito menos recursos e possibilidades do que um filme, mas a adaptação para a telona pode acabar descaracterizando a história.

Por exemplo, o maravilhoso Fantasma da Ópera. Sou fã do filme, adorei o que foi acrescentado ao final, mas não há comparação entre esta versão e o musical visto ao vivo (em inglês, é claro, porque “o fantaaaaasma da ópera estáááá…” é muito ruim!).

Já o também maravilhoso Chicago ficou, na minha humilde opinião, muito melhor em filme do que o musical que é extremamente lento. Os intérpretes não aproveitam o palco, os figurinos não têm cores fortes, por exemplo. Não vou tirar todo o crédito deles, porque ver algumas de suas músicas favoritas serem interpretadas ao vivo é impagável (chorei tanto durante Mister Cellophane que a senhora sentada ao meu lado me perguntou se eu estava bem). Porém, quem assistiu ao filme primeiro e vai ao teatro esperando ver toda aquela energia, cores e danças vai se decepcionar.

Jesus Cristo Superstar é tão perfeito que ficou ótimo em todas as versões possíveis e imagináveis. O musical, o filme, a versão em português, os revivals… Todos perfeitos!

Se todos são tão perfeitos, você deve estar se perguntando o que o filme tem de tão especial. Além de alguns detalhes que o enriquecem, como ter sido gravado em Israel, é, sem dúvida, o elenco que torna essa versão tão diferente das outras.

Começando pelo protagonista, o imbatível Ted Neeley. Considerado o melhor intérprete de todos os tempos (e com razão), é ele que garante o sucesso do filme. Hoje, com 64 anos, ele está novamente interpretando Jesus na sua turnê de despedida pelos EUA e Canadá. Nitidamente mais velho, mas com a mesma voz de mais de 30 anos atrás, Ted Neeley tem emocionado muitos fãs que sonhavam em vê-lo ao vivo.

Com exceção da Maria Madalena (Yvonne Elliman) que será minha eterna decepção, todo o elenco impressiona e dá um verdadeiro show com suas vozes fortes e suas atuações convincentes. Judas Iscariotes (Carl Anderson), Pilatos (Barry Dennen) e Herodes (Josh Mostel) merecem destaque.

Para os fãs de filmes mais recentes e adoradores de efeitos especiais, mantenham em mente que este filme conta uma história que aconteceu há 2000 anos e foi feito em 1973, o que, aliás, também serve de justificativa para os figurinos hippies, acessórios e cortes de cabelo.

Enfim, Jesus Cristo Superstar não deve agradar a todos, mas é sem dúvida um filme que deve ser acrescentado à lista de clássicos que devem ser vistos pelo menos uma vez antes de morrer.

(Jesus Christ Superstar, Musical, EUA, 1973)

Diretor: Norman Jewison

Roteiro: Tim Rice e Norman Jewison

Música: Andrew Lloyd Webber

Letras: Tim Rice

Elenco: Ted Neeley, Carl Anderson, Yvonne Elliman, Barry Dennen, Bob Bingham, Josh Mostel.

Ratatouille

15 novembro, 2007

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Por Cristiane Fernandes 

É incontestável: Remy, o ratinho aspirante a chef de cozinha, consegue conquistar até os mais frescos e obcecados por limpeza.

Ratatouille (prato típico da região de Provence feito a base de berinjela, tomate, pimentão e outros legumes a gosto), o mais recente filme de parceria Disney – Pixar, conta a história de um ratinho, Remy, de paladar e olfato apurados. Ele sonha em se tornar um famoso chefe de cozinha, apesar de todos os outros ratos de sua colônia, liderados por seu pai, se oporem a essa idéia.

O destino leva Remy a Paris, mais especificamente ao porão do restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau, que sempre pregou que “todo mundo pode cozinhar”. Inspirado por esse bordão, o ratinho decide lutar por seu sonho.

Através de uma inusitada parceria, Remy e Linguini, o responsável pela limpeza do local e sem talento algum para cozinhar, passam a criar pratos e a se destacar na cozinha do restaurante que estava indo por água abaixo após duras críticas e a morte de Gusteau. Juntos, eles passarão por diversas dificuldades e situações inesperadas, além do maior e mais óbvio desafio de todos: Remy ser um rato, uma das criaturas menos bem-vindas em uma cozinha.

O simpático ratinho protagonista tem que enfrentar os preconceitos dos humanos e de seus próprios familiares, escolher entre seguir seu sonho ou voltar a viver com sua família e aceitar ser quem ele realmente é.

Do mesmo diretor de Os Incríveis, Brad Bird, Ratatouille aborda temas como preconceito e saber aceitar a si mesmo de uma maneira leve e divertida. Mais um trabalho maravilhoso da Disney – Pixar que consegue cativar públicos de diversas idades.

O filme passa por momentos emocionantes, comoventes e principalmente hilariantes. Além de efeitos e uma fotografia de deixar qualquer um de boca aberta e com vontade de arrumar as malas e ir para Paris. Ideal de se ter em casa para animar aquelas tardes nubladas, chuvosas e sem muita coisa para ser feita.

A animação ‘Quase Abduzido’ (que pode ser vista através do menu do DVD) também merece destaque e elogios. Este curta envolvendo um humano com sono pesado e um extra-terrestre em treinamento também arrancará boas risadas.

(Ratatouille, Animação, EUA, 2007)

Diretor: Brad Bird

Roteiro: Brad Bird

Elenco: Patton Oswalt, Ian Holm, Lou Romano, Brian Dennehy, Peter Sohn, Peter O’Toole, Brad Garrett, Janeane Garofalo

Quebra de Confiança

30 outubro, 2007

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(Breach, Suspense, EUA, 2007) 

Direção: Billy Ray; Roteiro: William Rotko, Billy Ray e Adam Mazer; Produção: Scott Kroopf, Robert F. Newmyer e Scott Strauss; Música: Mychael Danna; Fotografia: Tak Fujimoto; Elenco: Chris Cooper , Ryan Phillippe, Laura Linney, Caroline Dhavernas, Gary Cole, Dennis Haysbert, Kathleen Quinlan, Bruce Davison.

Por Gustavo Lucas 

Depois de uma estadia curta nos cinemas nacionais, “Quebra de Confiança“ chegou recentemente às locadoras e chama atenção pela sua história. 

A trama gira em torno de um aspirante a agente do FBI, Eric O’Neil (Phillippe), que recebe a função de vigiar o rígido agente Robert Hanssen (Cooper) atuando como seu novo secretário. De início, inconformado com a relevância dessa missão, Eric vai aos poucos conhecendo e convivendo com seu chefe, a ponto de admirá-lo, até descobrir que o verdadeiro objetivo de sua missão é prendê-lo por espionagem. 

O que chama a atenção é que o roteiro é baseado em uma história real e muito recente (Robert Hanssen foi preso em 2001), mostrando que espionagem não é coisa do passado. Apesar de uma história bem interessante, o filme não consegue desenvoler essa história de forma empolgante. O filme se resume a retratar exatamente o que ocorreu naquele período, e como o espectador já conhece o desfecho, o resultado final é lento e sem emoção. 

O ator Ryan Phillipe não consegue convencer no papel e, como desempenha o personagem-chave da trama, não ajuda muito a segurar a atenção do espectador. O contrário acontece com Chris Cooper, que está no seu melhor tipo de papel, personagens extremamente fechados e imprevisíveis.

Parando para pensar, talvez se o filme abordasse o ponto de vista do espião em relação ao seu secretário, o resultado fosse bem mais empolgante.  

Enfim, “Quebra de Confiança” merece no máximo uma alugada, mais para conferir o trabalho de Chris Cooper.