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Bastardos Inglórios

7 setembro, 2017

bastardos inglorios en

(Inglorious Basterds, 2009, EUA/Alemanha, 153 min)

Por Gustavo Lucas

Este é o sétimo longa-metragem em sua carreira de diretor de Quentin Tarantino. O filme traz Brad Pitt como o tenente Aldo Raine, um militar norte-americano que recruta oito soldados judeus para se infiltrarem na França ocupada pelos nazistas, tendo como único objetivo exterminá-los.

Tarantino é um fã de cinema; não cursou escola de cinema como muitos diretores, todo o seu conhecimento vem dos anos em que trabalhou como balconista de uma video-locadora. Época em que assistiu a inúmeros filmes e assim adquiriu um vasto repertório, do qual faz uso diversas vezes em seus filmes, aproveitando elementos como música, enquadramentos, citações e até mesmo os gêneros cinematográficos. “Bastardos Inglórios” é claramente inspirado no filme italiano “Expresso Blindado da SS Nazista” (Quel Maledetto Treno Blindato, 1978), de Enzo G. Castellari.  O título deste filme, em inglês, é “Inglorious Bastards” enquanto o de Tarantino se chama “Inglorious Basterds”.

Cinéfilos de longa-data reconhecem em cada plano as refêrencias ou mesmo homenagens ao cinema, já que Tarantino costuma usar também atores e diretores de suas “inspirações” para fazerem pontas em seus filmes. Em “Bastardos Inglórios”, o diretor Enzo G Castellari interpreta a si mesmo durante a premiere de um filme na última parte do longa, e o ator Bo Svenson faz um coronel americano.

O cineasta escreve um roteiro com excelente narrativa que aposta na força dos diálogos, como é visto na cena de abertura do filme, na qual o coronel da SS, Hans Lada (Christoph Waltz) conversa com um fazendeiro francês, a fim de descobrir se o mesmo esconde judeus em sua fazenda. A cena, típica de um filme de Tarantino, termina com a aniquilação da família de Shosanna (Mélanie Laurent), que anos mais tarde planeja vingança contra os nazistas.

“Bastardos inglórios” é uma comédia histórica dentro de uma grande aventura, recheada de humor negro e totalmente desvinculada da realidade. A realidade de Tarantino é fílmica, ou seja, é irreal.

A violência estilizada é uma constante na obra do cineasta. Mas a violência é aplicada como uma forma de humor, em cenas por vezes absurdas e até grotescas. Isso acontece em “Bastardos Inglórios” na cena em que o “Urso Judeu” (Eli Roth) executa nazistas com um taco de beisebol e a maneira encontrada pelo tenente Aldo Raine de marcar com faca a testa de nazistas sobreviventes com uma suástica.

Pode-se dizer que Tarantino criou um gênero próprio de contar histórias, tanto que existem inúmeras teorias que ligam os filmes dele uns com os outros. Um exemplo é o curta-metragem brasileiro “Tarantino’s Mind” (2006) no qual Selton Mello e Seu Jorge discorrem sobre as tramas de Tarantino em uma mesa de bar.

Há quem diga que ele não passa de um plagiador, mas a maneira com que o diretor recria as idéias tiradas do próprio cinema consegue prender a atenção do espectador, seja para criar tensão ou apenas para retratar uma conversa entre duas pessoas – que costuma ser repleta de alegorias, como o discurso final de Bill (David Carradine) em “Kill Bill: Vol. 2”. Tarantino conseguiu deixar a sua marca e se transformou em uma referência para outros diretores como o inglês Guy Ritchie e o norte-americano Paul Thomas Anderson.

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