Archive for the ‘Musical’ Category

Iron Maiden: Voo 666

16 junho, 2009

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(Iron Maiden: Flight 666, 2009, EUA, 112 min.)

Por Gustavo Lucas

Em janeiro de 2008, os ingleses do Iron Maiden, uma das bandas de heavy metal mais famosas do mundo, deram início à turnê “Somewhere Back In Time”, a maior realizada por eles até hoje.

Nesta viagem, que é apenas a primeira parte desta turnê, foram 23 apresentações em 19 cidades ao redor do mundo durante 45 dias.

Os cineastas e fãs de carteirinha, Scott Macfayden e Sam Dunn acompanharam a banda e toda sua equipe a bordo de um personalizado Boeing 757, chamado “Air Force Eddie”, pilotado pelo próprio vocalista da banda, Bruce Dickinson.

Conhecidos por Documentários como “Heavy Metal: A Headbanger’s Journey” e “Global Metal”, os diretores tentam aproximar os fãs da banda, que apesar de ser uma das mais importantes do heavy metal, nunca ocupou um grande espaço nas rádios. 

Por meio de depoimentos dos membros da banda, produtores e alguns fãs, o espectador presencia todo o impacto que estes shows causam, independente do lugar onde estão, e também da raça e cor de seus seguidores.

Feito de fã para fã, passageiros de primeira viagem vão ter dificuldade de se situar devido a falta de legendas identificando as músicas e alguns entrevistados.

Já os metaleiros de plantão irão curtit cada minuto do filme que além das apresentações ao vivo, conta também com a participação de nomes famosos do gênero, como Lars Ulrich (baterista do Metallica), Kerry King (guitarrista do Slayer), Tom Morello (guitarrista do Rage Against The Machine e ex-Audioslave), e os integrantes do Sepultura em uma disputada partida de futebol em São Paulo.

Saawariya – Apaixonados

26 fevereiro, 2009

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(Saawariya; 2007; Índia; Musical; 137 min. Direção: Sanjay Leela Bhansali; Produção: Sanjay Leela Bhansali & SPE Films Índia Pvt. Ltd; Roteiro: Prakash Kapadia e Sanjay Leela Bhansali, baseado em Noites Brancas de Fiodor Dostoievsky; Fotografia: Ravi K. Chandran; Direção de Arte: Omung Kumar Bhandula, Vanita Omung Kumar; Edição: Sanjay Leela Bhansali; Elenco: Ranbir Kapoor, Sonam Kapoor, Salman Khan, Rani Mukherjee; Zohra Sehgal)

Por Gustavo Lucas

Bollywood cada vez mais perto do ocidente

Bollywood é o nome dado à indústria cinematográfica de Mumbai na Índia, que realiza produções faladas em hindi. Longas durações (os filmes contam até com intervalos), músicas cativantes, cenários grandiosos, coreografias que remetem a vários estilos, roteiros melodramáticos que misturam idiomas nos diálogos como inglês, urdu e alguns dialetos regionais (uma forma de atingir um público cada vez maior) são as principais características dos seus filmes.

O diretor e roteirista Sanjay Leela Bhansali, conhecido por filmes como Black (2005) e Devdas (2002), não fugiu de nenhuma destas características ao escrever Saawariya – Apaixonados. Baseado no conto Noites Brancas de Dostoiévsky, somos apresentados a Ranbir Raj (Ranbir Kapoor), um jovem sonhador e ingênuo músico recém-chegado na cidade que acaba por se apaixonar por uma misteriosa moça chamada Sakina (Sonam Kapoor), que espera o retorno de seu amado. Raj conta com o apoio da prostituta Gulabji (Rani Mukherjee) e de Lillian (Zohra Sehgal), a velha senhora que aluga o quarto onde vive.

Os grandes destaques da produção são: a fotografia e iluminação, que fazem um belo contraste de claro e escuro, assim como o uso das cores; a direção de arte e cenografia, toda realizada em estúdio. A qualidade e o detalhe dos cenários são surpreendentes.

Os principais problemas da produção, para quem está tendo um primeiro contato com os filmes desta indústria, são a duração e o grande número de apresentações musicais, pois a história pode ser facilmente contada nos habituais 90 minutos do cinema ocidental, sem ser interrompida de 10 em 10 minutos para um número musical.

Mesmo com algumas características que diferem do cinema ocidental, os filmes de Bollywood estão sendo cada vez mais aceitos no ocidente, o que acaba atraindo cada vez mais capital, inclusive estrangeiro. Saawariya, por exemplo, é o primeiro filme co-produzido por um grande estúdio de Hollywood, a Columbia Pictures. Já existem produções que contam com parte de sua filmagem realizada em outros países como Estados Unidos, Canadá e, até mesmo, o Brasil.

Across The Universe

10 março, 2008

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Por Claudio Prandoni

Confesso que filmes com premissas musicais me atiçam a curiosidade. Foi assim com Não Estou Lá e aconteceu o mesmo com Across The Universe. Apesar de o filme ter estreado no final do ano passado em alguns cinemas do circuito nacional, ele passou totalmente batido por mim. Só fui saber da existência dele por ocasião de um amigo que citou que gostaria muito de ver o filme “todo baseado em músicas do Beatles”.

Ele estava em exibição no CinePosto 4, em Santos, e praticamente no mesmo dia fomos assistir. Não li críticas ou conferi trailers antes de ir – apenas vi o pôster, bem bacana por sinal, e uma breve sinopse que fala de um casal apaixonado, anos 60 e músicas dos Beatles. Ou algo assim.

De fato, o roteiro vai bem por aí: somos apresentados a Jude, um rapaz britânico que não se importa muito com o futuro. Tem uma namorada a qual cativa com canções melosas dos garotos de Liverpool – aliás, cidade natal dele – e a vontade de conhecer o pai, um norte-americano que engravidou a mãe dele durante a II Guerra e os abandonou quando o rapaz ainda era “um pãozinho no forno”, segundo palavras do próprio guri.

Do outro lado do ringue está Lucy, uma bela americana loirinha de olhinhos azuis e apaixonadinha por um recruta do Exército. Uma graça. A perfeita representação do sonho americano. Ela passa os dias andando de bicicleta, estudando equações de segundo grau, escrevendo cartinhas açucaradas e contemplando a foto do futuro marido/pai de família o qual ela desposará.

Enfim. Eventualmente, tudo vira de ponta cabeça – habilidade marcante da década de 60 – e os dois acabam se trombando em Nova Iorque, se apaixonam e vivem uma tórrida e cativante relação amorosa.

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Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street

11 janeiro, 2008

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Por Cristiane Fernandes

Acho que ninguém gosta de se decepcionar, não é verdade? Pois é, eu também não!

Ontem me decepcionei com o meu filme mais esperado dos últimos tempos (tudo bem que quanto maior a expectativa, maior é a chance de você se decepcionar), mas vou me esforçar para ser imparcial nessa resenha…

Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, musical ‘tragicomedy’ de Stephen Sondheim e recentemente adaptado para as telonas por Tim Burton (A Noiva Cadáver, Peixe Grande), conta a história de Benjamin Barker, um barbeiro londrino que foi preso injustamente por um juiz que queria roubar sua esposa. Após 15 anos na prisão, ele volta como Sweeney Todd e ávido por vingança, decidido a matar seus clientes com sua afiada navalha até ter em sua cadeira seu cliente mais esperado: o juiz que destruiu sua vida. Em parceria com Mrs. Lovett, a dona da loja de tortas de carne que fica embaixo de sua barbearia, suas vítimas são encaminhadas para um destino um tanto peculiar e, aparentemente, ‘apetitoso’.

Com um final surpreendente e inesperado, o filme consegue prender a atenção (e deixar alguns seriamente nauseados) do começo ao fim. Porém, nem tudo é perfeito e foi possível encontrar algumas falhas que me incomodaram bastante na adaptação de Burton.

Primeiro, a seleção. Acho que não é segredo pra ninguém que a nossa querida Helena Bonham Carter (Harry Potter e a Ordem da Fênix) só foi escalada por ser esposa do diretor. Afinal, algumas feras como Meryl Streep (O Diabo Veste Prada), Emma Thompson (Simplesmente Amor) e Toni Collette (Pequena Miss Sunshine) também fizeram teste para o papel e, sem dúvida alguma, teriam feito uma Mrs. Lovett melhor. Nada pessoal contra Helena, tenho até que parabenisá-la, pois fazer um filme nojento como esse estando nos primeiros meses de gravidez não é pra qualquer uma, mas infelizmente ela deixou bastante a desejar. Quando ouvi a trilha sonora, fiquei impressionada. Apesar de deslizes, como em God, That’s Good!, ela cantou muito bem The Worst Pies in London, Poor Thing e, em especial, By the Sea. Mas seus esforços vocais não foram suficientes para salvar sua péssima atuação. Sem expressão alguma e sem saber interpretar as canções, Helena tira bastante o brilho do filme, principalmente para os que já viram o revival do musical que ficou em cartaz na Broadway em 2005 e esperavam uma Mrs. Lovett tão boa quanto a interpretada pela maravilhosa Patti LuPone.

Segundo, o próprio Tim Burton, por sua falta de criatividade (o início do filme foi reaproveitado d’A Fantástica Fábrica de Chocolates, só adicionaram sangue) e por suas decisões mal tomadas, como ignorar a história de Johanna (filha de Sweeney, agora com 16 anos, que está sob custódia do juiz que prendeu seu pai) e Anthony (jovem marinheiro que ajudou Sweeney a voltar para Londres após ser libertado da prisão na Austrália e que se apaixona por Johanna), tornando-os meros coadjuvantes que não acrescentam nada ao filme, e escalar uma criança para interpretar Toby (ajudante de Adolfo Pirelli que é ‘adotado’ por Mrs. Lovett e que, no musical, não é uma criança e sim um adulto com leve retardo mental). Pode parecer um detalhe bobo, mas no final do filme faz MUITA diferença.

Também não gostei da maneira como o final foi apresentado. Aliás, creio que foi isso que mais estragou o filme. Não há desfecho e, antes que você consiga assimilar todos os acontecimentos inesperados, a tela fica preta e os créditos começam a passar.

Onde o filme acertou? Sem dúvida alguma na escalação do protagonista, que não foi surpresa já que a parceria Burton – Depp é antiga, e essa foi a sorte do diretor, pois Johnny (Edward Mãos de Tesoura) é quem salva o filme, superando expectativas tanto na trilha sonora quanto em sua atuação. Comparado com Michael Cerveris, que interpretou Sweeney no revival em 2005, Johnny não é tão assustador, mas ele consegue convencer e é com certeza a atração principal do filme.

Para não falarem que estou sendo boazinha com o Johnny só porque ele é lindo, vou fazer meus elogios ao resto do elenco também. Devo começar por Alan Rickman (Judge Turpin) que está, como sempre, excelente. Não tanto como cantor, pois a voz dele é boa para fazer vilões e não para cantar, mas sua atuação é sempre impecável e convincente. Assim como a de Sacha Baron Cohen (Signor Adolfo Pirelli), que, com seu falso sotaque italiano, é o único do filme que consegue arrancar risadas do público (no musical, é possível dar boas risadas, principalmente com a Mrs. Lovett, afinal, é uma tragiCOMEDY). Timothy Spall (Beadle Bamford) se sai tão bem quanto em todos os seus outros papéis, já que ele sempre interpreta o mesmo tipo de pessoa: capacho do vilão principal.

Destaque também para os novos talentos apresentados: Jayne Wisener (Johanna) e Jamie Campbell Bower (Anthony) que cantam e atuam muito bem. Laura Michelle Kelly (Lucy), apesar de não aparecer tanto e não ter feito seu melhor trabalho musical, é uma ótima artista, já tendo participado de diversos musicais como A Bela e a Fera, Les Miserables e Mamma Mia.

Mesmo com todos os contras que citei, sendo imparcial, Sweeney Todd é um ótimo filme que vale a pena ser visto pelo menos uma vez para que as pessoas se familiarizem com este musical maravilhoso.

Para os adoradores de sangue, assistir a esse filme será uma experiência incrível, pois sangue é o que não falta. Para os que têm estômago fraco, levem uma sacolinha e se preparem para não comer carne por um bom tempo!

(Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, Musical, EUA, 2007)

Direção: Tim Burton

Música e letras: Stephen Sondheim

Roteiro: John Logan

Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Sacha Baron Cohen, Timothy Spall, Jamie Campbell Bower, Jayne Wisener, Laura Michelle Kelly.

Site oficial: http://www.sweeneytoddmovie.com/

Jesus Cristo Superstar

25 novembro, 2007

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Por Cristiane Fernandes 

Decidi quebrar esta seqüência de filmes recentes apresentados neste blog falando sobre um clássico: o musical Jesus Cristo Superstar.

Como uma boa amante de musicais, sinto-me no direito de dizer que este é sem dúvidas um dos melhores que existem e, talvez, o melhor trabalho da dupla Andrew Lloyd Webber e Tim Rice.

Com melodias marcantes, letras inteligentes e uma abordagem inédita e única de uma famosa história, essa ópera rock mostra os três últimos dias de vida de Jesus Cristo pelo ponto de vista de Judas Iscariotes, o apóstolo que o traiu.

Devo ressaltar que transformar um musical em filme é algo delicado. Apesar de muitos sucessos, nem sempre dá certo. Ou, mesmo que dê certo, pode não ser a mesma coisa, já que um musical é montado para ser apresentado em um palco, com muito menos recursos e possibilidades do que um filme, mas a adaptação para a telona pode acabar descaracterizando a história.

Por exemplo, o maravilhoso Fantasma da Ópera. Sou fã do filme, adorei o que foi acrescentado ao final, mas não há comparação entre esta versão e o musical visto ao vivo (em inglês, é claro, porque “o fantaaaaasma da ópera estáááá…” é muito ruim!).

Já o também maravilhoso Chicago ficou, na minha humilde opinião, muito melhor em filme do que o musical que é extremamente lento. Os intérpretes não aproveitam o palco, os figurinos não têm cores fortes, por exemplo. Não vou tirar todo o crédito deles, porque ver algumas de suas músicas favoritas serem interpretadas ao vivo é impagável (chorei tanto durante Mister Cellophane que a senhora sentada ao meu lado me perguntou se eu estava bem). Porém, quem assistiu ao filme primeiro e vai ao teatro esperando ver toda aquela energia, cores e danças vai se decepcionar.

Jesus Cristo Superstar é tão perfeito que ficou ótimo em todas as versões possíveis e imagináveis. O musical, o filme, a versão em português, os revivals… Todos perfeitos!

Se todos são tão perfeitos, você deve estar se perguntando o que o filme tem de tão especial. Além de alguns detalhes que o enriquecem, como ter sido gravado em Israel, é, sem dúvida, o elenco que torna essa versão tão diferente das outras.

Começando pelo protagonista, o imbatível Ted Neeley. Considerado o melhor intérprete de todos os tempos (e com razão), é ele que garante o sucesso do filme. Hoje, com 64 anos, ele está novamente interpretando Jesus na sua turnê de despedida pelos EUA e Canadá. Nitidamente mais velho, mas com a mesma voz de mais de 30 anos atrás, Ted Neeley tem emocionado muitos fãs que sonhavam em vê-lo ao vivo.

Com exceção da Maria Madalena (Yvonne Elliman) que será minha eterna decepção, todo o elenco impressiona e dá um verdadeiro show com suas vozes fortes e suas atuações convincentes. Judas Iscariotes (Carl Anderson), Pilatos (Barry Dennen) e Herodes (Josh Mostel) merecem destaque.

Para os fãs de filmes mais recentes e adoradores de efeitos especiais, mantenham em mente que este filme conta uma história que aconteceu há 2000 anos e foi feito em 1973, o que, aliás, também serve de justificativa para os figurinos hippies, acessórios e cortes de cabelo.

Enfim, Jesus Cristo Superstar não deve agradar a todos, mas é sem dúvida um filme que deve ser acrescentado à lista de clássicos que devem ser vistos pelo menos uma vez antes de morrer.

(Jesus Christ Superstar, Musical, EUA, 1973)

Diretor: Norman Jewison

Roteiro: Tim Rice e Norman Jewison

Música: Andrew Lloyd Webber

Letras: Tim Rice

Elenco: Ted Neeley, Carl Anderson, Yvonne Elliman, Barry Dennen, Bob Bingham, Josh Mostel.