Across The Universe

10 março, 2008 by

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Por Claudio Prandoni

Confesso que filmes com premissas musicais me atiçam a curiosidade. Foi assim com Não Estou Lá e aconteceu o mesmo com Across The Universe. Apesar de o filme ter estreado no final do ano passado em alguns cinemas do circuito nacional, ele passou totalmente batido por mim. Só fui saber da existência dele por ocasião de um amigo que citou que gostaria muito de ver o filme “todo baseado em músicas do Beatles”.

Ele estava em exibição no CinePosto 4, em Santos, e praticamente no mesmo dia fomos assistir. Não li críticas ou conferi trailers antes de ir – apenas vi o pôster, bem bacana por sinal, e uma breve sinopse que fala de um casal apaixonado, anos 60 e músicas dos Beatles. Ou algo assim.

De fato, o roteiro vai bem por aí: somos apresentados a Jude, um rapaz britânico que não se importa muito com o futuro. Tem uma namorada a qual cativa com canções melosas dos garotos de Liverpool – aliás, cidade natal dele – e a vontade de conhecer o pai, um norte-americano que engravidou a mãe dele durante a II Guerra e os abandonou quando o rapaz ainda era “um pãozinho no forno”, segundo palavras do próprio guri.

Do outro lado do ringue está Lucy, uma bela americana loirinha de olhinhos azuis e apaixonadinha por um recruta do Exército. Uma graça. A perfeita representação do sonho americano. Ela passa os dias andando de bicicleta, estudando equações de segundo grau, escrevendo cartinhas açucaradas e contemplando a foto do futuro marido/pai de família o qual ela desposará.

Enfim. Eventualmente, tudo vira de ponta cabeça – habilidade marcante da década de 60 – e os dois acabam se trombando em Nova Iorque, se apaixonam e vivem uma tórrida e cativante relação amorosa.

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Não Estou Lá

4 março, 2008 by

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Por Claudio Prandoni

“Homem casado, poeta, cantor, compositor, guardião, porteiro…”

Bob Dylan é de tudo um pouco, ou ao menos é o que ele clama – essa frase aí em cima é dele numa entrevista pra revista Rolling Stone em 1969. Essa é também a presunção e êxito de Não Estou Lá, obra do diretor Todd Haynes fermentada por ele durante quase dez anos.

Com a mesma ingenuidade e magnificência da personalidade de Dylan, o longa-metragem é denso, psicodélico, apaixonante e desconfortável. E mais um pouco. Faltam adjetivos para traduzir com precisão (se é que isso é possível) a atmosfera um tanto quanto inebriante de Não Estou Lá.

A premissa é inteligente: uma reimaginação fragmentada da vida do músico, mostrando seus diversos momentos na carreira por meio de seis personagens distintos. A execução suplanta qualquer expectativa e previsibilidade.

Dylan diz que aceita o caos, mas não tem lá muita certeza se a recíproca é verdadeira. Para Todd Haynes ela é de uma forma desconcertante e magistral. O sexteto de figuras protagoniza sete histórias distintas, todas entrelaçadas. Porém, não de maneira lógica e cronológica – ao menos na maioria do tempo.

O entrecho faz flashbacks em flashbacks, salta à frente no tempo, pausa, retrocede, avança em câmera lenta, dá piruetas e saltos no ar sem a menor cerimônia. O conceito de “é um passeio numa montanha-russa” é batido, mas pode se aplicar aqui.

Não, não. Alto lá.

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10.000 A.C.

29 fevereiro, 2008 by

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Por Claudio Prandoni

Confesso que não tinha ouvido muito sobre este filme. Havia ouvido um zumzumzum sobre uma nova produção épica de Rolland Emmerich, com dinossauros coisa e tal. Dinossauros. Não tinha como dar errado.

Porém, como os estudantes de História e aficionados pelos lagartões devem ter sacado pelo título, não há dinossauros na película. Afinal, eles sumiram há mais ou menos 65 milhões de anos. Quase nada (tripa seca?)…

Ok. Decepção 1.

Vamos lá, não tem dinossauros, mas não é o fim do mundo. Na verdade é. Ao menos para a tal tribo dos Yagahl (a qual não consegui identificar de onde são). Toda temporada eles caçam mamutes. A economia destes homens primatas, capitalistas selvagens, gira em torno dos benditos mamutes. Você os mata, você é legal. Você não os mata, você é bobo. Você nem pode tentar matá-los é porque você é mulher ou criança. Simples assim.

A coisa fica feia quando os ventos anunciam a chegada de tempos tenebrosos por meio de uma linda garotinha de olhos azuis. Tem início aí uma lenda. Vulgo, primeiro clichê de uma série monstruosa.

Como faz em Independence Day, Rolland Emmerich desfila aqui uma miríade de idéias batidas. Porém, sem explosões. Ou aliens. Ou Will Smith. Ou dinossauros.

Para piorar, o período de tempo abordado é totalmente inapropriado para os clichês exibidos. Como assim amor platônico e fiel numa época em que homens conquistavam mulheres abatendo feras (e mamutes, nada de dinossauros) e eram adeptos da poligamia? Você quer que eu acredite nisso? Desculpe…

Isso. Decepção 2.

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Rambo IV

28 fevereiro, 2008 by

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Por Claudio Prandoni

Não me canso de falar como a onda retrô permeia a sociedade contemporânea – hoje não será diferente. Após dar um belíssimo e digno final a Rocky Balboa no filme de mesmo nome, Sylvester Stallone parte para fazer o mesmo com seu outro personagem mais famoso: o über-soldado Rambo.

Vinte anos separam a nova incursão do terceiro episódio, mas a essência permanece. Durante sua pouco mais de uma hora e meia, o longa-metragem oferece ação furiosa, visceral, violenta e explosiva. Tudo em doses cavalares e desconcertantes. O trailer já era chocante; o filme é ainda mais.

Contudo, não espere por um thriller frenético que lhe deixa ofegante do início ao fim. Rambo IV flerta de maneira sutil com a introspecção existencial tão patente em Rocky Balboa. Não ficou tão bom ou interessante, mas vamos combinar: o lado emocional de Rambo é raso como um pires e atraente como folha de papel sulfilte branca. A tentativa é marcante, mas não convence nem um pouquinho.

No mais, o filme investe boa parte da duração – de fato, cerca de metade – em criar um ambiente crível para que Rambo retorne à ação mais uma vez. Por incrível que pareça, daí vem a mensagem solidária e humanitária do filme. O cenário é o conflito civil que impera na Birmânia, um país da Ásia, há mais de 60 anos. Milhares morrem e são torturados cruelmente por ano numa guerra calada, silenciosa e pouco noticiada que com os holofotes de Stallone pode receber algum tipo de atenção.

Curioso: o exército de um homem só que Rambo é pode parecer uma idéia bélica utópica, mas quem sabe não acabe fazendo diferença na guerra do mundo real. Fim do devaneio.

Apesar de soar meio fútil, a missão de resgate na qual Rambo se embrenha, na companhia de alguns mercenários, soa crível. Ao menos, um ensejo convincente para o banho de sangue que se segue. A produção não economizou. Vai parecer clichê, mas o longa-metragem definitivamente não é recomendado para estômagos fracos. A quantidade de sangue compete com Sweeney Todd, sendo que Rambo ainda tem o backup de explosões e ossos quebrados – sem contar algumas artimanhas à la McGyver.

Rambo IV é como um soco bem dado no nariz: passa rápido, mas dá um belo baque. Pode não ser uma lição de moral e exemplo de perseverança como Rocky Balboa tão bem é, mas figura como um filme de ação completo, com tudo o que manda a cartilha – e não muito mais.

(Rambo, Ação, EUA, 2008)

Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Sylvester Stallone, Art Monterastelli
Produção: Avi Lerner, Kevin King Templeton, John Thompson, Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Julie Benz, Matthew Marsden
Música: Brian Tyler

Juno

7 fevereiro, 2008 by

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Por Cristiane Fernandes

Como você lidaria com uma gravidez inesperada aos 16 anos de idade? Bom, isso não importa, já que você com certeza não é uma pessoa tão diferente e especial como Juno. Uma adolescente que foge dos clichês, tem respostas na ponta da língua para tudo e certamente não vê o mundo como a maioria. Essa é Juno.

Após engravidar de seu amigo de classe e desistir de fazer um aborto após uma colega lhe dizer que o bebê tem unhas, Juno (Ellen Page) decidi contar a verdade para todos, encarar sua gravidez e procurar pais adotivos para a criança, já que ela tem total noção de não ter capacidade de cuidar de uma criança enquanto cursa o colegial. Com o apoio de sua família e amigos, ela encontra uma família perfeita (ou quase). A partir daí, acompanhamos um ano de sua vida, incluindo a gravidez, o parto e alguns meses pós-parto.

O filme é apresentado de uma maneira envolvente, mantendo um ritmo muito agradável e dinâmico durante sua uma hora e meia de exibição. Impossível não ser cativado por Juno.

As atuações são tão naturais que em diversos momentos é possível esquecer que é apenas um filme com uma história e personagens fictícias. A jovem protagonista de apenas 20 anos mereceu sua indicação ao Oscar apesar das chances dela levar a estatueta dourada para casa serem remotas. De maneira muito convincente, Ellen Page nos mostra como uma adolescente não convencional ‘funciona’ atualmente. A atriz está na lista de carreiras em ascensão em Hollywood e podemos esperar grandes papéis dela.

Não poderia ser injusta e deixar todo o mérito para ela. Um elenco com grandes nomes é certeza de grandes performances. J.K. Simmons e Allison Janney como o pai e a madrasta de Juno também estão excelentes, assim como Jennifer Garner e Jason Bateman como os futuros pais adotivos da criança. Os novatos Michael Cera e Olívia Thirlby, pai do bebê e melhor amiga, também contribuem para deixar o filme mais realista.

Apesar da protagonista ser fã de punk rock, a trilha sonora é recheada com típicas músicas country americanas, o que pode ser constatado logo na cena de abertura. Isso pode soar como algo ruim para alguns, mas, como uma boa fanática por trilhas sonoras, posso dizer que ela se encaixa muito bem ao filme, ajuda a nos envolver na história e que estou ansiosa para comprar esse CD.

Apesar de não ter muitas chances de levar o Oscar de melhor filme, Juno foi indicado merecidamente, estarei na torcida e recomendo a todos que assistam a esse filme maravilhoso.

(Juno, Drama, Canadá, 2007)

Direção: Jason Reitman

Roteiro: Diablo Cody

Elenco: Ellen Paige, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, J.K. Simmons, Allison Janney e Olívia Thirlby

O Suspeito

6 fevereiro, 2008 by

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Por Cristiane Fernandes

Um dos meus fatores determinantes para decidir se um filme vale a pena ser visto ou não é o elenco. Quando vi o elenco de O Suspeito (Rendition), imediatamente fiquei ansiosa para vê-lo. Isso porque eu ainda não sabia que além Reese Witherspoon, Jake Gyllenhaal, Meryl Streep e Alan Arkin, eu também encontraria Peter Sarsgaard e J.K. Simmons no decorrer do filme juntamente com um elenco de desconhecidos talentosos.

O Suspeito conta a história de Anwar El-Ibrahimi (Omar Metwally),um egípcio que mora nos Estados Unidos há muitos anos e se torna suspeito de um ataque terrorista na Tunísia. Para que ele seja interrogado, a CIA (Agência Central de Inteligência americana) o seqüestra enquanto estava no aeroporto a caminho de casa. Sua esposa, Isabella Fields El-Ibrahimi (Reese Witherspoon), mesmo estando grávida, entra em uma investigação por conta própria para descobrir o que aconteceu com o marido.

Junto com a equipe que está interrogando El-Ibrahimi, liderada por Corrine Whitman (Meryl Streep), se encontra o novato Douglas Freeman (Jake Gyllenhaal), que fica dividido por não conseguir aprovar nem aceitar as torturas aplicadas ao suspeito.

Acompanhamos a agonia e desespero das personagens durante todo o filme enquanto, em paralelo, assistimos aos acontecimentos que levaram ao ataque pelo qual o prisioneiro está sendo acusado e que nos levarão a descobrir se ele é realmente inocente, como afirma ser.

Com atuações excelentes e uma história envolvente, O Suspeito consegue prender a atenção do começo ao fim. Omar Metwally merece destaque por ser o menos conhecido entre os que mais aparecem durante o filme e o que apresenta melhor atuação. Meryl Streep dispensa comentários, afinal, a melhor atriz dos últimos tempos está sempre excelente. Reese e Jake também são ótimo, estão entre meus atores preferidos, mas não fizeram nada além do esperado. Alan Arkin aparece tão pouco que nem merece avaliação. Ficou nítido que ele só apareceu no cartaz por ter ganhado o Oscar de melhor ator coadjuvante na ano anterior por sua atuação em Pequena Miss Sunshine.

A trilha sonora do filme também é excelente. Músicas instrumentais, no estilo da trilha de Gladiador, todas muito adequadas as cenas em que são colocadas.

Reforçando, O Suspeito é um filme que precisa ser visto pelo menos uma vez, seja pelo elenco, pela história ou pelo simples prazer de ver um filme novo e bom.

(Rendition, Suspense, EUA, 2008)

Direção: Gavin Hood

Roteiro: Kelley Sane

Elenco: Reese Witherspoon, Jake Gyllenhaal, Meryl Streep, Alan Arkin, Omar Metwally, Peter Sarsgaard e J.K. Simmons.

R.I.P. Heath Ledger

23 janeiro, 2008 by

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Por Cristiane Fernandes

Venho por meio deste post manifestar meu choque e minha tristeza pela morte de um grande ator que estava há muito tempo em ascensão no mundo cinematográfico Hollywoodiano: Heath Ledger.

Heath Andrew Ledger, 28 anos, australiano, encontrado morto ontem (22/01) em um apartamento no bairro SoHo, em Nova Iorque. O jovem ator era muito conhecido e reconhecido por seus papéis em filmes como 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você, O Patriota, Coração de Cavaleiro, Casanova e, o mais recente pelo qual concorreu ao Oscar em 2005, O Segredo de Brokeback Mountain, no qual viveu Ennis Del Mar, um cowboy que tem um caso proibido com seu companheiro de trabalho Jack Twist (Jake Gyllenhaal).

O corpo já passou pela autópsia, mas o resultado foi considerado inconclusivo. Outros testes serão realizados e um novo resultado só sairá num prazo de dez dias. Foram encontradas ao lado do corpo pílulas, o que levam a suspeita de que a causa da morte tenha sido overdose. Heath revelou ao jornal New York Times, em 4 de novembro de 2007, que as gravações de Batman – O Cavaleiro das Trevas, seu último filme concluído, o deixaram física e mentalmente exausto e, por isso, ele passou a tomar medicamentos para dormir. Estes medicamentos, se tomados em excesso ou misturados com álcool, podem ser fatais.

Em Batman – O Cavaleiro das Trevas, Heath interpreta o Coringa, juntamente com Christian Bale, Michael Cane, Gary Oldman e Morgan Freeman, que já apareceram no último filme (Batman Begins) também dirigido por Christopher Nolan. Além de Heath, temos a ‘novata’ Maggie Gyllenhaal, substituindo o papel interpretado por Katie Holmes (ou sra. Cruise) no filme anterior.

Juntando o sucesso de Batman Begins, a expectativa dos fãs do herói e um Coringa que, baseando-se nas fotos em que Heath aparece insanamente caracterizado e no trailer, promete ser mais assustador do que qualquer outro, a próxima aventura do homem morcego provavelmente terá uma bilheteria record. O filme terá lançamento mundial no dia 18 de julho.

Heath estava gravando o não concluído The Imaginarium of Doctor Parnassus, ainda sem data prevista para lançamento.

Michelle Williams, ex-mulher de Heath, diz estar arrasada com a notícia da morte repentina do ator. Eles se conheceram durante as gravações de Brokeback Mountain e tiveram uma filha, Matilda, hoje com 2 anos. Michelle ainda afirma que ele era um ótimo pai e que eles continuavam bons amigos mesmo após a separação.

Outros atores manifestaram seus pêsames pela perda de um jovem ator tão talentoso e promissor. O mais chocante, foi a declaração de alguns amigos próximos de Heath que afirmaram que já previam que isso fosse acontecer, pois o ator estava passando por um ‘momento negro’ em sua vida, lutando para ficar sóbrio.

Agora, só resta aos fãs desolados esperar pelo lançamento de Batman – O Cavaleiro das Trevas para terem, pela última vez, o gostinho de ver um trabalho novo do ator. Deixo aqui registrado o meu lamento e meus sentimentos perante esta notícia que me deixou tão triste. E espero que agora ele esteja em paz.

HEATH LEDGER

* 04/04/1979

+ 22/01/2008

http://www.imdb.com/name/nm0005132/

Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street

11 janeiro, 2008 by

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Por Cristiane Fernandes

Acho que ninguém gosta de se decepcionar, não é verdade? Pois é, eu também não!

Ontem me decepcionei com o meu filme mais esperado dos últimos tempos (tudo bem que quanto maior a expectativa, maior é a chance de você se decepcionar), mas vou me esforçar para ser imparcial nessa resenha…

Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, musical ‘tragicomedy’ de Stephen Sondheim e recentemente adaptado para as telonas por Tim Burton (A Noiva Cadáver, Peixe Grande), conta a história de Benjamin Barker, um barbeiro londrino que foi preso injustamente por um juiz que queria roubar sua esposa. Após 15 anos na prisão, ele volta como Sweeney Todd e ávido por vingança, decidido a matar seus clientes com sua afiada navalha até ter em sua cadeira seu cliente mais esperado: o juiz que destruiu sua vida. Em parceria com Mrs. Lovett, a dona da loja de tortas de carne que fica embaixo de sua barbearia, suas vítimas são encaminhadas para um destino um tanto peculiar e, aparentemente, ‘apetitoso’.

Com um final surpreendente e inesperado, o filme consegue prender a atenção (e deixar alguns seriamente nauseados) do começo ao fim. Porém, nem tudo é perfeito e foi possível encontrar algumas falhas que me incomodaram bastante na adaptação de Burton.

Primeiro, a seleção. Acho que não é segredo pra ninguém que a nossa querida Helena Bonham Carter (Harry Potter e a Ordem da Fênix) só foi escalada por ser esposa do diretor. Afinal, algumas feras como Meryl Streep (O Diabo Veste Prada), Emma Thompson (Simplesmente Amor) e Toni Collette (Pequena Miss Sunshine) também fizeram teste para o papel e, sem dúvida alguma, teriam feito uma Mrs. Lovett melhor. Nada pessoal contra Helena, tenho até que parabenisá-la, pois fazer um filme nojento como esse estando nos primeiros meses de gravidez não é pra qualquer uma, mas infelizmente ela deixou bastante a desejar. Quando ouvi a trilha sonora, fiquei impressionada. Apesar de deslizes, como em God, That’s Good!, ela cantou muito bem The Worst Pies in London, Poor Thing e, em especial, By the Sea. Mas seus esforços vocais não foram suficientes para salvar sua péssima atuação. Sem expressão alguma e sem saber interpretar as canções, Helena tira bastante o brilho do filme, principalmente para os que já viram o revival do musical que ficou em cartaz na Broadway em 2005 e esperavam uma Mrs. Lovett tão boa quanto a interpretada pela maravilhosa Patti LuPone.

Segundo, o próprio Tim Burton, por sua falta de criatividade (o início do filme foi reaproveitado d’A Fantástica Fábrica de Chocolates, só adicionaram sangue) e por suas decisões mal tomadas, como ignorar a história de Johanna (filha de Sweeney, agora com 16 anos, que está sob custódia do juiz que prendeu seu pai) e Anthony (jovem marinheiro que ajudou Sweeney a voltar para Londres após ser libertado da prisão na Austrália e que se apaixona por Johanna), tornando-os meros coadjuvantes que não acrescentam nada ao filme, e escalar uma criança para interpretar Toby (ajudante de Adolfo Pirelli que é ‘adotado’ por Mrs. Lovett e que, no musical, não é uma criança e sim um adulto com leve retardo mental). Pode parecer um detalhe bobo, mas no final do filme faz MUITA diferença.

Também não gostei da maneira como o final foi apresentado. Aliás, creio que foi isso que mais estragou o filme. Não há desfecho e, antes que você consiga assimilar todos os acontecimentos inesperados, a tela fica preta e os créditos começam a passar.

Onde o filme acertou? Sem dúvida alguma na escalação do protagonista, que não foi surpresa já que a parceria Burton – Depp é antiga, e essa foi a sorte do diretor, pois Johnny (Edward Mãos de Tesoura) é quem salva o filme, superando expectativas tanto na trilha sonora quanto em sua atuação. Comparado com Michael Cerveris, que interpretou Sweeney no revival em 2005, Johnny não é tão assustador, mas ele consegue convencer e é com certeza a atração principal do filme.

Para não falarem que estou sendo boazinha com o Johnny só porque ele é lindo, vou fazer meus elogios ao resto do elenco também. Devo começar por Alan Rickman (Judge Turpin) que está, como sempre, excelente. Não tanto como cantor, pois a voz dele é boa para fazer vilões e não para cantar, mas sua atuação é sempre impecável e convincente. Assim como a de Sacha Baron Cohen (Signor Adolfo Pirelli), que, com seu falso sotaque italiano, é o único do filme que consegue arrancar risadas do público (no musical, é possível dar boas risadas, principalmente com a Mrs. Lovett, afinal, é uma tragiCOMEDY). Timothy Spall (Beadle Bamford) se sai tão bem quanto em todos os seus outros papéis, já que ele sempre interpreta o mesmo tipo de pessoa: capacho do vilão principal.

Destaque também para os novos talentos apresentados: Jayne Wisener (Johanna) e Jamie Campbell Bower (Anthony) que cantam e atuam muito bem. Laura Michelle Kelly (Lucy), apesar de não aparecer tanto e não ter feito seu melhor trabalho musical, é uma ótima artista, já tendo participado de diversos musicais como A Bela e a Fera, Les Miserables e Mamma Mia.

Mesmo com todos os contras que citei, sendo imparcial, Sweeney Todd é um ótimo filme que vale a pena ser visto pelo menos uma vez para que as pessoas se familiarizem com este musical maravilhoso.

Para os adoradores de sangue, assistir a esse filme será uma experiência incrível, pois sangue é o que não falta. Para os que têm estômago fraco, levem uma sacolinha e se preparem para não comer carne por um bom tempo!

(Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, Musical, EUA, 2007)

Direção: Tim Burton

Música e letras: Stephen Sondheim

Roteiro: John Logan

Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Sacha Baron Cohen, Timothy Spall, Jamie Campbell Bower, Jayne Wisener, Laura Michelle Kelly.

Site oficial: http://www.sweeneytoddmovie.com/

O Ultimato Bourne

9 dezembro, 2007 by

ultimato bourne

(The Bourne Ultimatum, Ação, EUA, 2007)

Direção: Paul Greengrass; Roteiro: Tony Gilroy, Scott Z. Burns e George Nolfi, baseado em estória de Tony Gilroy e em livro de Robert Ludlum; Produção: Patrick Crowley, Frank Marshall e Paul Sandberg; Música: John Powell; Fotografia: Oliver Wood; Edição: Christopher Rouse; Elenco: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Scott Glenn, Paddy Considine, Edgar Ramirez, Joan Allen, Daniel Brühl, Albert Finney.

Por Gustavo Lucas

Chega neste mês às locadoras “O Ultimato Bourne”, o filme é a parte final da trilogia baseada nos livros de Robert Ludlum, sobre o agente Jason Bourne e sua busca pelo passado. Dessa vez, a história começa antes do final do segundo filme “A Supremacia Bourne” (2004), mostrando assim os motivos que levaram Bourne a voltar para os Estados Unidos, e a partir daí descobrir a origem de seu envolvimento como assassino do governo.

A direção, assim como no antecessor, é de Paul Greengrass, que leva o filme em um ritmo de conclusão, sabendo selecionar bem os pontos da trama para revelar os acontecimentos importantes. As seqüências de ação estão muito bem realizadas e deixam o espectador realmente empolgado. Vale destacar a seqüência da estação de trem Waterloo, e a luta de Bourne com um assassino que recebeu o mesmo treinamento que ele (trecho em que não há trilha musical, apenas efeitos sonoros, deixando a cena muito mais tensa e pesada).

A escolha de Matt Damon como Jason Bourne foi fundamental desde o começo da trilogia, pois ele consegue cativar o público com seu lado desmemoriado e inocente, e de repente, se mostrar frio, calculista e agressivo sem que o espectador condene o personagem por isso. Como vilão deste filme, temos David Strathairn, como um dos cabeças por trás do treinamento de Bourne, que apesar de ser um ator de destaque, não convence tanto como Brian Cox ou Chris Cooper nos anteriores.

A trilha musical de John Powell marca bem os acontecimentos do filme, elevando a eficácia dela sobre o espectador.

Para fãs de filmes de ação e espionagem, “O Ultimato Bourne” é uma excelente opção, então corra na locadora mais próxima e garanta o seu!

Jesus Cristo Superstar

25 novembro, 2007 by

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Por Cristiane Fernandes 

Decidi quebrar esta seqüência de filmes recentes apresentados neste blog falando sobre um clássico: o musical Jesus Cristo Superstar.

Como uma boa amante de musicais, sinto-me no direito de dizer que este é sem dúvidas um dos melhores que existem e, talvez, o melhor trabalho da dupla Andrew Lloyd Webber e Tim Rice.

Com melodias marcantes, letras inteligentes e uma abordagem inédita e única de uma famosa história, essa ópera rock mostra os três últimos dias de vida de Jesus Cristo pelo ponto de vista de Judas Iscariotes, o apóstolo que o traiu.

Devo ressaltar que transformar um musical em filme é algo delicado. Apesar de muitos sucessos, nem sempre dá certo. Ou, mesmo que dê certo, pode não ser a mesma coisa, já que um musical é montado para ser apresentado em um palco, com muito menos recursos e possibilidades do que um filme, mas a adaptação para a telona pode acabar descaracterizando a história.

Por exemplo, o maravilhoso Fantasma da Ópera. Sou fã do filme, adorei o que foi acrescentado ao final, mas não há comparação entre esta versão e o musical visto ao vivo (em inglês, é claro, porque “o fantaaaaasma da ópera estáááá…” é muito ruim!).

Já o também maravilhoso Chicago ficou, na minha humilde opinião, muito melhor em filme do que o musical que é extremamente lento. Os intérpretes não aproveitam o palco, os figurinos não têm cores fortes, por exemplo. Não vou tirar todo o crédito deles, porque ver algumas de suas músicas favoritas serem interpretadas ao vivo é impagável (chorei tanto durante Mister Cellophane que a senhora sentada ao meu lado me perguntou se eu estava bem). Porém, quem assistiu ao filme primeiro e vai ao teatro esperando ver toda aquela energia, cores e danças vai se decepcionar.

Jesus Cristo Superstar é tão perfeito que ficou ótimo em todas as versões possíveis e imagináveis. O musical, o filme, a versão em português, os revivals… Todos perfeitos!

Se todos são tão perfeitos, você deve estar se perguntando o que o filme tem de tão especial. Além de alguns detalhes que o enriquecem, como ter sido gravado em Israel, é, sem dúvida, o elenco que torna essa versão tão diferente das outras.

Começando pelo protagonista, o imbatível Ted Neeley. Considerado o melhor intérprete de todos os tempos (e com razão), é ele que garante o sucesso do filme. Hoje, com 64 anos, ele está novamente interpretando Jesus na sua turnê de despedida pelos EUA e Canadá. Nitidamente mais velho, mas com a mesma voz de mais de 30 anos atrás, Ted Neeley tem emocionado muitos fãs que sonhavam em vê-lo ao vivo.

Com exceção da Maria Madalena (Yvonne Elliman) que será minha eterna decepção, todo o elenco impressiona e dá um verdadeiro show com suas vozes fortes e suas atuações convincentes. Judas Iscariotes (Carl Anderson), Pilatos (Barry Dennen) e Herodes (Josh Mostel) merecem destaque.

Para os fãs de filmes mais recentes e adoradores de efeitos especiais, mantenham em mente que este filme conta uma história que aconteceu há 2000 anos e foi feito em 1973, o que, aliás, também serve de justificativa para os figurinos hippies, acessórios e cortes de cabelo.

Enfim, Jesus Cristo Superstar não deve agradar a todos, mas é sem dúvida um filme que deve ser acrescentado à lista de clássicos que devem ser vistos pelo menos uma vez antes de morrer.

(Jesus Christ Superstar, Musical, EUA, 1973)

Diretor: Norman Jewison

Roteiro: Tim Rice e Norman Jewison

Música: Andrew Lloyd Webber

Letras: Tim Rice

Elenco: Ted Neeley, Carl Anderson, Yvonne Elliman, Barry Dennen, Bob Bingham, Josh Mostel.