Archive for the ‘Não entendi’ Category

Não Estou Lá

4 março, 2008

naoestoula.jpg

Por Claudio Prandoni

“Homem casado, poeta, cantor, compositor, guardião, porteiro…”

Bob Dylan é de tudo um pouco, ou ao menos é o que ele clama – essa frase aí em cima é dele numa entrevista pra revista Rolling Stone em 1969. Essa é também a presunção e êxito de Não Estou Lá, obra do diretor Todd Haynes fermentada por ele durante quase dez anos.

Com a mesma ingenuidade e magnificência da personalidade de Dylan, o longa-metragem é denso, psicodélico, apaixonante e desconfortável. E mais um pouco. Faltam adjetivos para traduzir com precisão (se é que isso é possível) a atmosfera um tanto quanto inebriante de Não Estou Lá.

A premissa é inteligente: uma reimaginação fragmentada da vida do músico, mostrando seus diversos momentos na carreira por meio de seis personagens distintos. A execução suplanta qualquer expectativa e previsibilidade.

Dylan diz que aceita o caos, mas não tem lá muita certeza se a recíproca é verdadeira. Para Todd Haynes ela é de uma forma desconcertante e magistral. O sexteto de figuras protagoniza sete histórias distintas, todas entrelaçadas. Porém, não de maneira lógica e cronológica – ao menos na maioria do tempo.

O entrecho faz flashbacks em flashbacks, salta à frente no tempo, pausa, retrocede, avança em câmera lenta, dá piruetas e saltos no ar sem a menor cerimônia. O conceito de “é um passeio numa montanha-russa” é batido, mas pode se aplicar aqui.

Não, não. Alto lá.

(more…)

Anúncios

10.000 A.C.

29 fevereiro, 2008

10000ac.jpg

Por Claudio Prandoni

Confesso que não tinha ouvido muito sobre este filme. Havia ouvido um zumzumzum sobre uma nova produção épica de Rolland Emmerich, com dinossauros coisa e tal. Dinossauros. Não tinha como dar errado.

Porém, como os estudantes de História e aficionados pelos lagartões devem ter sacado pelo título, não há dinossauros na película. Afinal, eles sumiram há mais ou menos 65 milhões de anos. Quase nada (tripa seca?)…

Ok. Decepção 1.

Vamos lá, não tem dinossauros, mas não é o fim do mundo. Na verdade é. Ao menos para a tal tribo dos Yagahl (a qual não consegui identificar de onde são). Toda temporada eles caçam mamutes. A economia destes homens primatas, capitalistas selvagens, gira em torno dos benditos mamutes. Você os mata, você é legal. Você não os mata, você é bobo. Você nem pode tentar matá-los é porque você é mulher ou criança. Simples assim.

A coisa fica feia quando os ventos anunciam a chegada de tempos tenebrosos por meio de uma linda garotinha de olhos azuis. Tem início aí uma lenda. Vulgo, primeiro clichê de uma série monstruosa.

Como faz em Independence Day, Rolland Emmerich desfila aqui uma miríade de idéias batidas. Porém, sem explosões. Ou aliens. Ou Will Smith. Ou dinossauros.

Para piorar, o período de tempo abordado é totalmente inapropriado para os clichês exibidos. Como assim amor platônico e fiel numa época em que homens conquistavam mulheres abatendo feras (e mamutes, nada de dinossauros) e eram adeptos da poligamia? Você quer que eu acredite nisso? Desculpe…

Isso. Decepção 2.

(more…)