Juno

7 fevereiro, 2008 by

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Por Cristiane Fernandes

Como você lidaria com uma gravidez inesperada aos 16 anos de idade? Bom, isso não importa, já que você com certeza não é uma pessoa tão diferente e especial como Juno. Uma adolescente que foge dos clichês, tem respostas na ponta da língua para tudo e certamente não vê o mundo como a maioria. Essa é Juno.

Após engravidar de seu amigo de classe e desistir de fazer um aborto após uma colega lhe dizer que o bebê tem unhas, Juno (Ellen Page) decidi contar a verdade para todos, encarar sua gravidez e procurar pais adotivos para a criança, já que ela tem total noção de não ter capacidade de cuidar de uma criança enquanto cursa o colegial. Com o apoio de sua família e amigos, ela encontra uma família perfeita (ou quase). A partir daí, acompanhamos um ano de sua vida, incluindo a gravidez, o parto e alguns meses pós-parto.

O filme é apresentado de uma maneira envolvente, mantendo um ritmo muito agradável e dinâmico durante sua uma hora e meia de exibição. Impossível não ser cativado por Juno.

As atuações são tão naturais que em diversos momentos é possível esquecer que é apenas um filme com uma história e personagens fictícias. A jovem protagonista de apenas 20 anos mereceu sua indicação ao Oscar apesar das chances dela levar a estatueta dourada para casa serem remotas. De maneira muito convincente, Ellen Page nos mostra como uma adolescente não convencional ‘funciona’ atualmente. A atriz está na lista de carreiras em ascensão em Hollywood e podemos esperar grandes papéis dela.

Não poderia ser injusta e deixar todo o mérito para ela. Um elenco com grandes nomes é certeza de grandes performances. J.K. Simmons e Allison Janney como o pai e a madrasta de Juno também estão excelentes, assim como Jennifer Garner e Jason Bateman como os futuros pais adotivos da criança. Os novatos Michael Cera e Olívia Thirlby, pai do bebê e melhor amiga, também contribuem para deixar o filme mais realista.

Apesar da protagonista ser fã de punk rock, a trilha sonora é recheada com típicas músicas country americanas, o que pode ser constatado logo na cena de abertura. Isso pode soar como algo ruim para alguns, mas, como uma boa fanática por trilhas sonoras, posso dizer que ela se encaixa muito bem ao filme, ajuda a nos envolver na história e que estou ansiosa para comprar esse CD.

Apesar de não ter muitas chances de levar o Oscar de melhor filme, Juno foi indicado merecidamente, estarei na torcida e recomendo a todos que assistam a esse filme maravilhoso.

(Juno, Drama, Canadá, 2007)

Direção: Jason Reitman

Roteiro: Diablo Cody

Elenco: Ellen Paige, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, J.K. Simmons, Allison Janney e Olívia Thirlby

O Suspeito

6 fevereiro, 2008 by

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Por Cristiane Fernandes

Um dos meus fatores determinantes para decidir se um filme vale a pena ser visto ou não é o elenco. Quando vi o elenco de O Suspeito (Rendition), imediatamente fiquei ansiosa para vê-lo. Isso porque eu ainda não sabia que além Reese Witherspoon, Jake Gyllenhaal, Meryl Streep e Alan Arkin, eu também encontraria Peter Sarsgaard e J.K. Simmons no decorrer do filme juntamente com um elenco de desconhecidos talentosos.

O Suspeito conta a história de Anwar El-Ibrahimi (Omar Metwally),um egípcio que mora nos Estados Unidos há muitos anos e se torna suspeito de um ataque terrorista na Tunísia. Para que ele seja interrogado, a CIA (Agência Central de Inteligência americana) o seqüestra enquanto estava no aeroporto a caminho de casa. Sua esposa, Isabella Fields El-Ibrahimi (Reese Witherspoon), mesmo estando grávida, entra em uma investigação por conta própria para descobrir o que aconteceu com o marido.

Junto com a equipe que está interrogando El-Ibrahimi, liderada por Corrine Whitman (Meryl Streep), se encontra o novato Douglas Freeman (Jake Gyllenhaal), que fica dividido por não conseguir aprovar nem aceitar as torturas aplicadas ao suspeito.

Acompanhamos a agonia e desespero das personagens durante todo o filme enquanto, em paralelo, assistimos aos acontecimentos que levaram ao ataque pelo qual o prisioneiro está sendo acusado e que nos levarão a descobrir se ele é realmente inocente, como afirma ser.

Com atuações excelentes e uma história envolvente, O Suspeito consegue prender a atenção do começo ao fim. Omar Metwally merece destaque por ser o menos conhecido entre os que mais aparecem durante o filme e o que apresenta melhor atuação. Meryl Streep dispensa comentários, afinal, a melhor atriz dos últimos tempos está sempre excelente. Reese e Jake também são ótimo, estão entre meus atores preferidos, mas não fizeram nada além do esperado. Alan Arkin aparece tão pouco que nem merece avaliação. Ficou nítido que ele só apareceu no cartaz por ter ganhado o Oscar de melhor ator coadjuvante na ano anterior por sua atuação em Pequena Miss Sunshine.

A trilha sonora do filme também é excelente. Músicas instrumentais, no estilo da trilha de Gladiador, todas muito adequadas as cenas em que são colocadas.

Reforçando, O Suspeito é um filme que precisa ser visto pelo menos uma vez, seja pelo elenco, pela história ou pelo simples prazer de ver um filme novo e bom.

(Rendition, Suspense, EUA, 2008)

Direção: Gavin Hood

Roteiro: Kelley Sane

Elenco: Reese Witherspoon, Jake Gyllenhaal, Meryl Streep, Alan Arkin, Omar Metwally, Peter Sarsgaard e J.K. Simmons.

R.I.P. Heath Ledger

23 janeiro, 2008 by

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Por Cristiane Fernandes

Venho por meio deste post manifestar meu choque e minha tristeza pela morte de um grande ator que estava há muito tempo em ascensão no mundo cinematográfico Hollywoodiano: Heath Ledger.

Heath Andrew Ledger, 28 anos, australiano, encontrado morto ontem (22/01) em um apartamento no bairro SoHo, em Nova Iorque. O jovem ator era muito conhecido e reconhecido por seus papéis em filmes como 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você, O Patriota, Coração de Cavaleiro, Casanova e, o mais recente pelo qual concorreu ao Oscar em 2005, O Segredo de Brokeback Mountain, no qual viveu Ennis Del Mar, um cowboy que tem um caso proibido com seu companheiro de trabalho Jack Twist (Jake Gyllenhaal).

O corpo já passou pela autópsia, mas o resultado foi considerado inconclusivo. Outros testes serão realizados e um novo resultado só sairá num prazo de dez dias. Foram encontradas ao lado do corpo pílulas, o que levam a suspeita de que a causa da morte tenha sido overdose. Heath revelou ao jornal New York Times, em 4 de novembro de 2007, que as gravações de Batman – O Cavaleiro das Trevas, seu último filme concluído, o deixaram física e mentalmente exausto e, por isso, ele passou a tomar medicamentos para dormir. Estes medicamentos, se tomados em excesso ou misturados com álcool, podem ser fatais.

Em Batman – O Cavaleiro das Trevas, Heath interpreta o Coringa, juntamente com Christian Bale, Michael Cane, Gary Oldman e Morgan Freeman, que já apareceram no último filme (Batman Begins) também dirigido por Christopher Nolan. Além de Heath, temos a ‘novata’ Maggie Gyllenhaal, substituindo o papel interpretado por Katie Holmes (ou sra. Cruise) no filme anterior.

Juntando o sucesso de Batman Begins, a expectativa dos fãs do herói e um Coringa que, baseando-se nas fotos em que Heath aparece insanamente caracterizado e no trailer, promete ser mais assustador do que qualquer outro, a próxima aventura do homem morcego provavelmente terá uma bilheteria record. O filme terá lançamento mundial no dia 18 de julho.

Heath estava gravando o não concluído The Imaginarium of Doctor Parnassus, ainda sem data prevista para lançamento.

Michelle Williams, ex-mulher de Heath, diz estar arrasada com a notícia da morte repentina do ator. Eles se conheceram durante as gravações de Brokeback Mountain e tiveram uma filha, Matilda, hoje com 2 anos. Michelle ainda afirma que ele era um ótimo pai e que eles continuavam bons amigos mesmo após a separação.

Outros atores manifestaram seus pêsames pela perda de um jovem ator tão talentoso e promissor. O mais chocante, foi a declaração de alguns amigos próximos de Heath que afirmaram que já previam que isso fosse acontecer, pois o ator estava passando por um ‘momento negro’ em sua vida, lutando para ficar sóbrio.

Agora, só resta aos fãs desolados esperar pelo lançamento de Batman – O Cavaleiro das Trevas para terem, pela última vez, o gostinho de ver um trabalho novo do ator. Deixo aqui registrado o meu lamento e meus sentimentos perante esta notícia que me deixou tão triste. E espero que agora ele esteja em paz.

HEATH LEDGER

* 04/04/1979

+ 22/01/2008

http://www.imdb.com/name/nm0005132/

Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street

11 janeiro, 2008 by

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Por Cristiane Fernandes

Acho que ninguém gosta de se decepcionar, não é verdade? Pois é, eu também não!

Ontem me decepcionei com o meu filme mais esperado dos últimos tempos (tudo bem que quanto maior a expectativa, maior é a chance de você se decepcionar), mas vou me esforçar para ser imparcial nessa resenha…

Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, musical ‘tragicomedy’ de Stephen Sondheim e recentemente adaptado para as telonas por Tim Burton (A Noiva Cadáver, Peixe Grande), conta a história de Benjamin Barker, um barbeiro londrino que foi preso injustamente por um juiz que queria roubar sua esposa. Após 15 anos na prisão, ele volta como Sweeney Todd e ávido por vingança, decidido a matar seus clientes com sua afiada navalha até ter em sua cadeira seu cliente mais esperado: o juiz que destruiu sua vida. Em parceria com Mrs. Lovett, a dona da loja de tortas de carne que fica embaixo de sua barbearia, suas vítimas são encaminhadas para um destino um tanto peculiar e, aparentemente, ‘apetitoso’.

Com um final surpreendente e inesperado, o filme consegue prender a atenção (e deixar alguns seriamente nauseados) do começo ao fim. Porém, nem tudo é perfeito e foi possível encontrar algumas falhas que me incomodaram bastante na adaptação de Burton.

Primeiro, a seleção. Acho que não é segredo pra ninguém que a nossa querida Helena Bonham Carter (Harry Potter e a Ordem da Fênix) só foi escalada por ser esposa do diretor. Afinal, algumas feras como Meryl Streep (O Diabo Veste Prada), Emma Thompson (Simplesmente Amor) e Toni Collette (Pequena Miss Sunshine) também fizeram teste para o papel e, sem dúvida alguma, teriam feito uma Mrs. Lovett melhor. Nada pessoal contra Helena, tenho até que parabenisá-la, pois fazer um filme nojento como esse estando nos primeiros meses de gravidez não é pra qualquer uma, mas infelizmente ela deixou bastante a desejar. Quando ouvi a trilha sonora, fiquei impressionada. Apesar de deslizes, como em God, That’s Good!, ela cantou muito bem The Worst Pies in London, Poor Thing e, em especial, By the Sea. Mas seus esforços vocais não foram suficientes para salvar sua péssima atuação. Sem expressão alguma e sem saber interpretar as canções, Helena tira bastante o brilho do filme, principalmente para os que já viram o revival do musical que ficou em cartaz na Broadway em 2005 e esperavam uma Mrs. Lovett tão boa quanto a interpretada pela maravilhosa Patti LuPone.

Segundo, o próprio Tim Burton, por sua falta de criatividade (o início do filme foi reaproveitado d’A Fantástica Fábrica de Chocolates, só adicionaram sangue) e por suas decisões mal tomadas, como ignorar a história de Johanna (filha de Sweeney, agora com 16 anos, que está sob custódia do juiz que prendeu seu pai) e Anthony (jovem marinheiro que ajudou Sweeney a voltar para Londres após ser libertado da prisão na Austrália e que se apaixona por Johanna), tornando-os meros coadjuvantes que não acrescentam nada ao filme, e escalar uma criança para interpretar Toby (ajudante de Adolfo Pirelli que é ‘adotado’ por Mrs. Lovett e que, no musical, não é uma criança e sim um adulto com leve retardo mental). Pode parecer um detalhe bobo, mas no final do filme faz MUITA diferença.

Também não gostei da maneira como o final foi apresentado. Aliás, creio que foi isso que mais estragou o filme. Não há desfecho e, antes que você consiga assimilar todos os acontecimentos inesperados, a tela fica preta e os créditos começam a passar.

Onde o filme acertou? Sem dúvida alguma na escalação do protagonista, que não foi surpresa já que a parceria Burton – Depp é antiga, e essa foi a sorte do diretor, pois Johnny (Edward Mãos de Tesoura) é quem salva o filme, superando expectativas tanto na trilha sonora quanto em sua atuação. Comparado com Michael Cerveris, que interpretou Sweeney no revival em 2005, Johnny não é tão assustador, mas ele consegue convencer e é com certeza a atração principal do filme.

Para não falarem que estou sendo boazinha com o Johnny só porque ele é lindo, vou fazer meus elogios ao resto do elenco também. Devo começar por Alan Rickman (Judge Turpin) que está, como sempre, excelente. Não tanto como cantor, pois a voz dele é boa para fazer vilões e não para cantar, mas sua atuação é sempre impecável e convincente. Assim como a de Sacha Baron Cohen (Signor Adolfo Pirelli), que, com seu falso sotaque italiano, é o único do filme que consegue arrancar risadas do público (no musical, é possível dar boas risadas, principalmente com a Mrs. Lovett, afinal, é uma tragiCOMEDY). Timothy Spall (Beadle Bamford) se sai tão bem quanto em todos os seus outros papéis, já que ele sempre interpreta o mesmo tipo de pessoa: capacho do vilão principal.

Destaque também para os novos talentos apresentados: Jayne Wisener (Johanna) e Jamie Campbell Bower (Anthony) que cantam e atuam muito bem. Laura Michelle Kelly (Lucy), apesar de não aparecer tanto e não ter feito seu melhor trabalho musical, é uma ótima artista, já tendo participado de diversos musicais como A Bela e a Fera, Les Miserables e Mamma Mia.

Mesmo com todos os contras que citei, sendo imparcial, Sweeney Todd é um ótimo filme que vale a pena ser visto pelo menos uma vez para que as pessoas se familiarizem com este musical maravilhoso.

Para os adoradores de sangue, assistir a esse filme será uma experiência incrível, pois sangue é o que não falta. Para os que têm estômago fraco, levem uma sacolinha e se preparem para não comer carne por um bom tempo!

(Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, Musical, EUA, 2007)

Direção: Tim Burton

Música e letras: Stephen Sondheim

Roteiro: John Logan

Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Sacha Baron Cohen, Timothy Spall, Jamie Campbell Bower, Jayne Wisener, Laura Michelle Kelly.

Site oficial: http://www.sweeneytoddmovie.com/

O Ultimato Bourne

9 dezembro, 2007 by

ultimato bourne

(The Bourne Ultimatum, Ação, EUA, 2007)

Direção: Paul Greengrass; Roteiro: Tony Gilroy, Scott Z. Burns e George Nolfi, baseado em estória de Tony Gilroy e em livro de Robert Ludlum; Produção: Patrick Crowley, Frank Marshall e Paul Sandberg; Música: John Powell; Fotografia: Oliver Wood; Edição: Christopher Rouse; Elenco: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Scott Glenn, Paddy Considine, Edgar Ramirez, Joan Allen, Daniel Brühl, Albert Finney.

Por Gustavo Lucas

Chega neste mês às locadoras “O Ultimato Bourne”, o filme é a parte final da trilogia baseada nos livros de Robert Ludlum, sobre o agente Jason Bourne e sua busca pelo passado. Dessa vez, a história começa antes do final do segundo filme “A Supremacia Bourne” (2004), mostrando assim os motivos que levaram Bourne a voltar para os Estados Unidos, e a partir daí descobrir a origem de seu envolvimento como assassino do governo.

A direção, assim como no antecessor, é de Paul Greengrass, que leva o filme em um ritmo de conclusão, sabendo selecionar bem os pontos da trama para revelar os acontecimentos importantes. As seqüências de ação estão muito bem realizadas e deixam o espectador realmente empolgado. Vale destacar a seqüência da estação de trem Waterloo, e a luta de Bourne com um assassino que recebeu o mesmo treinamento que ele (trecho em que não há trilha musical, apenas efeitos sonoros, deixando a cena muito mais tensa e pesada).

A escolha de Matt Damon como Jason Bourne foi fundamental desde o começo da trilogia, pois ele consegue cativar o público com seu lado desmemoriado e inocente, e de repente, se mostrar frio, calculista e agressivo sem que o espectador condene o personagem por isso. Como vilão deste filme, temos David Strathairn, como um dos cabeças por trás do treinamento de Bourne, que apesar de ser um ator de destaque, não convence tanto como Brian Cox ou Chris Cooper nos anteriores.

A trilha musical de John Powell marca bem os acontecimentos do filme, elevando a eficácia dela sobre o espectador.

Para fãs de filmes de ação e espionagem, “O Ultimato Bourne” é uma excelente opção, então corra na locadora mais próxima e garanta o seu!

Jesus Cristo Superstar

25 novembro, 2007 by

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Por Cristiane Fernandes 

Decidi quebrar esta seqüência de filmes recentes apresentados neste blog falando sobre um clássico: o musical Jesus Cristo Superstar.

Como uma boa amante de musicais, sinto-me no direito de dizer que este é sem dúvidas um dos melhores que existem e, talvez, o melhor trabalho da dupla Andrew Lloyd Webber e Tim Rice.

Com melodias marcantes, letras inteligentes e uma abordagem inédita e única de uma famosa história, essa ópera rock mostra os três últimos dias de vida de Jesus Cristo pelo ponto de vista de Judas Iscariotes, o apóstolo que o traiu.

Devo ressaltar que transformar um musical em filme é algo delicado. Apesar de muitos sucessos, nem sempre dá certo. Ou, mesmo que dê certo, pode não ser a mesma coisa, já que um musical é montado para ser apresentado em um palco, com muito menos recursos e possibilidades do que um filme, mas a adaptação para a telona pode acabar descaracterizando a história.

Por exemplo, o maravilhoso Fantasma da Ópera. Sou fã do filme, adorei o que foi acrescentado ao final, mas não há comparação entre esta versão e o musical visto ao vivo (em inglês, é claro, porque “o fantaaaaasma da ópera estáááá…” é muito ruim!).

Já o também maravilhoso Chicago ficou, na minha humilde opinião, muito melhor em filme do que o musical que é extremamente lento. Os intérpretes não aproveitam o palco, os figurinos não têm cores fortes, por exemplo. Não vou tirar todo o crédito deles, porque ver algumas de suas músicas favoritas serem interpretadas ao vivo é impagável (chorei tanto durante Mister Cellophane que a senhora sentada ao meu lado me perguntou se eu estava bem). Porém, quem assistiu ao filme primeiro e vai ao teatro esperando ver toda aquela energia, cores e danças vai se decepcionar.

Jesus Cristo Superstar é tão perfeito que ficou ótimo em todas as versões possíveis e imagináveis. O musical, o filme, a versão em português, os revivals… Todos perfeitos!

Se todos são tão perfeitos, você deve estar se perguntando o que o filme tem de tão especial. Além de alguns detalhes que o enriquecem, como ter sido gravado em Israel, é, sem dúvida, o elenco que torna essa versão tão diferente das outras.

Começando pelo protagonista, o imbatível Ted Neeley. Considerado o melhor intérprete de todos os tempos (e com razão), é ele que garante o sucesso do filme. Hoje, com 64 anos, ele está novamente interpretando Jesus na sua turnê de despedida pelos EUA e Canadá. Nitidamente mais velho, mas com a mesma voz de mais de 30 anos atrás, Ted Neeley tem emocionado muitos fãs que sonhavam em vê-lo ao vivo.

Com exceção da Maria Madalena (Yvonne Elliman) que será minha eterna decepção, todo o elenco impressiona e dá um verdadeiro show com suas vozes fortes e suas atuações convincentes. Judas Iscariotes (Carl Anderson), Pilatos (Barry Dennen) e Herodes (Josh Mostel) merecem destaque.

Para os fãs de filmes mais recentes e adoradores de efeitos especiais, mantenham em mente que este filme conta uma história que aconteceu há 2000 anos e foi feito em 1973, o que, aliás, também serve de justificativa para os figurinos hippies, acessórios e cortes de cabelo.

Enfim, Jesus Cristo Superstar não deve agradar a todos, mas é sem dúvida um filme que deve ser acrescentado à lista de clássicos que devem ser vistos pelo menos uma vez antes de morrer.

(Jesus Christ Superstar, Musical, EUA, 1973)

Diretor: Norman Jewison

Roteiro: Tim Rice e Norman Jewison

Música: Andrew Lloyd Webber

Letras: Tim Rice

Elenco: Ted Neeley, Carl Anderson, Yvonne Elliman, Barry Dennen, Bob Bingham, Josh Mostel.

Ratatouille

15 novembro, 2007 by

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Por Cristiane Fernandes 

É incontestável: Remy, o ratinho aspirante a chef de cozinha, consegue conquistar até os mais frescos e obcecados por limpeza.

Ratatouille (prato típico da região de Provence feito a base de berinjela, tomate, pimentão e outros legumes a gosto), o mais recente filme de parceria Disney – Pixar, conta a história de um ratinho, Remy, de paladar e olfato apurados. Ele sonha em se tornar um famoso chefe de cozinha, apesar de todos os outros ratos de sua colônia, liderados por seu pai, se oporem a essa idéia.

O destino leva Remy a Paris, mais especificamente ao porão do restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau, que sempre pregou que “todo mundo pode cozinhar”. Inspirado por esse bordão, o ratinho decide lutar por seu sonho.

Através de uma inusitada parceria, Remy e Linguini, o responsável pela limpeza do local e sem talento algum para cozinhar, passam a criar pratos e a se destacar na cozinha do restaurante que estava indo por água abaixo após duras críticas e a morte de Gusteau. Juntos, eles passarão por diversas dificuldades e situações inesperadas, além do maior e mais óbvio desafio de todos: Remy ser um rato, uma das criaturas menos bem-vindas em uma cozinha.

O simpático ratinho protagonista tem que enfrentar os preconceitos dos humanos e de seus próprios familiares, escolher entre seguir seu sonho ou voltar a viver com sua família e aceitar ser quem ele realmente é.

Do mesmo diretor de Os Incríveis, Brad Bird, Ratatouille aborda temas como preconceito e saber aceitar a si mesmo de uma maneira leve e divertida. Mais um trabalho maravilhoso da Disney – Pixar que consegue cativar públicos de diversas idades.

O filme passa por momentos emocionantes, comoventes e principalmente hilariantes. Além de efeitos e uma fotografia de deixar qualquer um de boca aberta e com vontade de arrumar as malas e ir para Paris. Ideal de se ter em casa para animar aquelas tardes nubladas, chuvosas e sem muita coisa para ser feita.

A animação ‘Quase Abduzido’ (que pode ser vista através do menu do DVD) também merece destaque e elogios. Este curta envolvendo um humano com sono pesado e um extra-terrestre em treinamento também arrancará boas risadas.

(Ratatouille, Animação, EUA, 2007)

Diretor: Brad Bird

Roteiro: Brad Bird

Elenco: Patton Oswalt, Ian Holm, Lou Romano, Brian Dennehy, Peter Sohn, Peter O’Toole, Brad Garrett, Janeane Garofalo

1408

2 novembro, 2007 by

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Por Claudio Prandoni

O novo longa-metragem estrelado por John Cusack é baseado num conto de Stephen King, o que pode já rotulá-lo como sendo de terror. Porém, apesar de ser bem objetivo, o filme consegue ir além disso.

O protagonista é Michael Enslin, um amargurado escritor que ganha a vida escrevendo sobre supostas experiências que teve com assombrações, poltergeists e coisas do tipo. Eventualmente, a atenção dele acaba sendo chamada para o Hotel Dolphin, em Nova Iorque, mais especificamente para o quarto 1408.

Após insistir muito com o gerente do hotel, Gerald Olin (que aqui no caso estaria sendo vivido por Samuel L. Jackson), que tenta dissuadir o repórter expondo um minucioso relatório das estranhas e inexplicáveis mortes ocorridas no dormitório, Enslin parte nesta jornada (apenas de ida?).

A estadia do rapaz no quarto é, numa analogia mais ou menos próxima, como o passeio de Alice no País das Maravilhas. Coisas estranhas e inexplicáveis acontecem o tempo todo sem que Enslin, ou o público, entenda bem o que se passa. Boa parte da diversão vem dessa imprevisibilidade do filme. Difícil conter a ansiedade e imaginação enquanto se espera pela próxima investida do 1408.

O outro pedaço da brincadeira vem do próprio protagonista. A maneira como ele encara as maluquices que se apresentam é divertida por conta da excessiva ironia de Enslin. Eventualmente, as situações acabam utilizando os sentimentos, medos e desejos mais íntimos do escritor para aterrorizá-lo e tentar seduzi-lo ao suicídio.

Ainda que munido de certos clichês e poucas reviravoltas realmente imprevisíveis, 1408 prende até o final por conta das peripécias que o quarto apronta. Não assusta nem marca o cinema de terror com uma marca indelével, mas vale uma ida ao cinema. Com pipoca.

(1408, Terror, EUA, 2007)

Direção: Mikael Håfström
Roteiro: Scott Alexander, Matt Greenberg, Larry Karaszewski, Stephen King (conto original)
Produção: Lorenzo di Bonaventura
Elenco: Samuel L. Jackson, John Cusack, Mary McCormack, Jasmine Jessica, Anthony, Tony Shalhoub
Música: Gabriel Yared
Fotografia: Benoît Delhomme

Quebra de Confiança

30 outubro, 2007 by

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(Breach, Suspense, EUA, 2007) 

Direção: Billy Ray; Roteiro: William Rotko, Billy Ray e Adam Mazer; Produção: Scott Kroopf, Robert F. Newmyer e Scott Strauss; Música: Mychael Danna; Fotografia: Tak Fujimoto; Elenco: Chris Cooper , Ryan Phillippe, Laura Linney, Caroline Dhavernas, Gary Cole, Dennis Haysbert, Kathleen Quinlan, Bruce Davison.

Por Gustavo Lucas 

Depois de uma estadia curta nos cinemas nacionais, “Quebra de Confiança“ chegou recentemente às locadoras e chama atenção pela sua história. 

A trama gira em torno de um aspirante a agente do FBI, Eric O’Neil (Phillippe), que recebe a função de vigiar o rígido agente Robert Hanssen (Cooper) atuando como seu novo secretário. De início, inconformado com a relevância dessa missão, Eric vai aos poucos conhecendo e convivendo com seu chefe, a ponto de admirá-lo, até descobrir que o verdadeiro objetivo de sua missão é prendê-lo por espionagem. 

O que chama a atenção é que o roteiro é baseado em uma história real e muito recente (Robert Hanssen foi preso em 2001), mostrando que espionagem não é coisa do passado. Apesar de uma história bem interessante, o filme não consegue desenvoler essa história de forma empolgante. O filme se resume a retratar exatamente o que ocorreu naquele período, e como o espectador já conhece o desfecho, o resultado final é lento e sem emoção. 

O ator Ryan Phillipe não consegue convencer no papel e, como desempenha o personagem-chave da trama, não ajuda muito a segurar a atenção do espectador. O contrário acontece com Chris Cooper, que está no seu melhor tipo de papel, personagens extremamente fechados e imprevisíveis.

Parando para pensar, talvez se o filme abordasse o ponto de vista do espião em relação ao seu secretário, o resultado fosse bem mais empolgante.  

Enfim, “Quebra de Confiança” merece no máximo uma alugada, mais para conferir o trabalho de Chris Cooper.

Resident Evil 3: A Extinção

29 outubro, 2007 by

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Por Claudio Prandoni

Como já era de se esperar, o filme não segue em praticamente nada a mitologia oficial da série e chega a ser engraçado de tão tosco e fantasioso. O que não quer dizer que seja um filme ruim. Eu acho…

A trama continua quase exatamente do ponto em que Resident Evil: Apocalypse. Ou seja, após a aniquilação total de Raccoon City e a nova fuga de Alice (novamente a angelical mocinha Milla Jovovich) da famigerada Umbrella Corporation.

Diferindo totalmente do jogo, aqui o T-Virus não foi contido e o mundo inteiro foi infectado. Sem muita explicação lógica, isso levou também os rios a secarem e, conseqüentemente, um aceleramento no processo de erosão natural do planeta, transformando-o num grande deserto. Assim, cria-se um cenário desolado que propicia uma dinâmica a um só tempo diferente e parecida com aquela vista nos jogos.

Por certo prisma, temos um ambiente enorme a ser explorado. Não mais uma mansão ou uma cidade, mas sim um país (no caso, os EUA). Encarando de outra maneira, o palco da ação é dominado também pela incerteza e tensão em relação aos perigos que vem pela frente – aspecto que permeia os games.

Spoilers à parte, o enredo segue um caminho bem previsível com uma ou outra leve surpresa algumas seqüências de ação bem sacadas e empolgantes – outras nem tanto…
Alice dispõe de uma série de artimanhas pouco exploradas até então que adquirem cores mais vivas e o relacionamento tão próximo dela com a Umbrella é explorado de maneira mais inteligente também.

Um ponto que acabará decepcionando – novamente – os fãs da série é a descaracterização de figuras conhecidas. Claire Redfield deixou de ser uma mocinha policial quase indefesa para virar uma frentista durona, com direito a boné e caminhão. Carlos Olivera é um pouco melhor e, tal qual em Apocalypse, é uma figura muito mais importante do que efetivamente é nos games.
Uma outra surpresa desempenha papel crucial na aventura também, tanto quanto nos jogos, mas prefiro não revelá-la – apesar de que muitos já devem saber de quem se trata.

No mais, referências muito, muito sutis pipocam vez ou outra, mas nada tão contundente como em Apocalypse, disparado o filme da trilogia que mais se aproxima dos jogos (principalmente por conta da aparição de Jill Valentine no modelito RE3: Nemesis). Os mais atentos perceberão principalmente a recriação de situações vistas em praticamente todos os capítulos de RE, até os mais obscuros. Os montros são todos conhecidas, mas eu pessoalmente senti falta dos malditos Hunters. Nada é mais amedrontador do que aquilo – a medalha de prata por muita pouca diferença vai pros Regenerators do RE4.

Os efeitos especiais estão bem melhores desta vez, principalmente no departamento de maquiagem. Fiquei particularmente impressionante com acabamento feito nos cachorros-zumbis. Contudo, é possível distinguir alguns truques de tela verde e computação gráfica que não encaixaram muito bem.

As cenas de ação alternam muito entre super legais e toscas e previsíveis. Como comentei, o diretor Russel Mulcahy até tira alguns truques da manga, mas de maneira geral há situações muito babóides.

Por que toda vez que alguém mata um zumbi tem que fechar os olhos e respirar aliviado? Vejamos, estamos num mundo dominado por essas criaturas nojentas, claro que eliminando apenas uma delas as outras vão ficar com medo e fugir, certo? Errado! Óbvio que outro estará fungando no seu pescoço doidinho para mordê-lo. Mas nenhum dos personagens do filme pensa nisso. Sério, conte quantas vezes este tipo de situação ocorre e fique indignado como eu.

Antes que eu me esqueça, a trilha sonora mantém o ritmo barra pesada das outras incursões cinematográficas. Porém, desta vez não conta com nomes famosos a exemplo de Slipknot, Rammstein e Marylin Manson, como rolou nas outras películas. Ponto positivo pra trilha remixada das salinhas de save do jogo, que serve de trilha para vários momentos de Extinction.

A despeito das críticas duríssima feitas aos outros filmes, o longa-metragem deixa uma ponta gigantescamente absurda no final, praticamente garantido uma quarta aventura. Confesso que não espero muitas melhorias no quesito “fidelidade à obra original”, mas o universo alternativo criado nas telonas é interessante e vale umas boas duas horas de porrada, explosões e monstros nojentos.

Resident Evil: Extinction é o típico filme-pipoca: muitas armas, efeitos especiais, ação, porrada, bichões feios e mocinhas bonitas sob o pretexto de fingir ser um filme de jogo.

(Resident Evil: Extinction, Ação, EUA, 2007)

Direção: Russell Mulcahy
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Oded Fehr, Milla Jovovich, Mike Epps, Iain Glen, Ashanti (II), Ali Larter, Spencer Locke, Gary Hudson.

* Texto já publicado pelo próprio autor em outro blog. Para ser mais exato, aqui.