Archive for the ‘Filme B’ Category

Inimigo Público

26 fevereiro, 2009

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(The Public Enemy; 1931; EUA; Policial; 84 min; Direção: William A. Wellman; Produção: Darryl F. Zanuck; Roteiro: Harvey F. Thew, baseado em estória de Kubec Glasmon e John Bright; Edição: Edward M. McDermott; Estúdio e distribuição: Warner Bros; Elenco: James Cagney, Jean Harlow, Edward Woods, Donald Cook, Beryl Mercer, Murray Kinnel) 

Por Gustavo Lucas

Junto com “Alma no Lodo” (outra produção da Warner Bros, lançada poucos meses antes), “Inimigo Público” foi pioneiro de um gênero que veio a obter muito sucesso durante a Depressão americana (anos 30), o dos filmes de gângster.

Dirigido por William A. Wellman (de “Wings”, Oscar de melhor filme em 1928), “Inimigo Público” mostra a vida do criminoso Tom Powers (James Cagney), desde seus primeiros delitos ainda na infância, o relacionamento com a família, até sua morte prematura. O título do filme não remete diretamente ao protagonista, mas sim ao que ele representa para a sociedade, ou seja, uma ameaça.

A história começa em 1909, com Tom e seu amigo Matt Doyle praticando seus primeiros furtos para um homem conhecido como Putty Nose (Murray Kinnel) e seu relacionamento distante com o pai, um policial. Depois em 1915, eles são abandonados por Putty em meio a um assalto mal sucedido, o que os leva a saírem da vida de crimes por uns tempos. Mas quando a Lei Seca entra em vigor em 1920 – proibição da venda de bebidas alcoólicas que se estenderia até 1933 – Tom e Matt (Edward Woods) começam a contrabandear cerveja e, a partir de então, vão ficando cada vez mais ricos e influentes. 

O filme retrata bem a figura do criminoso inescrupuloso que viu na Lei Seca uma oportunidade de fazer dinheiro através de atividades legais, tornando-se assim uma grande ameaça para as autoridades.

E James Cagney foi uma excelente escolha para viver Tom Powers, fazendo do personagem uma pessoa totalmente impulsiva e imprevisível, como na cena do café da manhã, na qual ele “espreme” uma laranja na cara de sua namorada. O físico do ator também proporciona uma certa dinamicidade devido à sua estatura baixa, compondo o tipo baixinho nervoso.

Apesar de pioneiros, estes filmes não trazem nada de inovador em relação à técnica ou à narrativa do cinema da época, ainda mais nesse período de crise econômica, já que experimentações custam dinheiro e não garantem retorno financeiro. O crédito fica mesmo pelo assunto abordado e a centralização da história na figura de um criminoso.

O gênero gângster veio como uma alternativa do chefe de produção da Warner Bros, Darryl F. Zanuck, para contornar os problemas da Depressão. Eram produções baratas (filmadas em estúdio, sem muitos movimentos de câmera, contando com apenas um ator de destaque, entre outras coisas) que mantinham o estúdio longe da falência e obtendo lucro. O mais interessante é ver como o roteiro respeita o Código Hays, que consta de uma lista de coisas que não deviam aparecer em um filme (como, por exemplo, mostrar cenas de crimes) para que grupos conservadores e religiosos não organizassem boicotes às produções.

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Rambo IV

28 fevereiro, 2008

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Por Claudio Prandoni

Não me canso de falar como a onda retrô permeia a sociedade contemporânea – hoje não será diferente. Após dar um belíssimo e digno final a Rocky Balboa no filme de mesmo nome, Sylvester Stallone parte para fazer o mesmo com seu outro personagem mais famoso: o über-soldado Rambo.

Vinte anos separam a nova incursão do terceiro episódio, mas a essência permanece. Durante sua pouco mais de uma hora e meia, o longa-metragem oferece ação furiosa, visceral, violenta e explosiva. Tudo em doses cavalares e desconcertantes. O trailer já era chocante; o filme é ainda mais.

Contudo, não espere por um thriller frenético que lhe deixa ofegante do início ao fim. Rambo IV flerta de maneira sutil com a introspecção existencial tão patente em Rocky Balboa. Não ficou tão bom ou interessante, mas vamos combinar: o lado emocional de Rambo é raso como um pires e atraente como folha de papel sulfilte branca. A tentativa é marcante, mas não convence nem um pouquinho.

No mais, o filme investe boa parte da duração – de fato, cerca de metade – em criar um ambiente crível para que Rambo retorne à ação mais uma vez. Por incrível que pareça, daí vem a mensagem solidária e humanitária do filme. O cenário é o conflito civil que impera na Birmânia, um país da Ásia, há mais de 60 anos. Milhares morrem e são torturados cruelmente por ano numa guerra calada, silenciosa e pouco noticiada que com os holofotes de Stallone pode receber algum tipo de atenção.

Curioso: o exército de um homem só que Rambo é pode parecer uma idéia bélica utópica, mas quem sabe não acabe fazendo diferença na guerra do mundo real. Fim do devaneio.

Apesar de soar meio fútil, a missão de resgate na qual Rambo se embrenha, na companhia de alguns mercenários, soa crível. Ao menos, um ensejo convincente para o banho de sangue que se segue. A produção não economizou. Vai parecer clichê, mas o longa-metragem definitivamente não é recomendado para estômagos fracos. A quantidade de sangue compete com Sweeney Todd, sendo que Rambo ainda tem o backup de explosões e ossos quebrados – sem contar algumas artimanhas à la McGyver.

Rambo IV é como um soco bem dado no nariz: passa rápido, mas dá um belo baque. Pode não ser uma lição de moral e exemplo de perseverança como Rocky Balboa tão bem é, mas figura como um filme de ação completo, com tudo o que manda a cartilha – e não muito mais.

(Rambo, Ação, EUA, 2008)

Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Sylvester Stallone, Art Monterastelli
Produção: Avi Lerner, Kevin King Templeton, John Thompson, Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Julie Benz, Matthew Marsden
Música: Brian Tyler

Resident Evil 3: A Extinção

29 outubro, 2007

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Por Claudio Prandoni

Como já era de se esperar, o filme não segue em praticamente nada a mitologia oficial da série e chega a ser engraçado de tão tosco e fantasioso. O que não quer dizer que seja um filme ruim. Eu acho…

A trama continua quase exatamente do ponto em que Resident Evil: Apocalypse. Ou seja, após a aniquilação total de Raccoon City e a nova fuga de Alice (novamente a angelical mocinha Milla Jovovich) da famigerada Umbrella Corporation.

Diferindo totalmente do jogo, aqui o T-Virus não foi contido e o mundo inteiro foi infectado. Sem muita explicação lógica, isso levou também os rios a secarem e, conseqüentemente, um aceleramento no processo de erosão natural do planeta, transformando-o num grande deserto. Assim, cria-se um cenário desolado que propicia uma dinâmica a um só tempo diferente e parecida com aquela vista nos jogos.

Por certo prisma, temos um ambiente enorme a ser explorado. Não mais uma mansão ou uma cidade, mas sim um país (no caso, os EUA). Encarando de outra maneira, o palco da ação é dominado também pela incerteza e tensão em relação aos perigos que vem pela frente – aspecto que permeia os games.

Spoilers à parte, o enredo segue um caminho bem previsível com uma ou outra leve surpresa algumas seqüências de ação bem sacadas e empolgantes – outras nem tanto…
Alice dispõe de uma série de artimanhas pouco exploradas até então que adquirem cores mais vivas e o relacionamento tão próximo dela com a Umbrella é explorado de maneira mais inteligente também.

Um ponto que acabará decepcionando – novamente – os fãs da série é a descaracterização de figuras conhecidas. Claire Redfield deixou de ser uma mocinha policial quase indefesa para virar uma frentista durona, com direito a boné e caminhão. Carlos Olivera é um pouco melhor e, tal qual em Apocalypse, é uma figura muito mais importante do que efetivamente é nos games.
Uma outra surpresa desempenha papel crucial na aventura também, tanto quanto nos jogos, mas prefiro não revelá-la – apesar de que muitos já devem saber de quem se trata.

No mais, referências muito, muito sutis pipocam vez ou outra, mas nada tão contundente como em Apocalypse, disparado o filme da trilogia que mais se aproxima dos jogos (principalmente por conta da aparição de Jill Valentine no modelito RE3: Nemesis). Os mais atentos perceberão principalmente a recriação de situações vistas em praticamente todos os capítulos de RE, até os mais obscuros. Os montros são todos conhecidas, mas eu pessoalmente senti falta dos malditos Hunters. Nada é mais amedrontador do que aquilo – a medalha de prata por muita pouca diferença vai pros Regenerators do RE4.

Os efeitos especiais estão bem melhores desta vez, principalmente no departamento de maquiagem. Fiquei particularmente impressionante com acabamento feito nos cachorros-zumbis. Contudo, é possível distinguir alguns truques de tela verde e computação gráfica que não encaixaram muito bem.

As cenas de ação alternam muito entre super legais e toscas e previsíveis. Como comentei, o diretor Russel Mulcahy até tira alguns truques da manga, mas de maneira geral há situações muito babóides.

Por que toda vez que alguém mata um zumbi tem que fechar os olhos e respirar aliviado? Vejamos, estamos num mundo dominado por essas criaturas nojentas, claro que eliminando apenas uma delas as outras vão ficar com medo e fugir, certo? Errado! Óbvio que outro estará fungando no seu pescoço doidinho para mordê-lo. Mas nenhum dos personagens do filme pensa nisso. Sério, conte quantas vezes este tipo de situação ocorre e fique indignado como eu.

Antes que eu me esqueça, a trilha sonora mantém o ritmo barra pesada das outras incursões cinematográficas. Porém, desta vez não conta com nomes famosos a exemplo de Slipknot, Rammstein e Marylin Manson, como rolou nas outras películas. Ponto positivo pra trilha remixada das salinhas de save do jogo, que serve de trilha para vários momentos de Extinction.

A despeito das críticas duríssima feitas aos outros filmes, o longa-metragem deixa uma ponta gigantescamente absurda no final, praticamente garantido uma quarta aventura. Confesso que não espero muitas melhorias no quesito “fidelidade à obra original”, mas o universo alternativo criado nas telonas é interessante e vale umas boas duas horas de porrada, explosões e monstros nojentos.

Resident Evil: Extinction é o típico filme-pipoca: muitas armas, efeitos especiais, ação, porrada, bichões feios e mocinhas bonitas sob o pretexto de fingir ser um filme de jogo.

(Resident Evil: Extinction, Ação, EUA, 2007)

Direção: Russell Mulcahy
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Oded Fehr, Milla Jovovich, Mike Epps, Iain Glen, Ashanti (II), Ali Larter, Spencer Locke, Gary Hudson.

* Texto já publicado pelo próprio autor em outro blog. Para ser mais exato, aqui.