Archive for the ‘Romance’ Category

Voltando para Casa

26 fevereiro, 2009

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(Julie Walking Home, 2002, Alemanha/Canadá/Polônia, 118 min.)

Por Gustavo Lucas

O filme “Voltando para Casa” (Julie Walking Home, 2002) é uma história sobre relacionamento e intolerância.

Carregado fortemente de apelos emocionais, principalmente nos momentos dramáticos da doença de Nick (Ryan Smith), filho da protagonista Julie (Miranda Otto), o filme é centrado nesta família e no trajeto que ela percorre até o reencontro da harmonia do lar.

Ao voltar de uma viagem com os filhos, Julie surpreende seu marido Henry (William Fichtner) tendo um caso. Na mesma hora, ela pega os filhos e se muda para a casa de seu pai, Mieczyslaw (Jerzy Nowak). Durante as discussões de separação entre Julie e Henry, seu filho Nick é diagnosticado com câncer, o que reaproxima o casal (mas não como era antes). Com a notícia de que o tratamento de Nick falha, Julie o leva para a Polônia a fim de ver um famoso curandeiro russo chamado Alexy (Lothaire Bluteau).

Neste momento, surge um conflito entre as famílias. Enquanto Henry é de família judaica e de formação cientifica (seu pai é médico e ele é biólogo), o pai de Julie é católico.

A diretora e roteirista polonesa Agnieszka Holland, de filmes como “O Jardim Secreto” (The Secret Garden, 1993) e, mais recentemente, “O Segredo de Beethoven” (Copying Beethoven, 2006), conduz a história com grande dramaticidade, desde o título: em inglês, Julie Walking Home tem o sentido de caminhar de volta para o lar, que sintetiza a sua jornada de retorno, desde o afastamento até a reaproximação, embora ela mal tenha saído fisicamente do mesmo. Ela assina o roteiro junto com os desconhecidos Roman Gren e Arlene Sarner.

O diretor de fotografia, Jacek Petrycki, que já havia trabalhado anteriormente com a diretora em “Filhos da Guerra” (Europa Europa, 1990), pega o clima nublado e frio do Canadá e, através de cores frias e tons azulados, cria um clima triste e amargurado onde o único refúgio é o próprio lar dos personagens, que possuem tons de cores quentes. Esta ultima característica também se deve à direção de arte de Ewa Skoczkowska e Marian Wihak, muito atuantes em produções para a televisão.

Os acontecimentos que marcam o filme acabam sendo catalisados pela interpretação dos atores, destacando a protagonista Miranda Otto, de “O Senhor dos Anéis: As Duas Torres” (The Lord of the Rings: The Two Towers, 2002) e “Guerra dos Mundos” (War of the Worlds, 2005), que nos apresenta uma Julie irriquieta por não se encaixar no ambiente em que está e pelos eventos ocorrentes que parecem fugir totalmente de seu controle; e Lothaire Bluteau (de séries de televisão como “24 Horas” e “Lei e Ordem”) no papel do curandeiro Alexy, que só pelos olhares já mostra ao espectador a pessoa ingênua e frágil que é. E com a montagem, de Christian Lonk, que soube aproveitar bem o uso de closes dos atores para realçar ainda mais as cargas emocionais de algumas cenas.

A música de Anton Gross (ou Antoni Lazarkiewicz) é elemento integrante da trama, tanto nas canções cantadas por Julie, como nas músicas instrumentais de fundo, ora intensificando o momento de uma cena, ora criando um distanciamento em outra. O uso da música durante a relação sexual de Julie e Alexy funde muito bem essas duas funções.

Ao tratar de temas polêmicos, como adultério, câncer e o próprio curandeirismo o filme fala, basicamente, da vida conjugal. Os altos e baixos enfrentados por Julie nesta jornada são verossímeis, talvez não tudo ao mesmo tempo, como no filme, mas não deixam de ser reais, o que pode agradar muitos espectadores, que irão se identificar com os acontecimentos pelos quais a protagonista passa e suas decisões.

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Across The Universe

10 março, 2008

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Por Claudio Prandoni

Confesso que filmes com premissas musicais me atiçam a curiosidade. Foi assim com Não Estou Lá e aconteceu o mesmo com Across The Universe. Apesar de o filme ter estreado no final do ano passado em alguns cinemas do circuito nacional, ele passou totalmente batido por mim. Só fui saber da existência dele por ocasião de um amigo que citou que gostaria muito de ver o filme “todo baseado em músicas do Beatles”.

Ele estava em exibição no CinePosto 4, em Santos, e praticamente no mesmo dia fomos assistir. Não li críticas ou conferi trailers antes de ir – apenas vi o pôster, bem bacana por sinal, e uma breve sinopse que fala de um casal apaixonado, anos 60 e músicas dos Beatles. Ou algo assim.

De fato, o roteiro vai bem por aí: somos apresentados a Jude, um rapaz britânico que não se importa muito com o futuro. Tem uma namorada a qual cativa com canções melosas dos garotos de Liverpool – aliás, cidade natal dele – e a vontade de conhecer o pai, um norte-americano que engravidou a mãe dele durante a II Guerra e os abandonou quando o rapaz ainda era “um pãozinho no forno”, segundo palavras do próprio guri.

Do outro lado do ringue está Lucy, uma bela americana loirinha de olhinhos azuis e apaixonadinha por um recruta do Exército. Uma graça. A perfeita representação do sonho americano. Ela passa os dias andando de bicicleta, estudando equações de segundo grau, escrevendo cartinhas açucaradas e contemplando a foto do futuro marido/pai de família o qual ela desposará.

Enfim. Eventualmente, tudo vira de ponta cabeça – habilidade marcante da década de 60 – e os dois acabam se trombando em Nova Iorque, se apaixonam e vivem uma tórrida e cativante relação amorosa.

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